2 de dezembro de 2021

Abrasel propõe fim das restrições para retomada total dos trabalhos

O segmento de alimentação fora do lar solicita ao governo do Estado um novo decreto governamental sem restrições para que as atividades do setor retomem em sua totalidade. De acordo com a Abrasel no Amazonas,  o segmento permanece em contínua retração, após longo período de atividades suspensas. Desde a flexibilidade nos trabalhos, em razão da pandemia, a receita mantém-se comprometida entre 20% a 50%. Uma outra realidade é que o nível de endividamento dos empreendimentos que atuam nesse mercado chega a 150% da sua capacidade. 

Um outro panorama evidencia que vários empreendimentos fecharam em definitivo refletindo em perdas no número de postos de trabalho. Os números de contratações ainda tímidas, principalmente em regime CLT,  traz o reflexo da instabilidade  no setor.

Quem descreve o cenário é o  presidente da entidade no Amazonas, Fábio Cunha. Ele afirma que o setor não reage e os números só crescem,. “Estamos meio abertos e por inteiro quebrados. Já extrapolamos a nossa capacidade de endividamento há muito tempo”. 

O dirigente afirma que o setor tem cumprido os decretos governamentais na promessa de quando melhorassem os números da pandemia e estivessem positivos teria o horário ampliado e sem restrições. “Acreditamos que esse momento é agora. Precisamos retomar e operar plenamente, pois na forma atual o sacrifício ainda é muito grande”, diz Cunha, ressaltando que está mais do que comprovado que o segmento não é responsável pela  disseminação da Covid 19. 

Os estabelecimentos estão funcionando desde fevereiro e os índices da doença no Estado seguem tendência de queda, conforme o boletim diário da FVS-AM (Fundação de Vigilância e Saúde). “Atendemos sob protocolo de retomada investimos alto em proteção  e na verdade ajudamos a não disseminar o vírus pois atendemos a demanda de vários setores que há necessidade de se alimentar de forma segura fato que não ocorreu ano passado, com as campanhas políticas, com as festas clandestinas sem o menor comprometimento com a saúde”. 

O presidente da entidade teme porque muitos empresários não têm mais recursos e estão ‘quebrados’. Ele relata que milhares de empresários decretaram falência e muitos estão se preparando para fechar as portas, por isso a necessidade de voltar a trabalhar dentro da normalidade para que o ambiente de negócio seja justo e o emprego com carteira assinada volte a prosperar. Por isso eu faço um apelo aos órgãos de controle para que se sensibilizem com a nossa causa e nos ajude na retomada das nossas atividades sem mais restrções”.

O endividamento dos estabelecimentos  somados a falta de recursos para se manterem refletem na pesquisa da série Covid-19, realizada pela ANR (Associação Nacional de Restaurantes), em parceria com a consultoria Galunion, especializada no mercado food service, e com o IFB ( Instituto Foodservice Brasil) sugerindo um alto nível de endividamento das empresas do setor na pandemia: 71% dos bares e restaurantes afirmam ter dívidas. Desse total, 79% devem para bancos, 54% estão com impostos em atraso e 37% têm débitos com fornecedores. A pesquisa, feita entre 9 de abril e 5 de maio, contou com 650 empresas de diversos perfis – de redes a independentes – de todos os estados brasileiros.

Pesquisa

Dos empreendimentos ouvidos, 29,2% têm dívidas totais que representam de 1 a 3 meses de faturamento mensal médio de 2020. Mas a maioria está em pior situação: 28,1% afirmam que o endividamento representa de 4 a 6 meses da receita, e 15% que sobe para 7 a 12 meses. 19,4% do total têm dívidas que representam mais de um ano de faturamento e apenas 8,3% dizem que o total é menor que um mês da receita.

Outro dado alarmante para o setor é a quantidade de bares, restaurantes e similares que afirmaram não ter mais recursos para funcionar em casos de novas restrições ou lockdown: 66% afirmam que o capital de giro não dura mais de 30 dias. A pesquisa também apontou que desde o início da pandemia 64% promoveram demissões. Na média, 21% dos colaboradores foram desligados.

A pesquisa quis saber também como foi o faturamento do mês de março de 2021 em comparação com o mesmo mês em 2019, quando ainda não havia pandemia. 40% tiveram queda acima de 51% e outros 22% apontaram que houve diminuição de faturamento entre 26% e 50%.

O horário limitado de funcionamento e as restrições de vagas para clientes foram apontados por 41% como a principal dificuldade para o crescimento. 28% citaram a falta de confiança dos clientes para voltar a frequentar bares e restaurantes na pandemia como o maior obstáculo na retomada.

“A pesquisa mostra com muita clareza que o setor chegou ao seu limite. Quem sobreviveu, em sua imensa maioria, está muito endividado. Nós, da ANR, estamos empenhados em todas as esferas para que não haja mais retrocessos, fechamentos ou lockdown. Entendemos as questões sanitárias e respeitamos todos os protocolos. É fundamental que as autoridades se sensibilizem, que sejam criadas novas linhas de crédito específicas para o setor, como fizeram muitos países. Só assim conseguiremos amenizar a situação, evitar novos fechamentos e demissões”, afirma Fernando Blower, diretor executivo da ANR .

Para Ely Mizrahi, presidente do IFB ( Instituto Foodservice Brasil), a pesquisa evidencia a dimensão do impacto da pandemia sobre a cadeia de valor do Foodservice. “Os desafios destacados pela pesquisa refletem na dinâmica de todos os elos da cadeia e demandam senso de urgência nas ações de apoio ao setor, especialmente aos pequenos operadores. O momento é de dificuldade e incerteza principalmente em relação ao apoio governamental, visto em outros países como fundamental para a recuperação desta indústria”, disse.

Por dentro

O decreto mais recente determina que restaurantes funcionem de 6h até às 23h com ocupação máxima de 50%; bares devem funcionar apenas como restaurante de 6h às 23h com ocupação de 50%. 

Foto/Destaque: Divulgação

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