ACA completa 150 anos de luta pelo comércio do Amazonas

A ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas) completa, nesta sexta (18), 150 anos de lutas em favor do setor. Fundada ainda no Ciclo da Borracha, atravessou as transformações deste século e meio de história, muitas vezes protagonizando episódios importantes para a economia do Estado, além de ter tido papel decisivo na criação da ZFM (Zona Franca de Manaus). Ao engrossar  coro pela vacina e pelas medidas de distanciamento social, a entidade se prepara também para as batalhas dos próximos anos e aponta que uma delas é a efetiva revitalização da rodovia BR-319 (Manaus – Porto Velho).

Texto postado no site da ACA aponta que “os desafios da globalização da economia e do mercado conduzem à busca de novos caminhos que exigem a coesão das forças do empresariado em ações coordenadas e direcionadas a um objetivo comum”. Nesse cenário, a defesa da ZFM, “a expansão do comércio internacional” surge como meta permanente, assim como “o aproveitamento dos recursos biogenéticos e o turismo em todos os segmentos”. 

A entidade foi criada na esteira da abertura dos portos do Amazonas às nações amigas, em 18 de junho de 1871. O objetivo era “promover por todos os meios ao seu alcance, o desenvolvimento das classes empresariais, a sustentação e defesa de seus legítimos direitos e interesses”, conforme assinala o artigo 1º do Estatuto de 1871. Conta com representações em conselhos e órgãos públicos, sendo reconhecida primeiramente como “órgão de utilidade pública” do governo federal (1917) e, posteriormente, como “órgão técnico consultivo”, pelos governos federal (1943), estadual (1982) e municipal (2001).

“Entidade aguerrida”

O presidente da Assembleia Geral da ACA, Ataliba David Antonio Filho, salienta que a gênese da associação ocorreu em um século de “grandes realizações”, como a navegação a vapor – que fomentou o comércio na região – e a descoberta da vulcanização do látex, por Charles GoodYear – que passou a fazer parte da cadeia produtiva automobilística e abrir um mercado global para a então província do Amazonas.

“A primeira diretoria tinha como presidente João Coelho de Miranda Leão, Augusto Alves como secretário, Joaquim Pinto de França como tesoureiro. As primeiras reuniões foram na casa do comerciante José Teixeira de Souza, dono do Armazém Teixeira. Até a localização da sede própria, que ficava na esquina da rua das Flores [hoje Guilherme Moreira] com a travessa da Glória [atual Quintino Bocaiúva]. Em seus primeiros anos, abrigou a sede da Jucea [Junta Comercial do Amazonas], que foi fundada dentro da ACA”, relatou.

Segundo o dirigente, os primeiros pleitos envolveram o Banco do Brasil e um trapiche (o roadway), sendo que a ACA foi bastante atuante na região tendo enfrentado, juntamente com a região, as dificuldades impostas pelo ocaso do Ciclo da Borracha, a esperança reacendida pela breve tentativa de reativar a monocultura nos anos da Segunda Guerra, e os anos seguintes como ‘porto de lenha’. Até que o projeto proposto dez anos ante pelo deputado amazonense Francisco Pereira da Silva fincasse raízes na criação da ZFM, por meio do decreto 288/1967.

“O setor se notabilizou nos primeiros anos como referência de um comércio importador, referência para todo o Brasil, mudando seu perfil de comércio aviador para comércio de vendas à vista. A linha do tempo nas diferentes gestões mostrou que a ACA nunca perdeu o foco pela qual foi criada e isso, com certeza, vai perdurar pelos próximos anos que hão de vir. Uma entidade aguerrida e defensora dos interesses do empresariado e da economia local, consultora dos entes federal, estadual e municipal, e sempre mantendo os laços institucionais com as demais entidades”, afiançou.

Transformações e desafios

O presidente da ACA, Jorge de Souza Lima, assinala que já é o 57º presidente da entidade, em uma trajetória de muitas transformações e desafios. “Ela foi criada para atender os anseios econômicos da classe empresarial, no auge do Ciclo da Borracha, 15 anos antes da construção do Teatro Amazonas. De lá para cá, a entidade vem com um papel muito importante para a economia do Estado, começando por J.G. de Araújo, que um grande empresário de embarcações e borracha, passando por I.B. Sabbá, que fundou a refinaria de petróleo de Manaus”, lembrou. 

Segundo o dirigente, a ACA surgiu como um órgão consultivo, “por lei”, dos governos municipal, estadual e federal, e acabou sendo a “mãe de todas as entidades empresariais” do Amazonas, a exemplo da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), a FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), entre outras.

Jorge Lima assinala que a entidade completa 150 anos no mesmo intuito de defender o comércio “de forma global” e lembra que, quando foi fundada, as únicas indústrias que existiam era as de borracha e juta. O presidente da ACA acrescenta ainda que quase todos os donos dessas empresas passaram pela presidência da casa.  “Um dos legados da ACA é que a própria ideia da Zona Franca de Manaus partiu dela. Nos últimos tempos, a entidade teve um papel muito importante na consolidação da ZFM, junto com a Suframa. Assumi a entidade em uma época muito difícil, por conta da pandemia. Nunca um presidente assumiu através de uma tela de computador, mas a minha posse foi assim”, recordou. 

Indagado sobre as lutas no período que se aguarda como o da pós-pandemia, Jorge Lima diz que muita coisa mudou no comércio e aponta que a expectativa imediata da entidade é que o processo de vacinação se consolide, mas salienta que o uso da máscara continuará a ser recomendado no cenário de curto e médio prazos. 

“Daqui para a frente, a perspectiva é de uma interrogação para o comércio. Muita coisa vai mudar e a ACA aguarda a evolução da economia para ver como é que fica, para poder traçar metas. Esperamos que, no próximo mês, possamos conversar melhor com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Uma de nossas brigas será a BR-319, cuja manutenção ainda é um calo no nosso sapato”, finalizou.   

Foto/Destaque: Divulgação

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