Alta do petróleo incentiva investimentos

Os valores recordes atingidos pelo preço do petróleo nos últimos meses estão gerando um fenômeno inusitado: a busca pelo ouro negro em pleno continente europeu e mesmo aos pés dos Alpes suíços. Apesar do número cada vez maior de projetos de energia renovável, os governos reconhecem que vão continuar dependendo do petróleo por pelo menos mais 30 anos e novas empresas, de olho nos lucros, voltam a investir no setor que já estava abandonado em várias partes da Europa por não serem rentáveis.

Um desses casos é o da Suíça. A última empresa do país no setor de exploração de petróleo fechou suas portas há 13 anos, quando já não compensava o investimento e o governo se cansou de subsidiar a companhia. Genebra, por exemplo, se tornou o maior centro financeiro do comércio de petróleo do mundo, mas praticamente nenhum barril passou pela cidade. Agora, empresas como a Petrosvibri SA e Holdigaz já anunciam que começarão a explorar gás natural e mesmo petróleo nas proximidades da cidade de Montreux, sede de um dos maiores festivais de jazz da Europa e aos pés dos Alpes.

Os geólogos acreditam que poderão encontrar o combustível a 3 mil metros de profundidade, esforço que só é compensado diante da alta nos valores do barril do petróleo no mercado internacional. As reações de ecologistas e da população local têm sido negativas. Um dos alvos da exploração está listado como patrimônio da humanidade pela Unesco.

Na França, a corrida pelo petróleo também pode ser observada. Hoje, o país produz menos de 1% do gás e petróleo que consome. O restante é importado e, com custos cada vez mais altos, a conta está ficando pesada para alguns setores da economia. Há 40 anos, os franceses produziam 3 milhões de toneladas de petróleo por ano. Em 2006, esse volume caiu para 1 milhão.

Mas com dificuldades cada vez maiores de investir no Oriente Médio e com as decisões dos governos que contam com reservas de aumentar os royalties sobre a exploração, os europeus voltam a analisar suas próprias reservas. Uma das vantagens é a proximidade entre o local de produção e os consumidores. Outro benefício seria reduzir a dependência em relação ao gás russo, tema que vem causando atritos entre Moscou e os países europeus.

Diante desse novo cenário, empresários apostam em pequenas produções em regiões como a de Nantua, as montanhas do Jura (sudeste francês) ou Pays de Gex. Em declarações ao jornal suíço “Tribune de Geneve”, o diretor da empresa Toreador Energy France Emmanuel Mousset, prevê que o número de explorações de petróleo no território francês se multiplicará até 2010. “Há uma grande euforia”, disse o dirigente da empresa que faz parte de um grupo do Texas.

Segundo seus cálculos, uma pequena empresa de exploração de petróleo poderia pagar por seus investimentos e pesquisas se o barril do combustível se mantiver acima de US$ 60 até o final de 2009. Hoje, com o petróleo a quase US$ 100, até mesmo projetos de perfuração de 5 mil metros de profundidade de montanhas francesas passam a ser viáveis.

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