Acesso das MPEs ao crédito melhora, segundo o Sebrae

A parcela de micro e pequenos empresários amazonenses que dizem que foram atrás de crédito desde o começo da crise da covid-19 para garantir a sobrevivência dos negócios cresceu de 50% para 53%, em um mês. O percentual de empreendedores que tiveram seus pedidos negados, contudo, caiu de 65% para 47%. Ao mesmo tempo, 14% dos solicitantes tiveram sucesso e outros 38% ainda aguardam resposta dos bancos – contra 4% e 31% no mês anterior, respectivamente.

Em sintonia, o endividamento voltou a ter menor extensão. Em torno de 43% dos pequenos empreendedores amazonenses estão com as contas atrasadas – contra os 45% de um mês antes. A proporção de empreendedores adimplentes foi na direção contrária e registrou acréscimo, de 24% para 32%. Em contraste, a minoria que afirma não possuir qualquer tipo de pendência financeira caiu de 31% para 25%.

Os dados foram extraídos da sexta e mais recente pesquisa do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas) sobre o impacto da pandemia nas MPEs (micro e pequenas empresas). Realizada entre 27 e 30 de julho, a sondagem ouviu representantes de 6.506 micro e pequenas empresas em todo o país, assim como microempreendedores individuais. 

Dos 86 entrevistados no Amazonas, 51% são MEIs, 42% são microempresas e 7% são empresas de pequeno porte (7%), sendo distribuídos em serviços (52%), comércio (46%) e indústria (2%). Em termo de tempo de mercado, 28% dos empreendedores locais têm entre um e dois anos operações, seguidas por aqueles que já contam com cinco a dez anos de atividade (21%). A maioria (42%) faturava até R$ 6.000 mensais, nos dias pré-pandemia e tinha seu negócio em loja ou sala de rua (33%). 

Parceria e orientação

Pela primeira vez desde o começo da realização da pesquisa, a Caixa Econômica Federal – tradicional parceiro do Sebrae – foi a primeira opção para quem buscou financiamentos para sobreviver ao fechamento compulsório do mercado no Amazonas, respondendo por 49,9% da procura local – e bem acima dos 35,5% anteriores. Vale notar que 52% dos entrevistados nem procuraram orientação do Sebrae, 39% entraram em contato com a instituição, mas não foram direcionados ao banco público e apenas 9% passaram por ambos. No mês anterior, os respectivos percentuais foram 66%, 25% e 9%.

A concessão ficou mais pulverizada. Mas, assim como no mês anterior, um percentual significativo de 24% dos entrevistados recorreu a outros canais de crédito não informados na sondagem. Bradesco (33%) e Itaú (22%) tiveram maior demanda do que o Banco do Brasil (15%). Na sequência, vieram o Santander (12%), Sicoob, Banco do Povo (ambos com 7%) e Sicredi (5%). As concessões se concentraram no Bradesco (45%), Caixa Econômica (42%), Itaú (32%) e outro (13%). 

Score baixo 

Os motivos mais frequentes para a recusa do banco foram score baixo (23%), falta de garantias e avalistas (14%), negativação ou restrição do CPF do candidato ao empréstimo (12%), pouco tempo de funcionamento da empresa (7%), ou porque a taxa de juros era muito elevada para a capacidade de pagamento da empresa (4%). Em torno de 8% apontaram outros motivos não mencionados, 15% alegaram não terem sido informados pelo banco, e 18% não souberam responder.

Entre os proprietários amazonenses de micro e pequenos negócios que evitaram os bancos, por outro lado, 22% fizeram isso pelo medo de poder pagar. Pesou também a consideração de que “a economia está fraca” ou a percepção de que a empresa não precisava do recurso (ambos com 12%). A aversão a empréstimos (10%) e a desconfiança em relação à política econômica (6%) vieram na sequência. A maioria (39%), no entanto, apontou outras razões não mencionadas. No mês anterior, os números foram 21%, 39%, 16%, 2%, 9% e 12%, na ordem.

“Bom sinal”

O coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, reforçou o que já havia dito ao Jornal do Commercio no depoimento anterior, quando havia apontado que o cenário estava começando a melhorar, com a expectativa de uma nova liberação do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), já que seus recursos haviam se esgotado pela maior busca pelo empreendedor, em razão de seu custo menor. O dirigente avaliou também que, pela momentânea falta de opção, a linha de crédito Sebrae/Caixa tenderia a registrar demanda maior. 

“O cenário começa a melhorar e a economia dá sinais de retomada. Um número bem maior de empresas conseguiu ter acesso ao credito, embora outras foram impedidas por alguns critérios não atendidos. Houve também uma pequena redução no índice de endividamento. Embora baixo, não deixa de ser um bom sinal. Mas, grande parte das empresas poderia estar enfrentando toda essa crise com menos dificuldades, se tivessem uma boa gestão de seus empreendimentos. Temos um longo caminho para orienta-las”, encerrou.

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