Aliados e adversários de Renan evitam fazer prognóstico para hoje

Após 96 dias de um processo de cassação tumultuado, a principal certeza é que o desfecho na votação, igualmente secreta a partir das 11h, será selado por uma margem apertada -cassando ou absolvendo Renan Calheiros.
Ontem, os partidos de oposição, PSDB e DEM, orientaram as bancadas a votarem pela cassação na esteira de um clima desfavorável a ele que se alastra desde a aprovação do pedido de cassação no Conselho de Ética, na última quarta. Os dois partidos têm juntos 30 senadores.
“À luz dos acontecimentos levantados pelos relatores temos convicção de que o senador Renan Calheiros não pode mais continuar no Senado e muito menos na presidência”, disse o presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE).
Aliados de Renan, que até a semana passada falavam em repetir o placar que o elegeu presidente da Casa (51 a 28), ontem se mostravam preocupados com a estreita margem de manobra, mas ainda assim davam como certo que ele escaparia da cassação. Para salvar o mandato de Renan, contavam com “traições” de parlamentares da oposição.
Para que seja aprovado o relatório de Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), que recomenda a perda de mandato, são necessários 41 votos -independentemente de quantos dos 81 senadores estejam no plenário.

O escândalo que assolou o presidente do Senado começou há 110 dias quando a jornalista Mônica Veloso o acusou, em entrevista à revista “Veja”, de ter usado o lobista Cláudio Gontijo, ligado à Mendes Júnior, para pagar pensão alimentícia de R$ 12 mil mensais. Ele e Mônica têm uma filha.
As 70 páginas do parecer de Casagrande e Marisa têm como eixo sete pontos que caracterizariam a quebra de decoro, além de considerar que Renan “mentiu”, o que configura falta grave por si só. São eles: 1) a relação “conflituosa” de Renan com o lobista Cláudio Gontijo; 2) não há provas dos pagamentos da pensão de R$ 12 mil mensais à jornalista Mônica Veloso; 3) irregularidades fiscais; 4) irregularidades bancárias; 5) uso da verba indenizatória para inflar patrimônio; 6) cheques apresentados para justificar pagamento da pensão foram usados em despesas nas fazendas; 7) falta credibilidade na existência dos empréstimos feitos com a locadora Costa Dourada.
Caso seja cassado, Renan Calheiros, considerado uma das principais forças políticas do PMDB, ficará inelegível até 2019, quando terá 63 anos. Ele completa 52 anos no próximo domingo. Se Renan for absolvido, ainda enfrentará mais três processos por quebra de decoro parlamentar.
Nas 24 horas que antecederam o desfecho do caso, Renan mobilizou toda a sua “tropa de choque”. Foi informado de mais duas baixas em sua bancada: Garibaldi Alves (RN) e Gerson Camata (ES). Garibaldi foi à tribuna: “Lastimo que se haja perdido em tais ata-lhos um companheiro nosso, que terminou por levar para momentos de penumbra o Senado”.

Para aliados vitória será por diferença de até dez votos

A um dia da votação que vai definir o futuro do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os aliados do peemedebista apostam na vitória de Renan por uma diferença de oito a dez votos favoráveis ao colega. Porém, eles guardam sigilo sobre os nomes dos senadores que possivelmente vão absolver o peemedebista.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e o líder do PMDB na Casa, Valdir Raupp (RO), conversaram reservadamente com os senadores simpáticos a Renan em busca de apoio pela absolvição do colega.
No entanto, eles estão convencidos de que mesmo que Renan escape da cassação, as denúncias contra o peemedebista não cessarão.

A reportagem apurou que tanto Jucá como Raupp evitam orientar Renan a abandonar o cargo de presidente do Senado. Segundo ambos, a decisão é “totalmente pessoal” e cabe exclusivamente a Renan definir o que será melhor para ele. No entanto, informaram ao peemedebista que se ele deixar o comando do Senado, a tendência é de que as acusações saiam do foco das atenções. No PMDB, não haverá uma posição fechada em favor de Renan, embora a

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