12 de maio de 2021

Ainda sobre desindustrialização do IPEA

“Para o presidente do IPEA nossa indústria não é competitiva. O agronegócio sim. Ora, a indústria trabalha 5,5 meses por ano para recolher impostos ao país. Enquanto o agronegócio é isento da maioria dos tributos impostos ao segmento fabril. Santa paciência!”

Nelson Azevedo(*)

Ou melhor, da desindustrialização das propostas deletérias de seu presidente. Como empresários da indústria que atuam na Amazônia, é obrigatório retomar as propostas insensatas, contidas na pregação da desindustrialização do Brasil, aclamadas pelo presidente do IPEA, Sr. Carlos Von Doellinger. Premissas falsas, para começo de conversa, necessariamente desembarcam em conclusões equivocadas, desde a invenção da Lógica há 25 séculos na antiga Grécia. E mais grave ainda: qualquer premissa que se propõe estudar um fenômeno precisa submeter-se a seus protocolos metodológicos caso queira atribuir rigor científico a suas conclusões. O desacato a esses pressupostos da Economia ou Econometria são gritantes na entrevista concedida pelo dirigente do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Carlos Von Doellinger, na semana passada, ao Valor Econômico.

Afinal o que é o que faz o IPEA?

Fundado há 57 anos, o IPEA sempre foi reconhecido mundialmente por “pensar o Brasil” do ponto de vista econômico, administrativo e do planejamento estratégico. Seus estudos são acatados pelo rigor e robustez de seus dados e, há mais de meio século, todas as pesquisas consideradas sérias sobre o Brasil e sua inserção mundial, reportam-se ao acervo imensurável de estudos do IPEA. Por isso, são incompreensíveis as teses de seu atual presidente defensoras da liquidação de nossa indústria manufatureira.

Equívocos inaceitáveis

Ao longo de décadas, o Instituto fornece subsídios preciosos aos governantes sérios que buscam suporte e diretrizes técnicas para a formulação e o acompanhamento de políticas públicas e programas de desenvolvimento. Partiu do IPEA a bandeira frustrada de consolidação do Brasil como a quinta economia do mundo. Como alcançar esse patamar com cabeças que apregoam a transformação do país num grande produtor de alimentos? E só. Ou com a inclusão da uma bioindustria de produtos naturais. Para ele, nossa indústria não é competitiva. O agronegócio sim. Ora, a indústria trabalha 5,5 meses por ano para recolher impostos ao país. Enquanto o agronegócio é isento da maioria dos tributos impostos ao segmento fabril. Santa paciência!

Impostos e contribuições preciosas

Alguns dados foram ignorados na pregação predatória de Doellinger. No âmbito da indústria nacional de transformação, a União Federal recolhe 25% do total da arrecadação de tributos federais e 23% da arrecadação previdenciária patronal. Se o agronegócio ajuda a equilibrar a balança comercial brasileira, a indústria comparece com 50,6% das exportações de bens e serviços e por 65% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Outros dados foram fornecidos ao dirigente do Instituto pelas destacadas entidades da indústria, indignadas pela pregação aloprada e descolada da realidade.

Direito e respeito

Trazendo para Manaus e seu polo Industrial cinquentenário, essa visão não faz qualquer sentido. Se as premissas da desindustrialização estão pressionadas por acordos comerciais fortuitos com a cadeia asiática de suprimentos e produtos, esvaziar nossa indústria significa atropelar os interesses de nossa gente. Ou deixá-las no vácuo da escassez. Com o atraso ou suspensão de fornecimentos de partes e peças, além de EPIs, nesta pandemia, descobrimos em Manaus uma capacidade instalada para produzir quase tudo que o mercado demandar. E mais, em desacordo com o dirigente do IPEA, a indústria instalada em Manaus precisa continuar e diversificar sua atuação, regionalizando os benefícios que ora são confiscados pela União.

Programa ZFM

Além de evitar que os jovens cedam aos acenos do crime organizado, empregamos, a partir da indústria da Zona Franca de Manaus, direta e indiretamente 500 mil pessoas e, com isso, colaboramos para evitar que as famílias busquem atividades predatórias que alcancem a floresta e nos impeçam de continuar oferecendo gratuitamente serviços ambientais ao Brasil. Longe de nós desindustrializar a manufatura da pesquisa, planejamento estratégico e econométrico do IPEA, queremos apenas o direito ao trabalho e maior atenção e respeito pela importância do que fazemos.

(*) Nelson Azevedo é economista, empresário e presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalmecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, vice-presidente da FIEAM e Conselheiro do CIEAM
(**) Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo Lopes. [email protected]

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