Alta deve impactar mais na construção civil

Desde o começo do ano, as siderúrgicas fazem ‘guerra fria’ nos preços do aço e especulam sobre um possível reajuste de 8% a 13% no final de abril.
Em fevereiro, somente o grupo siderúrgico Gerdau, maior produtor de aços longos, havia confirmado a elevação. Segundo os representantes da área comercial da empresa em Manaus, houve uma remarcação em torno de 12% no fornecimento de aço.
Já em março, o presidente do Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço), Carlos Loureiro, afirmou que a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) iria elevar seus preços entre 6% e 10% logo que iniciasse abril, assim como ajuste aplicado por Usiminas e ArcelorMitall Tubarão no mesmo mês.
No Amazonas, o vice-presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Genoir Pierosan, explica que o aumento no preço do aço é absorvido pelas empresas do segmento, mas não chega a afetar o consumidor, pelo menos não de imediato. “Tem que saber o momento certo, ainda mais com a competitividade”, avaliou.
Pierosan destaca que o aço utilizado nas indústrias metalúrgicas vem das regiões Sul e Sudeste, mas, dependendo da especificidade, também são importados de outros países. Como o produto tem um peso considerável na fabricação do polo de duas rodas, ele ressalta que as indústrias são obrigadas a reduzir a margem de lucro, com a possibilidade de repassarem este aumento ao consumidor somente no final do ano ou de seis em seis meses.

Consumidor final

Quem afirmava que o ‘freguês final’ sentiria os reflexos do aumento foram as indústrias do setor automobilístico. Contudo, o presidente-executivo do IABr (Instituto Aço Brasil), Marco Lopes, já havia afirmado em entrevista à Agência Estado no mês anterior que, caso houvesse o acréscimo nos preços do aço, o impacto seria de menos de 1% sobre os veículos comercializados no país.
Entretanto, há setores onde o consumidor pode sair ‘ferido’, como no caso do imobiliário. O presidente do Sinduscon/AM (Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Estado do Amazonas), Eduardo Lopes, afirma que o consumidor sairá impactado.
Segundo ele, tanto o cimento quanto o aço são essenciais nos canteiros de obras. Embora o primeiro represente 25% do total da construção, o aço agrega uma fatia de 15% da construção.
Lopes comenta que em conversas internas com a Câmara Brasileira da Indústria de Construção Civil, as informações apontavam que o aumento não viria, mas admite que esta alta é determinada pelas siderúrgicas. “São elas que vão decidir”, destacou.
De acordo com o titular do sindicato, o setor passa por um momento ruim e a alta no preço do aço deve causar mais ‘dor de cabeça’. Ele fala que, em virtude da grande demanda em 2010 e, consequentemente, da falta de mão de obra qualificada e equipada, as perspectivas para 2011 diminuíram em relação ao ano anterior. Enquanto no ano passado houve um crescimento de 11% no segmento, em 2011 a projeção é de apenas 6%. “Estamos esperando uma performance mais amena, é um ano de ressaca”, finalizou.

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