Acesso parcial é caminho facilitado

A ideia de consumo colaborativo ou compartilhado (trocar, emprestar e alugar produtos e adquirir produtos usados) não é nova. Em 2015 uma pesquisa de mercado* revelava que um em cada cinco brasileiros já havia lido ou ouvido falar no tema. No Amazonas a ideia ainda engatinha, sendo mais aplicado no setor de serviços. Na internet os exemplos são os mais variados, sendo as páginas e apps de compartilhamento de informações e vendas de semi-novos, os mais visíveis, passando por sites de interessados em alugar um cômodo da residência. A ideia é não ter posse ou propriedade, apenas o acesso a bens e serviços.
E como sempre, boas e novas ideias podem virar bons negócios. É o caso da página Balcão Colaborativo, um projeto aberto da Press Comunicação, das jornalistas Betsy Bell e Loredana Kotinski. “Nossa ideia é de que o conceito de ‘Economia Colaborativa’ molde, a partir de julho, os negócios da Press. O perfil da empresa vai mudar, vamos trabalhar de maneira compartilhada, com maior destaque para criatividade, sustentabilidade e inovação. Daí, com essa nova forma de trabalhar, a Press Comunicação se renova lançando, de imediato, duas ações: o canal de comunicação no conceito ‘sharing’ (compartilhar) para vender, trocar e/ou alugar objetos seminovos que é o Balcão Colaborativo”, disse Betsy.
No canal de comunicação, os interessados podem anunciar gratuitamente objetos que queiram vender, alugar ou trocar. “A ideia não é descartar o que você não usa, mas repassar de alguma forma esses objetos ou mesmo serviços. É uma forma de reforçar o consumo consciente e colaborativo”, ressalta a jornalista. Em usa segunda ação vindoura, a ‘nova’ empresa aposta no apelo a sustentabilidade, apoiada na tecnologia.
“Tem um carro parado em casa? Alugue horários para usá-lo. Tem um livro do filho do ano passado? Troque por um deste ano. Há algum produto usado com energia parada em casa? Venda por algum valor que acha justo. E, assim, a tecnologia ainda ajuda nessa ‘Economia Colaborativa’ e as pessoas passam a sentir a ideia por elas mesmas”, conclui Betsy.

Apps de compartilhamento

Com a proposta de desenvolver aplicativos e soluções que facilitem a vida do cidadão amazonense na resolução de demandas cotidianas, a Prodam (Empresa de Processamento de Dados Amazonas S.A) lançou em março o App Procon AM, que ajuda o consumidor amazonense a consultar os preços dos combustíveis e a encontrar o posto mais próximo e que apresenta o menor preço dos combustíveis, conta o diretor-presidente da empresa, Márcio Silva de Lira.
“Nosso objetivo atual é trabalhar com o conceito de “governo na palma da mão” cuja proposta é usar a tecnologia de forma estratégica diminuindo barreiras geográficas, de tempo e até de comunicação”, afirma Lira. Nesse sentido a Prodam tem vários cases que demonstram o sucesso das soluções tecnológicas. “Temos ainda o app ‘Saúde Amazonas’, lançado recentemente, que traz informações sobre as unidades de saúde mais próximas à residência do cidadão”, comenta.
Sobre os aplicativos colaborativos, o diretor-presidente completa: “A exemplo do que é o Waze (um dos maiores aplicativos de trânsito e navegação do mundo), a Prodam não descarta que no futuro possa desenvolver sites e aplicativos que contem com a participação e cooperação dos usuários. Afinal, a cada dia as pessoas estão mais conectadas e é imperativo aproveitar essas múltiplas conexões para aproximar os cidadãos dos serviços e benefícios do governo”, conclui.

Plataformas de lançamento

As artes também são contempladas com sites de compartilhamento. Para bandas muitas vezes as plataformas de compartilhamento são as melhores ferramentas para divulgação de trabalhos que dificilmente encontrariam espaço nas lojas físicas, sendo que muitas dessas já aboliram a sessão de CDs há tempos. O maior alcance de plataformas de distribuição também é lembrado como um fator de grande impacto disse Diego Yamane, da banda Antiga Roll, que tem material disponibilizado em algumas destas ferramentas.
“Vejo estas plataformas como uma possibilidade de consumir músicas, como foram outras no passado. Talvez não sejam tão boas para quem aprecia a arte completa de capas e encartes, fotos e demais trabalhos gráficos, mas tem suas comodidades, como não ocupar espaço e alcançar um público maior que não compra discos físicos ou não vai a shows”, disse Yamane que afirma consumir música de plataformas como Spotify, Deezer, Bandcamp e YouTube.

