Água: fonte de votos que não seca

Querendo ou não os eleitores, a água continua a ser o mote preferido da maioria dos candidatos majoritários na disputa municipal 2012 em busca de votos. Os discursos, inclusive, se acirram e soam indignados depois da decisão do governador Omar Aziz (PSD) de abrir as torneiras dos reservatórios do Proama (Programa Água para Manaus) com o objetivo de levar água às famílias carentes, principalmente nas zonas norte e leste, e irritar os adversários da sua candidata à prefeitura, Vanessa Grazziontin (PCdoB), da coligação “Melhor pra Manaus”, que veem na iniciativa uma forma de fortalecer a campanha da senadora nesta reta final do primeiro turno.
Serafim Corrêa, da coligação “Agora Somos Nós e o Povo”, dono de um mandato executivo (2005/2008) e que assinou um pacto de repactuação sobre a questão, em 2007, envolvendo a empresa Águas do Amazonas e o ex-governador Eduardo Braga, desabafa: “Entre 95 prefeitos da cidade de Manaus, eu fui o único que teve coragem para enfrentar de frente esse problema, pagando todos os preços, mas para colocar a água do rio Negro nas casas das pessoas, a prefeitura tem que dar alguns passos”.
O primeiro “passo”, de acordo com o candidato, é a produção de mais água, meta já superada pois o município hoje produz mais água do que necessita. O segundo diz respeito ao tratamento da água, outra meta também alcançada. O terceiro “passo” seria fazer a água do rio Negro chegar aos bairros mais distantes através de adutoras. O quarto “passo” consistiria na construção de reservatórios para armazenar e depois distribuir a água. Ele garante ter construído 11 reservatórios com capacidade para armazenar 55 milhões de litros de água. Com relação ao quinto “passo”, a rede de abastecimento, ele afirma ter implantado 700 quilômetros de rede, aplicando R$ 60 milhões.
“Agora, falta fazer o gol, que é levar a água às casas das pessoas”, aponta Serafim, lamentando a impossibilidade do “gol” em função do ‘apartheid social’ vigente, ou seja, a situação de 40 mil famílias que residem em áreas já cobertas pela rede de abastecimento, mas só que não possuem condições de arcar com a taxa de R$ 250 para se ligarem à rede. “Eu vou pagar essas 40 mil ligações, o equivalente a R$ 10 milhões, o que não pesa no orçamento municipal, que é de pouco mais de R$ 3 bilhões. Aí teremos todo o sistema interligado”, promete.
No entanto, Serafim diz que a atual concessionária, Manaus Ambiental, terá que melhorar a qualidade de suas ações na cidade para completar a solução definitiva do problema. “Ocorre que pesquisa nacional mostra Manaus com 95% de área de cobertura de rede, mas com 75% de perda, o que é inadmissível. Logo, a concessionária tem que reverter esse quadro de perdas, e havendo essa correção, o problema estará resolvido”, comenta.

Proama/Dilma

Sobre o Proama, Serafim lembra a repactuação, em 2007, e diz que a sua gestão autorizou o empreendimento a pedido da então ministra da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, hoje comandando o Palácio do Planalto. Reconhecendo a autonomia municipal na questão, Dilma fez um apelo a Serafim para que assentisse com a aprovação do projeto estadual. “Eu concordei e a presidente Dilma está viva para confirmar tudo”, observa ele, ressalvando que à época a ministra teria advertido ser insustentável, do ponto de vista ambiental, que 19% da água consumida em Manaus fossem produzidos por poços da própria concessionária. “O Proama substituiria esses 19% com seus poços, o Proama geraria água para abastecer o Distrito Industrial da Suframa, onde estão os maiores consumidores de água de Manaus, que, contudo, retiram água do subsolo e não pagam nada”, protesta, lembrando também que o Proama “tinha prazo de validade, que era março de 2010, e esse prazo não foi revalidado por conta de desentendimentos entre o governador Omar Aziz e o prefeito Amazonino Mendes”.

Outra proposta

Pauderney Avelino (DEM), da coligação “Renova Manaus”, promete intervir na empresa Manaus Ambiental caso se eleja prefeito em outubro. O deputado federal até hoje contesta o processo de privatização da antiga Cosama, ocorrido em 2000 sob a chancela do então governador Amazonino Mendes. “Não houve investimentos”, se indigna Pauderney, dizendo que a sua solução radical será o rompimento do contrato com a empresa Manaus Ambiental e retomar a concessão para o município. Rompido o contrato, Pauderney resolverá o problema por meio de entendimento com Omar Aziz para integrar o Proama à rede de abastecimento, o que, conforme o diretor-presidente da Manaus Ambiental, Alexandre Bianchini, compreende investimentos da ordem de R$ 30 milhões. “O governador está abrindo as torneiras do Proama e nós vamos ajudá-lo nesse sentido”, disse o candidato, que não economizou críticas à majoração da taxa de esgotos (25% no contrato do Termo Aditivo celebrado entre a prefeitura e a concessionária), determinado por Amazonino Mendes. “Ora, isso é um absurdo para quem paga 20 ou 30 reais, e quando a rede de esgoto passar, a conta mensal de água dessa pessoa vai dobrar, meu Deus do Céu”.

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