Na Amazônia não falta água. Nas cidades é até difícil ensinar a alguém criado na fartura hídrica do interior que o custo da água encanada é grande e que precisa ser usada racionalmente. Os rios são tão abundantes que os pequenos, que em outras regiões merecem destaque, nem são marcados nos mapas na Amazônia. Os povos sempre viram os rios como fornecedores de proteína, até a época atual, nunca precisaram criar peixe em cativeiro.

A bacia amazônica, com raras exceções é um grande lago. A queda da água é tão pequena que, mesmo na cheia, os rios não aumentam sua velocidade, sendo sempre navegáveis com algumas variantes. A cheia e as vazantes são cíclicas e bastante previsíveis. Na seca, a navegação é concentrada no eixo do rio, na cheia permite “navegar em copa de árvores” alcançando lugares de difícil acesso em outras épocas. È um espetáculo único que o mundo desconhece. 

Nossa conversa sempre volta à exploração do turismo, isto é: mostrar ao Brasil e ao mundo estas belezas ímpares. O privilégio de termos uma natureza intocada que está assim desde antes dos tempos conhecidos, continua um mistério para o resto do mundo. Os animais da água também remontam de tempos pré-históricos. Mostrar aquilo que o mundo imagina, mas nunca viu a não ser em documentários, nem sempre isentos, na mídia. Além disso, o povo do interior é feliz, longe do ser miserável que só é mostrado quando acontece uma catástrofe.  O nativo pode ser falto de posses, mas jamais pode ser visto como miserável, uma vez que a própria natureza provê sua sobrevivência. 

Há 43 anos foi inaugurada a estrada Porto Velho/Manaus e até hoje não é totalmente transitável. A dor de cabeça na realização da estrada, não é tanto a mata fechada como a enormidade de rios que é necessário ultrapassar. O que pode tornar-se algo positivo, porque aquilo que parece atrapalhar pode tornar-se uma fonte de renda para o turismo. Com a exploração de locais aprazíveis, pesca esportiva, boas pousadas e restaurantes, deixará de ser um vilão ecológico e se transformará em bons negócios para a comunidade.

A pesca esportiva ganha adeptos em todo mundo, tornando-se um esporte ecológico porque não permite a pesca para alimentação e sim a atividade prazerosa da pesca peixe por peixe, tirado um por um com um anzol e depois devolvido para água. Mais um detalhe: não é praticada por gente de parcos recursos. O gasto com iscas, molinetes, carretilhas varas e anzóis muitas vezes é bem maior que a passagem de avião, estadia e pagamento de piloteiros. 

Assistimos na televisão a pesca aos crocodilos no rio Mississipi. Ora, lá a pesca ao Jacaré ou ao crocodilo é permitida durante certo período do ano e é organizada de tal maneira que a reposição natural dos animais aconteça pelo efeito da natureza. Talvez o Aligator americano seja diferente do nosso jacaré, mas é semelhante na depredação desenfreada de peixes. Nós, que gostamos tanto de copiar os americanos em coisas que ferem nossa cultura, não copiamos a matança regrada de jacarés, que poderia se tornar um forte atrativo turístico. E creiam: a superpopulação de jacarés prejudica o crescimento dos demais seres da água. Um jacaré adulto devora até 40 kg de peixe num único dia.

A cultura milenar do amazonense não o ensinou a criar peixe, mas ela é facilmente feita em cativeiro e tanques redes. A pesca de sobrevivência em rios e lagos, em nada prejudica a natureza e também é necessária para o equilíbrio ambiental. Se o homem aprender a usar a natureza, sem tirar dela indiscriminadamente, poderá viver feliz com ela e ainda aumentar sua renda.

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