4 de dezembro de 2021

‘Acordo depende do Mercosul’

Representante da comissão europeia avalia a necessidade de mais iniciativa local

O vice-presidente da Comissão Europeia, Antonio Tajani, afirmou que o sucesso das negociações para a criação de uma área de livre comércio “depende mais do Mercosul” do que dos europeus. “Para nós, é ótimo um acordo com Mercosul. Mas ainda não há uma proposta final, estão trabalhando. Depende mais de Mercosul do que de nós”, disse em entrevista em Brasília durante visita oficial ao país.
A afirmação foi feita após Tajani ser questionado sobre a possibilidade da União Europeia avançar num acordo de livre comércio específico com o Brasil diante das notícias de que a Argentina vem dificultando a formação de uma proposta única do Mercosul.
“É um problema do Mercosul, não nosso”, afirmou. “Não podemos mudar as regras. Agora estamos falando com o Mercosul. Vamos adiante ver o que faz o Mercosul”, completou.
O governo brasileiro aprovou na semana passada sua oferta à União Europeia. Ela agora será levada aos demais países do Mercosul para a formação de uma lista em comum. Enviar propostas separadas aos europeus é um cenário já admitido pelo governo caso não seja possível formatar uma oferta única.
Já se sabe que ao menos a Venezuela ficará de fora da rodada inicial de negociações. O prazo estabelecido para o envio da oferta termina em dezembro.
Tajani afirmou que a União Europeia tem disposição para levar o acordo adiante e lembrou que o bloco negocia hoje acordos comerciais de livre comércio com diversos países, como Estados Unidos, Japão, Canadá, Colômbia e Peru.
Segundo ele, enquanto não há uma definição sobre o acordo comercial, “há muitas coisas para fazer com o Brasil”, como acordos no setor industrial, de educação e de investimentos no país.

Padronização

Tajani veio ao país para reuniões preparatórias à Cúpula Brasil-União Europeia, que será realizada em fevereiro em Bruxelas. Ele afirmou que a prioridade é fechar no encontro “um acordo de padronização”, para uniformizar especificações técnicas da indústria em diversos segmentos.
“Para fazer negócios é muito importante trabalhar por padrões parecidos. Há uma decisão política de fazer mais em favor da padronização. São regras técnicas pequenas muito particulares, mas importantes. Coisas no setor de veículos, eletrônicos, energético, ferroviário”, disse Tajani.
Segundo ele, ficou acertado que um grupo de técnicos europeus e brasileiros começará a trabalhar nas bases do acordo em breve.
Tajani destacou que é possível avançar ainda em acordos empresariais, na área de educação, com o programa Erasmus para jovens empreendedores, e para a compra de matérias primas.
O executivo reuniu-se com os ministros Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Aloizio Mercadante (Educação), Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) e com representantes da CNI (Confederação Nacional da Indústria) e com o presidente da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), Bernardo Figueiredo.

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