Alerta confirma prejuízo econômico

https://www.jcam.com.br/ppart03052013.jpg
Danos ao setor produtivo é ainda agravado pela dificuldade dos produtores em acessar os recursos emergenciais

Alerta de cheia recorde ameaça a economia no Amazonas. Com a cota máxima do rio Negro oscilando entre 28,76m a 29,47m, prevista no 2º Alerta de Cheia divulgado pelo CPRM- Serviço Geológico do Brasil, regiões do Estado utilizadas para o plantio e pecuária já estão alagadas comprometendo a produção, resultando no aumento de preço dos produtos, segundo especialistas.
De acordo com o superintendente da CPRM, Marco Antônio de Oliveira, a cheia quando ultrapassa 29m demora mais tempo para retornar ao nível ideal de plantio nas regiões naturamente férteis. “Quando a cheia é grande o rio alaga as plantações com maior antecedência, comprometendo toda a produção de várzea e, lembrando que os rios estão em movimento no Amazonas, são rios ainda em construção”, alerta.

Escassez de Agência

Outro fator que contribuiu para agravar a situação econômica do Estado, em detrimento da produção agropecuária no interior, reside na quantidade insuficiente de agencias bancárias para analisar projetos que fomentem R$ 880 milhões em créditos para os produtores localizados no interior do Estado. Que contam com apenas oito agências no interior, o que é inaceitável num Estado continental, com acessos longos e de alto custo, segundo o superintende da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Thomaz Meirelles. “Atentamente ouvimos os planos de investimentos para a região Norte, na ordem de R$ 880 milhões, que precisa chegar ao bolso do trabalhador rural do interior do Amazonas, proferidos pelo novo presidente do Basa. Fato é que não vem ocorrendo na velocidade que precisamos e desejamos, principalmente para as atuais condições de vida do público alvo do Pronaf”, diz Meirelles.
Segundo o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas) Muni Lourenço, efetivamente o aumento de agências bancárias nos municípios do interior do Estado é um fator relevante para a aquisição de linha de crédito. “Reiteramos esse pleito ao presidente do Basa, para priorizar a instalação de mais agências presentes no interior do Estado, em detrimento ao prejuízo na avaliação e apresentação de projetos”, confirma Lourenço.

Será que a Dilma sabe?

O superintendente da Conab, Thomaz Meirelles, afirma que sem bancos que operem o crédito rural no interior do Amazonas, Estado que mais conservou a floresta em pé, os ótimos programas federais, criados e fortalecidos desde 2003, não conseguirão eliminar a extrema pobreza. Ele gostaria de dizer pessoalmente à presidente Dilma Rousseff que “Será que a Presidenta sabe que o crédito emergencial liberado pelo governo federal, para os atingidos pela enchente do ano passado já completou um ano e que muitos produtores ainda não viram esse dinheiro? E que em certos municípios, somente 30% desse público foi beneficiado?”, questiona Meirelles.
O superintendente da Conab se questiona. “Será que a presidenta Dilma sabe que já estamos com nova enchente e tem caboclo que não acessou o crédito emergencial, também chamado de especial. Bem, pelo tempo que tem levado, a aplicação desse crédito penso que jamais poderíamos chamá-lo de “emergencial” e/ou “especial”, principalmente para o agricultor familiar que depende da época certa para plantar e do pecuarista que precisa alimentar o gado diariamente. Acredito que o comércio e a indústria possam sofrer menos por esperar um ano para receber esse recurso, mas o setor rural jamais. Será que estou errado?”, indagou Meirelles.

Ao Basa e ao Idam

O superintendente da Conab, Thomaz Meirelles, deixa claro que não está criticando os serviços prestados pelo Basa, tampouco à equipe do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas) que vem atuando no crédito “emergencial” e/ou “especial” do FNO. Ele defende a presença do BB (banco do Brasil) ou do Basa (banco da Amazônia) em todos os 62 municípios do Amazonas. “Inaugurar uma nova agência em Tefé, onde já tem o Banco do Brasil, certamente não é a melhor estratégia. Dizer ao nosso caboclo para procurar a agência “mais próxima” é pura brincadeira, descaso e falta de compromisso”, desabafa Meirelles.

Amazonas aguarda crédito de R$ 880 mi

A economia do Amazonas tem como uma de suas bases a produção de alimentos como hortaliças, frutas e verduras, fibras e olarias, além do mercado de peixes. A cheia já causou a escassez de algumas dessas espécies que, hoje aguarda pelo crédito de R$ 880 milhões disponível no FNO 2013.
Nomeado em fevereiro o novo presidente do Basa, Valmir Pedro Rossi, apresentou a principal linha do Basa – o FNO (Fundo de Desenvolvimento do Norte) com orçamento de R$ 4,6 bilhões em 2013, dos quais R$ 880 milhões no Amazonas. Com mais algumas linhas de crédito próprio, como as de amparo ao trabalho e às micro e pequenas empresas o banco trabalha este ano com R$ 1 bilhão para o Amazonas e R$ 7 bilhões para o total do banco oferecer em 2013. Em 2012 foram orçados R$ 4 bilhões, que o banco contratou R$ 4,2 bilhões.
“O Banco da Amazônia funciona como um braço do governo federal na região Norte para promover o desenvolvimento sustentável, geração de emprego e renda. Este ano temos um orçamento de 4,6 bilhões, sendo R$ 880 milhões para o Estado do Amazonas”, informou Rossi.
O Banco da Amazônia é considerado a principal instituição financeira de investimento na região Amazônica, é uma instituição federal, tem a missão de promover o desenvolvimento da região Norte do Brasil, com especificidade para a região Amazônica, possui um papel relevante, tanto nas ações de pesquisa quanto no crédito para produtores.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email