Água é, de novo, polêmica nas eleições

Depois de verem a CPI da Água se transformar em palanque eleitoral, o vereadores da CMM (Câmara Municipal de Manaus) veem novamente o tema no centro do debate político da capital. A instalação, promovida na última semana pelo governo do Estado, de 16 torneiras e uma tomada para o abastecimento de carros-pipas que vão distribuir água gratuitamente no bairro Nova Floresta, na zona leste, divide as opiniões dos parlamentares municipais. Segundo o governador Omar Aziz (PSD), a obra, inaugurada às vésperas da eleição municipal, é uma medida paliativa e serve como forma de aproveitar o Proama enquanto prefeitura e concessionária não chegam a um acordo sobre a melhor forma de utilizar as instalações do programa.
Questionados se a iniciativa poderia favorecer a candidata Vanessa Grazziotin (PCdoB), apoiada pelo governador, a maioria dos vereadores preferiu não entrar em polêmica com Omar Aziz e esqueceram o discurso anterior, quando se posicionaram contrários à abertura da CPI da Água sob a alegação de uso político da investigação. Já os parlamentares que apoiam outros candidatos, veem com desconfiança a ação promovida pelo governo do Estado:

“Eu vejo isso como uma forma que o governador encontrou para ajudar a prefeitura e a empresa a resolverem o problema de água na cidade de Manaus. O que não podemos aceitar é que todo o investimento feito pelo Poder Público, a empresa queira receber simplesmente sem pagar nada por isso. Eu acho que o governador nem precisaria passar por essa situação se o (ex-prefeito e candidato) Serafim Corrêa tivesse quebrado o contrato, conforme apontamos com a CPI da Água (de 2005), que era preciso quebrar o contrato por não cumprimento de metas, nós não estaríamos enfrentando esse problema hoje. Eu acho que a atitude não deve favorecer a candidatura da Vanessa. Acho que é uma atitude que vai ajudar na popularidade do governador Omar. É ele que está fazendo a ação, e não a candidata.”

Lúcia Antony, PCdoB, partidária
de Vanessa Grazziotin

“O governador está fazendo a parte dele. Essa questão da água ainda vai se repetir por muitos e muitos anos. Eu ainda vou ver durante muitas eleições, ainda rende votos. Mas é louvável o trabalho que o governador está fazendo. A água é essencial para a sobrevivência humana e o governador tem toda a capacidade para resolver o problema, basta ter uma parceria com o prefeito. Não acredito que isso vá favorecer a candidata Vanessa. O povo, as pessoas já estão muito amadurecidas, estão sabendo separar as coisas. Eu estou presenciando uma eleição bem diferente, com as pessoas já com outra visão. Elas sabem o que querem.”

Wilton Lira, PDT, corregedor da CMM

“Eu vejo que o governador Omar Aziz cumpriu uma promessa de campanha. Não interpreto de forma eleitoreira. Eu acho que ele está fazendo isso como forma de oferecer uma tarifa social para as pessoas que não têm condições de pagar pela água, que é um direito legítimo das pessoas. É um direito inalienável, assim como o direito de ter ar. Isso que o governador está fazendo, para mim, não é campanha eleitoral. Para mim é um resgate de uma promessa de campanha. Agora, é claro que algumas vertentes podem ter o entendimento, por ser no período eleitoral, que isso pode beneficiar a candidata oficial do governo, mas na minha opinião, o governador Omar Aziz não pode ser crucificado por estar cumprindo uma promessa de campanha. Não acredito que isso vá influenciar de forma definitiva na eleição.”

Luiz Alberto Carijó Gosztonyi, PDT, um dos principais opositores da CPI da Água

“Eu acho que essa medida não resolve. Qualquer que tenha sido o caráter da intenção do governador, ela está muito longe de resolver o problema. Por outro lado, ela nos coloca a questão real de que precisamos tratar a questão do Proama, que está pronto desde 2010 e que até hoje não serve à população. Foram R$ 365 milhões em jogo no serviço de água e que até hoje não vimos a resolução deste problema, mesmo tendo todos os equipamentos disponíveis. Eu penso que o governador deveria atuar de forma mais positiva perante a prefeitura para poder avançar nessa solução. Se esse for o sentido (eleitoral) nós vamos continuar com a questão da lata d’água na cabeça.”

Waldemir José, PT (partido da base governista), autor e membro da CPI da Água

“Não acho (uma ação) eleitoreira. Não acho de forma nenhuma. Somos vereadores que andamos nas periferias, nos bairros, nas comunidades e vemos que isso aí é um clamor da população. Como chegou o verão, ele (o governador) vê a solicitação nos bairros, ele se sensibilizou com isso e vai resolver, pelo menos em parte isso. Eu não vejo como eleitoreira de jeito nenhum. Não tem nem que colocar política no meio disso. Acho que é um dever do governador, já que a prefeitura não tomou uma posição.”

Glória Carrate, PSD, partidária de Omar Aziz

“Eu não tenho nenhuma dúvida. Por que o governador não fez anteriormente? O projeto está pronto há aproximadamente um ano. Então por que essa distribuição não foi feita alguns meses atrás? Por que só agora na fase da eleição? Não tenho dúvidas quanto à intenção eleitoral do projeto, de mandar abrir as torneiras. Se ele tivesse feito isso há oito meses ou há um ano, antes da campanha eleitoral, eu acharia normal. Só agora o governador Omar descobriu que o povo da zona leste não tem água para beber, não tem água para cozinhar? Só agora? Até as pedras de Manaus sabiam que isso estava acontecendo. Por que só agora? É uma pergunta que eu faço ao meu amigo e aos meus botões.”

Mário Frota, PSDB, partidário de Artur Neto

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