Água lava as mãos e afasta o Coronavírus do Covid-19

No último dia 22 de março comemoramos o Dia Mundial da Água. 

Datas como essa expressam o apelo à humanidade por uma “pegada hídrica planetária”. O tema ‘Água’ é praticamente transversal aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS, com metas concretas até o ano de 2030.  

Não há como pensar na erradicação da pobreza (ODS1), fome zero e agricultura sustentável (ODS2), saúde e bem-estar (ODS3), educação de qualidade (ODS4), energia acessível e limpa (ODS7), indústria, inovação e infraestrutura (ODS9), redução das desigualdades (ODS10), cidades e comunidades sustentáveis (ODS11), consumo e produção responsáveis (ODS12), ação contra a mudança global do clima (ODS 13), paz, justiça e instituições eficazes (ODS16), e, em parcerias e meios de implementação (ODS 17) sem o correto cuidado e gestão da água.  

E há toda uma estratégia da Organização das Nações Unidas – ONU em definir propósitos comuns nos ODS 6 – Água potável e saneamento, ODS 14 – Vida na água e ODS 15 – vida terrestre, quais sejam: demonstrar as interrelações entre água e vida, cuja equação resulta na assertiva – água é vida!

Em tempos difíceis de enfrentamento da pandemia do COVID-19, o velho e simples hábito de lavar as mãos pode representar o limite entre viver, ou morrer, o primeiro passo de combater, ou desprezar a contaminação entre pessoas.

Infelizmente, parece que só agora caiu a ficha na maioria dos países do mundo. Os vários exemplos mundiais e no Brasil de descaso do gestor público de plantão em não usar de sua autoridade e liderança para atuar diligentemente no respeito às imperiosas orientações sanitárias, fere de morte o poder de defesa de cidades, estados e nações, colocando em colapso sistemas de saúde e, em risco, populações inteiras.

Alguns dados científicos demonstram quais devem ser os cuidados prioritários: a vulnerabilidade dos idosos e/ou portadores de doenças respiratórias, do coração, diabéticos, hipertensos, além dos fumantes; o isolamento preventivo, a quarentena de famílias, comunidades e cidades afetadas ou não, resultou, resulta e resultará na melhor ofensiva e combate ao número de infectados ao novo Corona vírus. 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstram que a maior taxa de mortalidade vem ocorrendo na faixa de pessoas acima dos 60 anos. Na Itália, com mais de 30 mil casos, entre os mais de 168 países que já registram a presença em seus territórios da doença COVID-19, as notificações positivas em Lodi, cidade que se isolou em 23 de fevereiro último, são, no total, bem menores que na cidade de Bergamo, que fechou seu território apenas no dia 08 de março de 2020. Infelizmente, a tragédia na Itália é um triste retrato daqueles que não acreditaram no perigo invisível e letal. 

Nestes dias de recolhimento forçado e de cuidados redobrados me lembro, de forma carinhosa, da minha saudosa mãe, que, em sua ‘ditadura maternal’, exigia ao chegar da rua: “vai tomar banho”; e, antes das refeições, “já lavou as mãos para comer? ”. 

É um rito disciplinar ensinado por mães, madrinhas, tias e avós que reconhecem o poder sagrado das águas e suas relações diretas com a promoção de saúde e de uma vida plena. É o reconhecimento do valor espiritual da água, desde o líquido amniótico de seus ventres onde nascemos.

Em diversas culturas, deixamos de ser pagãos batizados em água. A água benta, fluidificada, ou outro nome a que se denomine, pela força da fé, se torna medicamento natural e complementar ao tratamento de diversas doenças.

De todas as formas e em todos os credos, o acesso à água potável é condição sine qua non ao nosso crescimento e sobrevivência em todas as fases da vida.

Nestes dias especiais, ressalto a análise científica que vem da medicina: “não há doenças, existem doentes”, pacientes que exigirão cuidados especiais no tratamento e cura.

Ao expressar nossa gratidão e solidariedade aos diversos profissionais da saúde espalhados pelo mundo que estão lutando, diuturnamente, no enfrentamento da pandemia do novo Corona vírus, o mesmo desejo de uma atenção do Estado brasileiro, sociedade e poderes constituídos, ao cuidado com a água para todos, de forma que o seu uso seja a forma mais eficiente de prevenção de enfermidades, bem como, e, prioritariamente, de promoção da saúde coletiva. 

Além do econômico, cuidemos do valor socioespiritual da água à humanidade. 

A mesma OMS que vem nos instruindo ao bom combate da pandemia, também alerta que morrem milhões de crianças a cada ano, pela falta de acesso à água, notadamente, nas regiões mais pobres do planeta.

Haverá recursos financeiros suficientes ao combate desta silenciosa terceira guerra mundial da mesma forma que a humanidade está priorizando o combate do novo Corona vírus? 

Que a pandemia possa nos ensinar a pensar que vivemos numa única casa, e, que cada ser humano é responsável pela boa convivência em família e pelo cuidado da nossa família, a humanidade.

*Daniel Borges Nava é Geólogo, Analista Ambiental e Professor Doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia

Fonte: Daniel Nava

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