Alta da Selic coloca em risco bom momento

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) entende que, ao promover um novo aumento dos juros básicos da economia, o Banco Central renova a façanha de manter o Brasil como o detentor da maior taxa de juros do planeta. Uma liderança que nos ofende e, efetivamente, parece contrariar todos os esforços brasileiros de assumir cada vez mais o papel de protagonista na arena econômica global, uma vez que o patamar de juros cobrado no País se torna um dos principais fatores de comprometimento da competitividade brasileira em relação a seus concorrentes.
“Nos preocupa o fato de que o aumento da Selic, que passa a se posicionar acima de dois dígitos, interfere diretamente no bom momento vivido pela economia brasileira, conforme se constatou no resultado do PIB do primeiro trimestre de 2010”, afirma o presidente da Fecomercio, Abram Szajman, referindo-se ao crescimento de 9% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme indicou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Mais do que tentar arrefecer o consumo, o Brasil deveria partir para uma ação concreta de racionalização dos gastos públicos e de estímulos aos investimentos produtivos.”
A Fecomercio concorda com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o País não caminha para um “superaquecimento da economia”, devendo o consumo se acomodar, nos próximos meses, para um patamar mais equilibrado. Para a Federação, os altos juros são consequência de uma febre que sugere uma infecção na economia do País: os maus tratos do dinheiro público. O governo arrecada muito e gasta mais ainda, pessimamente. O BC não parece dialogar com a Secretaria do Tesouro, indicando que cada setor do governo trabalha isoladamente e, portanto, o resultado final sempre deixa a desejar. O efeito dessa falta de equilíbrio entre política monetária, cambial e fiscal se resume da seguinte forma:
•Juros altos para compensar a falta de eficiência do Estado e o custo enorme da máquina pública;
•Tributos elevados para fazer frente a gastos crescentes, realimentando o ciclo vicioso;
•Taxa de câmbio como efeito colateral da interação entre juros e política fiscal, e não como resultado da interação comercial entre o Brasil e o resto do mundo.
Se o Banco Central mantém as maiores taxas de juros do mundo, a política fiscal equivocada serve, ao menos, de motivação para este exagerado conservadorismo. Passou da hora de o país mudar esse quadro.

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