Aguinaldo Figueiredo ganha prêmio com sua nova obra

Saiu o resultado do Prêmio Literário Cidade de Manaus e o historiador Aguinaldo Nascimento Figueiredo, pela terceira vez teve um livro vencedor na categoria Melhor Ensaio Histórico (Prêmio Arthur Reis). Aguinaldo é especialista em vasculhar o passado onde ninguém mais ousou. Já tinha ganho com ‘Samurais das selvas: a presença japonesa no Amazonas’ e ‘Nos caminhos da alegria: roteiro histórico e sentimental da boemia de Manaus’. Desta vez ele conquistou o Prêmio Arthur Reis com ‘A indústria no Amazonas – memorial histórico’, no qual traz à luz a primeira pessoa, um político e não um empresário, a montar uma indústria em Manaus e lembra outros nomes que se destacaram até a chegada da Zona Franca, em 1967.

O livro ‘A indústria no Amazonas – memorial histórico’ conquistou o prêmio Arthur Reis

“A primeira indústria de Manaus, e do Amazonas, foi a fábrica de tecidos fundada pelo governador da capitania de São José do Rio Negro, Manuel da Gama Lobo d’Almada (1788/1798). Lobo d’Almada foi, talvez, a primeira autoridade portuguesa no Brasil a tentar viabilizar a industrialização em possessões portuguesas, mesmo a despeito das proibições e restrições”, contou.

O português instalou outras unidades fabris no Lugar da Barra (futura Manaus) e em regiões próximas, principalmente no rio Negro, como fábrica de velas de andiroba, de fécula de arroz e anil, de telhas, tijolos e potes para armazenar a manteiga de tartaruga (o mais importante produto de exportação da época), entre outros empreendimentos de vulto.

“Já em tempos mais recentes, resguardados os tempos e as proporções, o pioneiro da industrialização no Amazonas foi, o visconde de Mauá (1813/1889), que instalou um mega projeto madeireiro e oleiro em Itacoatiara na década de 1850, mas, devido as dificuldade que conhecemos até os dias de hoje, não prosperou”, completou.

O poderoso JG de Araújo

Foi no período áureo do comércio da borracha, entre os anos de 1890 a 1910, que surgiram vários empresários no Amazonas, não necessariamente industriais, mas homens que ficaram ricos com o comércio da goma elástica, um deles, porém, o português Joaquim Gonçalves de Araújo, o JG de Araújo, foi as duas coisas, talvez por isso tenha se tornado o homem mais rico da Amazônia naqueles tempos.

“O comendador JG de Araújo foi o primeiro dos empresários radicados no Amazonas a se destacar na industrialização com a instalação da sua primeira fábrica, a  Brasil Hévea, na rua 24 de Maio, em 1923, depois transferida para a mega fábrica da Ilha do Caxangá, produzindo os saltos de sapato da marca Coroa, além de tapetes, produtos isolantes, lâminas de caucho para conserto de pneumáticos, câmaras de ar, arruelas, válvulas, puchas (capas de chuva) e outros artefatos de borracha ‘para qualquer fim’, como dizia o anúncio propagandístico da época”, informou.

Os negócios de JG extrapolaram as fronteiras do Amazonas. Ele controlou quase todo o comércio importador e exportador na região. O comércio interno (aviação) era o maior da Região Norte e vendia de vinhos, perfumes, utensílios domésticos e ferramentaria a pólvora e armas. Comprava todos os produtos regionais, sobressaindo-se a borracha, a castanha e outros. Era dono de fazendas de gado no Rio Branco, serrarias e fábricas de prego e embalagens e emprestava dinheiro a juros módicos para quem estivesse agoniado. Ele chegou a instalar, por sua conta, a usina de incineração de lixo de Manaus, em Aparecida, em 1910, e contribuiu com muitas obras filantrópicas na cidade.

JG era tão rico que mesmo com o fim do importante comércio da borracha, a partir de 1911, quando vários empresários ‘quebraram’, ele continuou com suas empresas ativas. Morreu em 1940 e ainda assim essas empresas tiveram continuidade com seus herdeiros.

Industriais pioneiros

Com a economia combalida após o fim da hegemonia sobre o comércio mundial da borracha, a partir de 1911, ainda assim o Amazonas conheceu outros industriais de sucesso.

“Temos a presença marcante dos irmãos paraenses Miranda Corrêa, com suas fábricas de gelo e cerveja no início do século 20, mas, sem dúvida, Isaac Benayon Sabbá se destacou chegando a possuir mais de 40 indústrias de transformação e beneficiamento de produtos regionais a exemplo da borracha, castanha, óleo de pau rosa, sorva, balata entre outros”, lembrou. 

“IB Sabbá, como ficou conhecido, foi o construtor da refinaria, no Paredão, em 1957, a terceira da América latina, ‘garfada’ pela ditadura militar para encampá-la ao patrimônio da Petrobras recebendo IB Sabbá, por isso, uma quantia irrisória de indenização. Isaac era descendente de judeus sefarditas, que migraram para o Pará, vindo para o Amazonas onde começou vendendo carteiras de cigarros pelas ruas de Manaus, andando a pé, junto com o irmão”, completou.

Além desses, no livro, Aguinaldo lista tantos outros industriais pioneiros como os irmãos Antônio e Alberto Ribeiro d’Andrade (Guaraná Andrade), Jacob Benzecry (Ciex), Samuel Benchimol (Fogás), Antônio Simões e Petrônio Pinheiro (panificação), Nilo Tavares Coutinho (construção naval), Adalberto Vale e Mário Expedito Guerreiro (tecelagem), João Cruz (bebidas gasosas), Sócrates Bonfim (siderurgia).

“Com o início do projeto Zona Franca, as velhas fábricas deixaram de existir ou se aliaram às novas, a maioria  multinacionais, algumas atuando com elas em regime de joint venture. Para se adaptarem a essas mudanças a grande maioria dos empresários se reuniu em empresas S/A, fazendo surgir outras”, concluiu.

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