Agosto vocacional – Feliz Dia do Padre!

No Brasil, o Dia do Padre é comemorado anualmente em 4 de agosto. Historicamente, a figura do padre é de grande importância, pois é uma pessoa de muita influência junto à comunidade. Na Igreja Católica, o padre é comparado a um “pai” (padre), que intercede por seus filhos (fiéis) em nome de Deus e Jesus Cristo. E para que os meus leitores possam entender melhor essa data e o que significa ser padre hoje, eu transcrevo aqui, mantendo o texto original, uma conversa que tive com o Padre João Mendonça por Whatsapp, como segue.

“Sou padre João da Silva Mendonça Filho, salesiano de Dom Bosco, pertenço a Província São Domingos Sávio, com sede na cidade de Manaus. Tenho 36 anos de vida religiosa, 29 de padre. Nesses anos de vida religiosa tive a oportunidade de realizar meus estudos de Filosofia em São Paulo, Teologia em Bogotá/Colômbia, mestrado em Roma, especialização em salesianidade no Equador, sou graduado em comunicação pelo SEPAC-PUC/SP e educação sexual pela UNISAL/SP. Tenho 19 livros publicados, artigos em várias revistas especializadas em tema de vida religiosa, juventude e educação. Fui diretor de estudantes de filosofia e teologia, sou também pregador de retiros espirituais. Atualmente trabalho na sede da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), em Brasília, onde exerço a função de assessor nacional para publicações e editor da Revista Convergência.

Eu não escolhi ser padre. Aliás, nunca imaginei que seria padre! Quando iniciei minha formação catequética aos 14 anos fiquei tocado pelo testemunho das irmãs de Santa Doroteia, no bairro da Betânia em Manaus, e dos padres da Consolata, paróquia à qual eu pertencia. Ali começou o meu chamado, minha sensibilidade religiosa e aos 17 anos senti muito mais forte o chamado de Deus que mudou os rumos da minha vida. Conheci os salesianos durante um mês de agosto de 1979 e comecei a discernir minha vocação. Entrei no aspirantado salesiano com 18 anos e fiz o caminho formativo. Tenho procurado fazer a vontade de Deus. Ele me escolheu e me consagrou, eu apenas disse SIM, na certeza de que a mão do Senhor sempre esteve na minha cabeça guiando meus passos. Não foi uma escolha, foi um chamado.

O Brasil, desde os anos 60, sempre valorizou o mês de agosto como vocacional. Até os anos 80 era muito mais rico e mais celebrativo. Atualmente está sendo resgatado. A intenção era despertar nos jovens o chamado de Deus para a vida cristã e, possivelmente, a uma vocação específica na Igreja. Trata-se de um mês em que a Igreja no Brasil reza e recorda as vocações (padre, vida religiosa, família, cristãos leigos (as) e catequistas). Um tempo de grande riqueza espiritual e vocacional. Este ano o tema é CRISTO NOS SALVA E NOS ENVIA. O LEMA “QUEM ESCUTA A MINHA PALAVRA POSSUI A VIDA ETERNA” (Jo 5,24).

A vida religiosa consagrada é um grande movimento carismático. A riqueza dos carismas fundacionais (jesuítas, franciscanos (as), redentoristas, maristas, consolata, salesianos, salesianas) e milhares de outros, no Brasil somos mais de 35 mil religiosos (as), enriquecem a missão da Igreja porque cada carisma fundacional tem um olhar fixo nos sentimentos de Jesus e procura concretizar na missão a presença do Senhor, sobretudo nos mais pobres. Hoje, não podemos negar, os escândalos envolvendo padres e religiosos (as), causam uma sangria na Igreja e deixam muitos jovens perplexos. É uma pena, porém, o chamado de Deus é maior do que tudo isso e acredito que muitos jovens são tocados por Deus e querem segui-lo na vida consagrada. Há vocações ainda e poderíamos ter muito mais. Às vezes somos tímidos (as) em propor com a vida e o testemunho. Os jovens querem ver, querem tocar, querem conviver com as pessoas consagradas. Neste sentido, precisamos ser mais presença no meio das crianças, adolescentes e jovens com nossos carismas.

Estamos vivendo tempos difíceis na sociedade. A pandemia escancarou uma crise ética, moral, social, econômica, religiosa. A morte de tantas pessoas e o luto, causam grande dor, mas nós não podemos perder a esperança. Deus está nesta barca. Ele pode até dormir, mas está conosco. É preciso caminhar com os olhos fixos nEle, não olhar para trás e continuar construindo uma sociedade melhor, uma Igreja samaritana e profética. Este tempo é favorável ao surgimento de vocações ousadas, criativas e missionárias porque Deus sempre suscitou na história grandes santos e pessoas corajosas para assumirem aos desafios dos tempos. Hoje não será diferente”.

A partir desse colóquio que eu tive com o padre João Mendonça cheguei à seguinte conclusão: a melhor parte da vida de uma pessoa não está nos seus diplomas nem em suas conquistas materiais, mas em responder bem o chamado que Deus faz para cada uma, cada um de nós, seja como freira, como padre, catequista, pai ou mãe de família. O importante é não perder a fé, pois uma vida sem Deus não tem graça nenhuma. Parabéns para todos os padres de Manaus, do Brasil e do mundo pelo DIA DO PADRE, em especial para o senhor, padre João da Silva Mendonça Filho, pelos seus 29 anos de sacerdócio, de serviço junto ao povo de Deus.

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