Ajuste do mínimo reflete em renda do trabalhador

A dicotomia que se apresenta a partir de uma análise rápida dos dados de emprego e de renda média real em abril, divulgados quinta-feira (24) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), decorre de um efeito estatístico provocado pelo aumento do salário mínimo no começo do ano -de 14% nominalmente e ao redor de 7,5% em termos reais. A afirmação é do analista de mercado de trabalho da LCA Consultores, Caio Machado.
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego recuou 0,2 ponto porcentual, de 6,2% em março para 6% em abril, enquanto a renda média real caiu 1,2% na mesma comparação. À primeira vista, os números podem parecer contraditórios, apesar de o aumento de emprego impactar a massa e não necessariamente a renda.
Mas esta aparente contradição ocorre porque nos primeiros meses do ano a renda foi bastante inflada pelo aumento do salário mínimo, disse o economista. “Pode-se dizer que esta queda da renda, com aumento do emprego, ocorreu por conta de um efeito estatístico”, disse o economista, para quem há ainda, sobre a redução da renda, o impacto do aumento da inflação na passagem de março para abril. Neste período, o IPCA saiu de 0,21% para 0,64%.
“Se pegarmos o aumento da renda de 1,6% de fevereiro para março, vemos que o que acontece agora é um ajuste”, reforçou o economista da LCA. Mas na leitura interanual, que compara abril com o mesmo mês do ano passado, houve crescimento de 6,2% da renda habitual e o destaque é que ela vem crescendo mês a mês: em janeiro, 2,7%; fevereiro, 4,4%; março, 5,6%; e abril, 6,2%.
“A queda do desemprego e a escassez de mão de obra qualificada têm dado ao trabalhador maior poder de barganha na hora de negociar aumentos salariais”, diz o economista. Para ele, não há ainda evidências empíricas, mas os dados mostram que as empresas podem estar recorrendo ao chamado “prêmio salarial” -salários acima do habitual para manter empregados e atrair funcionários das concorrentes.

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