Acre dá exemplo de solidariedade e esperança

Quero agradecer os cuidados recebidos no estado do Acre pelo governo e pessoas que me acolheram desde a primeira quinzena de março.

No aeroporto de Rio Branco, quando todos desembarcamos, com as malas em seus carrinhos, uma voz da ANVISA e Agentes Estaduais distribuindo panfletos sobre a pandemia afirmavam: “ temos hoje, no estado do Acre, cinco casos confirmados e nenhuma vítima. Recomendamos aos que chegam, nos informar eventuais sintomas da doença COVID-19 que surjam nos próximos 15 dias e lhes atenderemos na UPA do 2º Distrito. ”  

No voo para Cruzeiro do Sul, meu destino final, uma Agente Pública de Saúde assumiu o sistema de comunicação da aeronave, antes das orientações dos tripulantes, avisando os procedimentos de chegada e a necessidade do registro junto ao Agente Sanitário local e os cuidados quanto ao distanciamento social necessário, principalmente aos que estão circulando neste período e tornam-se mais vulneráveis à contaminação do novo Corona vírus.

No desembarque, pegaram meus dados pessoais, endereço onde ia ficar e recebi, na semana seguinte, duas ligações telefônicas em meu celular de representantes da secretaria de saúde me perguntando: como estava e se havia surgido sintomas?

Graças a Deus, o monitoramento me deu tranquilidade de enfrentar a primeira semana de confinamento, com a sensação de segurança pública medico-sanitária. Sabe, alguém está cuidando de mim, não sou apenas um número na estatística. Isso fez uma diferença!

Diferentemente, o Amazonas parece caminhar pelos maus caminhos. 

A falta de governo e a inércia da Assembleia Legislativa, onde 20 deputados apoiam, irresponsavelmente, à falta de comando no Estado federativo, revelam um quadro de desprezo ao voto e crédito que nossa população tão desassistida, ofereceu aos nossos representantes e gestores de plantão. 

Não há falta de orçamento. Há 3 bilhões de reais para financiar prioridades, que auxiliem o trabalho hercúleo dos profissionais locais – enfermeiros, motoristas de ambulância, maqueiros e médicos.

Uso deste espaço para pedir uma intervenção federal no Amazonas, que, indiferente à todas as previsões estatísticas, como ‘hub’ industrial e de circulação de pessoas e mercadorias da Região Norte que é, não foi capaz de organizar um leito provisório de campanha para o enfrentamento da pandemia em seu Sistema Único de Saúde – SUS.

Tendo uma Arena da Amazônia, ou um Centro de Convenções em excelentes condições para absorver parte das instalações hospitalares provisórias; concentrarmos guarnições militares do Comando da Amazônia; termos um distrito industrial com grandes empresas multinacionais, carecemos de líderes … temos políticos que se apresentam incapazes de articular, incapazes de pensar um programa de enfrentamento mínimo, de cuidado mínimo das populações que os elegeram.

Busquei nas palavras de um grande e saudoso brasileiro – Chico Xavier (1910-2002) -, um nosso desejo incontido: “ Se eu fosse alguém…”. “Se eu tivesse influência. Se eu pudesse realizar alguma coisa, em benefício da comunidade. E se eu tivesse a menor autoridade para fazer isto, eu apenas repetiria para mim mesmo e para todos os nossos irmãos em humanidade, de todas as terras e de todos os idiomas, aquelas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo – Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei! Porque amor é esquecimento de si mesmo, porque amor nada é pedido para si”. 

E continua Chico:  “o amai-vos uns aos outros” foi superado pelo “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”; amar alguém ou alguma coisa sem pedir nada, sem esperar o pagamento, nem mesmo da compreensão da inteligência do próximo. Então é trabalhar por uma humanidade mais feliz, por um mundo melhor, pela extinção das guerras e pelo incentivo do progresso em bases morais convenientes, para que nós todos estejamos no melhor lugar possível.   

Enquanto escrevo, ainda aguardo um voo que saia de Rio Branco para Manaus, depois de quatro cancelamentos. Agradecido pela solidariedade dos irmãos William e Lívian, que esperam Beatriz, e me abrigam em seu lar, até a próxima janela de saída do Acre, num itinerário que segue à Brasília, Guarulhos e finalmente, minha casa em Manaus. 

Minha gratidão ao Governador Gladson de Lima Cameli. Fui muito bem cuidado na passagem pelo Acre.

*Daniel Borges Nava é geólogo, analista ambiental e professor doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia

Fonte: Daniel Nava

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