Compras

Mais um produto inovador amazonense, o aplicativo E-Mercado tem como propósito orientar os usuários na busca de bons supermercados com preços também bons. Criado em setembro passado, o app tem em sua mais recente atualização funções capazes de auxiliar ainda mais o comprador, com cálculo de valores antes de passar pelo caixa e tempo de chegada ao local com os melhores preços.
Segundo o CEO da empresa, Flávio Montenegro Filho, o objetivo é ouvir os clientes e otimizar cada vez mais a experiência. “Começamos a elaborar o projeto para uma solução de gastos. Com a crise, surgiu uma demanda grande para economizar e, como todo mundo precisa fazer compras no supermercado, percebemos que era um bom momento. Estamos sempre tentando ouvir e entender da melhor maneira a dor do usuário, recebendo feedback dos emails, resenhas da Google Play, etc. Isso tem sido útil para nortear nossas estratégias”, afirmou o empresário por meio de assessoria.

Imóveis

A internet também facilita para quem busca dividir um espaço para morar. Em uma rápida visita ao Mitula (imoveis.mitula.com.br) a reportagem encontrou 53 apartamentos para dividir em Manaus. Para espaços menores, existe o EasyQuarto (www.easyquarto.com.br). Na página, ao simular a procura por um cômodo com aluguel mínimo de R$ 150, encontramos apenas três opções. As ofertas aumentam quando elevamos o valor pretendido.

Compartilhando tempo e dedicação

Feito de forma voluntária e sem fins lucrativos, o Pedala Manaus (www.pedalamanaus.org) é coordenado por 14 pessoas de diversas formações e competências, são advogados, engenheiros, administradores, funcionários públicos, professores, etc. Além da coordenação, o grupo conta com aproximadamente 35 voluntários, explica o coordenador Paulo Aguiar. “Nenhuma destas quase 50 pessoas vive do Pedala Manaus. Todos têm seu trabalho e dedicam um pouco do seu tempo ao grupo e causa social. Quando surge uma demanda, tipo a Escola Bike Anjo (que entre outras ações, ensina adultos a pedalar), procuramos atendê-la dentro da disponibilidade de tempo e conhecimento de cada um”, afirma Aguiar.
Uma das ações do Pedala foi criada em 2014: a Estação de Reparos Rápidos no Parque Ponte dos Bilhares. A estação de reparos rápidos possui um conjunto de chaves allen, uma bomba de ar e várias outras ferramentas necessárias a ajustes rápidos, dotado, ainda, de um local para pendurar a bicicleta pelo selim. A estrutura é ideal para calibrar pneus, apertar parafusos, ajustar o banco, entre outros, ajudando na rotina do ciclista que não dispõe das ferramentas no bolso.
A doação de tempo e o compartilhamento de informações são facilitados pela internet, seja pelo site ou redes sociais. “Usamos fortemente os aplicativos de mensagem instantânea, tipo Telegram ou WhatsApp para comunicação interna e mantemos páginas no Facebook, Twitter e Instagram para interação com as pessoas. Também temos reuniões mensais presenciais de alinhamento e atualizações sobre as demandas. Um outro canal de comunicação, são os fóruns, seminários e congressos que o Pedala Manaus participa. Através desses encontros também conseguimos divulgar nossas idéias e projetos”, conclui Aguiar.

O que é economia compartilhada?

Segundo a especialista Rachel Botsman, a economia compartilhada contempla três possíveis tipos de sistemas:
Mercados de redistribuição: ocorre quando um item usado passa de um local onde ele não é mais necessário para onde ele é. Baseia-se no princípio do “reduza, reuse, recicle, repare e redistribua”.
Lifestyles colaborativos: baseia-se no compartilhamento de recursos, tais como dinheiro, habilidades e tempo.
Sistemas de produtos e serviços: ocorre quando o consumidor paga pelo benefício do produto e não pelo produto em si. Tem como base o princípio de que aquilo que precisamos não é um CD e sim a música que toca nele, o que precisamos é um buraco na parede e não uma furadeira, e se aplica a praticamente qualquer bem. (Fonte: TroposLab)
*Segundo o estudo “O Consumo Colaborativo e o Consumidor Brasileiro” da Market Analysis, do total de familiarizados com o conceito, mais de um terço (36%) praticaram alguma forma de consumo colaborativo nos últimos 12 meses, o que totaliza uma incidência líquida de 7% entre a população geral. A troca ou venda de produtos usados é a prática mais comum (73%), seguida de longe pelo aluguel ou empréstimo de bens (15%), aluguel de carro ou carona (13%), contratação coletiva de serviços (12%) e engajamento em hospedagem solidária ou paga (8%).

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