Agosto vocacional – Feliz Dia da Família!

Os anos passam, e com eles os acontecimentos, as mudanças econômicas, sociais, políticas e ambientais, mas a única coisa que não passa – ainda bem! – é a importância da família nas múltiplas etapas que compõem a vida.

No artigo de hoje falaremos sobre família, o mais importante grupo social que existe, e para nos ajudar nesse intento, transcreverei aqui, – com o consentimento do autor, claro! – um diálogo que eu tive com o senhor Antônio Raimundo Matias de Souza sobre o assunto, como segue.

“O meu nome é Antônio Raimundo Matias de Souza, mas todos me conhecem por “Toinho da Marcenaria”. Eu sou carpinteiro de formação. Fiz o curso completo na Escola Salesiana do Trabalho em Belém, na década de 70. Hoje estou com 59 anos. Vou completar 60 anos em dezembro, se Deus quiser! Já tomei às duas dozes da vacina. Essa vacina de São Paulo, a CoronaVac.

Quem me encaminhou para essa profissão foi a minha finada mãe. Ela era uma mulher muito religiosa. Devota de Nossa Senhora de Nazaré. Um dia, ela chegou em casa, depois da missa, com um papelzinho, uma ficha de inscrição, na mão. 

– Toma. Amanhã você vai fazer a sua inscrição nessa escola. Já falei com o padre. Ele vai te esperar às 07h0 da manhã – disse-me. 

Na segunda-feira, no dia, horário e local combinado, lá estava eu. Fui, fiz a minha inscrição e só sair de lá formado em carpintaria, com diploma e tudo. O padre até me perguntou se eu não queria estudar para ser padre. Eu até queria, mas a minha mãe, uma mulher muito sábia, disse para o padre que eu era muito namorador, e então ele cortou logo o meu barato. – Ser padre é coisa séria! É para quem tem vocação – disse-me.

Aos poucos fui descobrindo que ser pai era a minha vocação. Casei-me muito jovem. Cheguei aqui em Manaus no início da década de 90, com minha esposa e dois filhos. Fui contratado para construir os móveis de um grande hotel aqui da cidade. Tudo madeira de lei, madeira de primeira, um luxo só. Infelizmente hoje não trabalho mais na empresa. Mandaram-me embora depois de trinta anos de serviço. 

Professor Luís, atualmente ficou muito complicado trabalhar com madeira. As leis ambientais são rígidas de mais para os pobres. Hoje, todo mundo trabalha com MDF. Ninguém quer pagar três mil reais numa mesa de angelim-pedra que dura uma eternidade, mas paga dois mil reais numa mesa de MDF que dura no máximo dois anos.

Tudo mudou, professor Luís! Eu sei que às mudanças fazem parte da vida e nós devemos aprender com elas. A única coisa que não muda é a família, ainda bem, não é? Aquilo que eu aprendi com a minha mãe, – o meu pai eu não conheci, ele morreu muito jovem, quando eu ainda era uma criança – eu ensino para os meus filhos. 

Hoje sou pai de sete filhos. Três homens e quatro mulheres, os cinco últimos nasceram aqui em Manaus. Todos com a minha querida e amada esposa, Raimunda Rodrigues de Souza. Eu me considero amazonense, manauara da gema. 

Mestre Luís, ultimamente as coisas não estão indo muito bem na minha família. A minha nora, a esposa do meu filho mais velho, morreu o ano passado de Covid. Deixou três filhos, duas meninas e um menino. A filha mais nova, uma adolescente, vive chorando a ausência da mãe. Levada ao médio, ao especialista, foi diagnosticada com Síndrome do Pânico. As coisas não estão nada fácil para o meu filho!

Professor Luís, eu penso que a família é o ambiente propício do amor. Não tem escola, empresa, igreja que supere o ambiente familiar. É na família que gerimos o nosso patrimônio afetivo, feito de alegrias e esperanças, mas também de algumas feridas e embaraços. A família é fruto da relação saudável entre todos. Atualmente a minha maior alegria é poder reunir todos os meus filhos e netos aqui em casa, – são treze no total –, e poder compartilhar com eles a minha experiência de vida, que é uma história de sucesso!

Como eu te respondi anteriormente, eu não trabalho mais na carpintaria, mas dois dos meus filhos trabalham no ramo. Naturalmente eles são modernos, diversificaram os negócios, trabalham com móveis pré-moldados e são bem-sucedidos, material e espiritualmente. Mas eles reconhecem a minha contribuição na formação ética e profissional deles, um reconhecimento não fundado no confronto ou na competição, mas na gratuidade e no afeto. Família é isso, um ajudando o outro quando precisa!

Mestre Luís, peço desculpas se eu não consegui responder as suas perguntas. No entanto, não tenho dúvida. A família é obra de um aprendizado espiritual permanente. Ninguém é nada na vida sem a família. Os jovens de hoje precisam aprender que o maior bem que temos nessa vida é a família. Sem família não somos nada. É importante dizer também, professor Luís, que não se constrói uma família sem diálogo, amor e respeito mútuo.

Por fim, penso que a família é a forma incondicional de hospitalidade. Assim como foi a Família de Nazaré: José e Maria. Eles acolheram o maior ser humano que já existiu entre nós: Jesus Cristo. Que a Sagrada Família abençoe as nossas famílias e todas aquelas que ainda serão constituídas. Finalizo citando uma música do padre Zezinho, música que sempre cantamos aqui em casa:

Que nenhuma família comece em qualquer de repente

Que nenhuma família termine por falta de amor

Que o casal seja um para o outro de corpo e de mente

E que nada no mundo separe um casal sonhador…”

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