Academias buscam reinvenção nas plataformas

Escaldado pelos impactos econômicos da primeira onda de covid-19, o segmento de academias fitness é um dos mais atingidos pelo novo lockdown estadual. Dependentes do fluxo presencial da clientela, as empresas sofreram decréscimos de dois dígitos em 2020 e tiveram de se adaptar ao ‘novo normal’. Diante das novas restrições impostas pela segunda onda, algumas recorrem à aulas online, para estancar a sangria dos negócios. Outras aguardam que as vacinações e o refluxo da pandemia permitam um retorno às atividades. 

Proprietário de uma academia de fitness que leva seu nome e já conta com oito anos de atuação, e também ex-candidato a vereador pelo PSB, o personal trainer Marcelo Belota conta que fechou 2020 com queda de 60% no volume de negócios, em virtude dos três meses de portas fechadas, na primeira onda, e do retorno tímido que se seguiu, no período de flexibilização econômica. 

“Tive de vender um carro para pagar as dívidas e não fechar as portas de vez. Todos os recursos que tinha guardado foram embora. Está sendo difícil, com essa pandemia e os fechamentos. Esse é um ramo econômico que rende pouco, além de ter custos elevados com aluguel e pessoal. Tive muitos alunos que pediram o pagamento da mensalidade de volta, quando a academia teve de fechar provisoriamente, na primeira onda”, lamentou.

Até o final de março do ano passado, a academia ainda tinha três funcionários em seus quadros. O personal trainer comemora o fato de não ter tido de recorrer a demissões, já que os colaboradores perceberam as dificuldades da empresa e pediram para sair primeiro. “Quando veio a flexibilização, cheguei a contratar uma pessoa, que está comigo até agora. Com esse novo lockdown, não sei o que vai ser. A maior parte do serviço já está sendo tocado por minha família e, agora, a coisa ficou mais difícil, porque minha mulher perdeu o emprego”, desabafou. 

Criador do programa Manaus + Saudável (que incluiu competição e exercícios), Belota diz que só está conseguindo se manter em tempos de portas fechadas porque recorreu à tecnologia e mídias sociais para instruir e acompanhar seus alunos em treinamentos e aulas online. “Graças a Deus que deu para implementar essa modalidade de trabalho. Caso contrário, estaríamos passando fome. Infelizmente, o rendimento é menor e equivale a algo como metade do que ganharia nos treinamentos presenciais. Mas, nos possibilitou continuar trabalhando”, ponderou. 

Investimento comprometido

Já a proprietária da Amazônia Fit, Patricia Areb, conta que sua empresa é mais nova no segmento, tendo começado suas atividades em dezembro 2018, mas não deixou de sofrer impactos significativos pelo primeiro lockdown e, agora, amarga um novo período de dificuldades, em função das renovações dos decretos nº 43.269 e nº 43.282. O quadro é agravado pelo fato de os negócios não contarem com a válvula de escape pelo online, em tempos de quarentena.

Indagada sobre o balanço de 2020, a empresária revela que o fluxo de caixa encolheu 50%, em relação a 2019. Uma medida das perdas vem do quadro funcional, que começou o ano com 13 funcionários e terminou com sete. De acordo com a proprietária da Amazônia Fit, as coisas melhoraram com a flexibilização econômica, a ponto de a empresa investir em uma segunda unidade, em dezembro de 2020. Mas as restrições que vieram no rastro da segunda onda comprometeram o retorno..

“No primeiro impacto, vendemos equipamentos e alugamos, para cumprir nossas obrigações com funcionários e fornecedores, além do banco. Procuro pensar que tudo vai melhorar, mas precisamos de incentivo e de apoio do poder público para continuar ajudando no desenvolvimento econômico e na saúde de nosso Estado. Vamos ficar em lockdown até final do mês, devido à vacina ter sido liberada”, desabafou.

Medidas compensatórias

No entendimento de Marcelo Belota, o Estado deveria fazer algo mais pelo segmento, além de conceder financiamentos a juros mais baixos. “O que o governo do Amazonas está tentando fazer agora, é empurrar um empréstimo que o empresário não vai ter condições de pagar. Seria bom se o Estado tivesse alguma outra opção nesse sentido, que não gerasse ônus às empresas. O segmento pode não ser essencial, mas tem seu valor”, argumentou.

Na mesma linha, Patrícia Areb concorda que o Executivo estadual deveria ter uma ação mais decisiva e ampla, a exemplo do que foi feito em nível federal, no ano passado. “Teve auxílio emergencial para pessoas físicas, e crédito para pessoas jurídicas, que mantêm empregos, assim como pagam impostos, aluguel, folha de pagamento, água e luz altos. Uma medida que poderia ser concedida inicialmente seria a concessão de capital de, no mínimo, R$ 30 mil a  R$ 50 mil por empresa. Isso daria oxigênio ao pequeno empresário”, finalizou.

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