Alta da taxa de juros não resolve, avaliam economistas

Depois que o BC (Banco Central) divulgou que o nível de atividade da economia cresceu 4,17% no primeiro bimestre em relação a igual período de 2010, as previsões de elevação da taxa Selic aumentaram, tanto é que, na última sexta-feira, 15, os analistas financeiros ouvidos pela entidade projetaram uma subida de 11,75% para 12,25% ao ano da taxa básica de juros.
Segundo os analistas, o aumento previsto para ser ela­borado na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que termina hoje, deve interromper o processo de aperto na política monetária.
O economista e conselheiro titular do Corecon/AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailton Nogueira, analisa que a tentativa de reter o consumo e evitar o avanço da inflação não tem sido eficaz. Em janeiro, o Comitê expandiu a taxa de 10,75% para 11,25% ao ano. Mesmo assim, no mês seguinte, o comércio varejista avançou 0,7% quando confrontado ao primeiro mês do ano, de acordo com análise do Serasa Experian.
Nogueira afirma que o consumidor ainda não prestou atenção quanto à questão do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), principalmente nas compras a prazo. “Apesar desta medida imposta pelo governo, ainda não houve contenção, até mesmo por conta do dólar barato”, considerou.
Segundo o economista Otniel­ Monteiro, também membro do Conselho, com a renda mais alta, a elevação de 1,5% para 3,0% do imposto não impediu a retração no consumo.
Monteiro fala que a indústria não tem conseguido atender a demanda do mercado, devido à manutenção do nível de compra elaborado para evitar a crise. Entretanto, ele salienta que há outras formas de combater a inflação, como a limitação dos gastos do governo que, de acordo com ele, continuam altos.
Por outro lado, o assessor de economia da Fecomércio/AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, ressalta que já foi comprovado que o principal parceiro do ‘monstro’ da inflação em 2011 é o excesso da demanda, que incrementou os preços do comércio varejista.
O represantente da Fecomércio/AM explica que a redução do deficit público poderia gerar mais resultado, mas restringiria o tamanho da máquina administrativa, que não é a intenção governamental. Por isso, a elevação da taxa Selic é um ‘analgésico’, um remédio imediato. Ao contrário dos outros economistas, ele destaca que a medida já apresentou resultados, tanto que estão ‘repetindo a dose’.

Desaceleração atrasada

Apesar de atrasada, a desaceleração de 8,5% do comércio brasileiro em março, de acordo com dados da Serasa, já é vista como uma consequência positiva da trajetória de aumento da Selic.
Entretanto, se depender das intenções de compra dos consumidores neste segundo trimestre, a comemoração deve levar um ‘banho de água fria’. Segundo pesquisa recente do Provar (Programa de Administração do Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Administração), o percentual de consumidores que pretendem adquirir bens duráveis subiu 2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e atingiu 73,8%.
Além disso, no acumulado até junho, o Programa estima que as vendas cresçam 2,4% em comparação as registradas em dezembro de 2010. Embora seja um percentual menor que o verificado no ano passado, quando a comercialização no primeiro semestre aumentou 5,6% em relação ao período imediatamente anterior, o coordenador do programa, Claudio Felisoni, avaliou que o menor ritmo não terá relação com medidas do governo ou com a inflação, é somente uma correção natural do ritmo de crescimento do setor.

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