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 Abrahim Baze: Trajetória da Aurora Luzitana

Na sexta-feira, 24, o escritor Abrahim Baze irá lançar mais um livro, desta feita, ‘Aurora Luzitana – a semente maçônica portuguesa no Amazonas’. O evento acontecerá no Palácio Maçônico do Amazonas (av. Prof. Nilton Lins, 1655 – Parque das Laranjeiras), a partir das 17h.

“A maçonaria tem mais de 150 anos em Manaus. A primeira loja maçônica é a Grande Benemérita Loja Simbólica Esperança e Porvir Nº 1, fundada em 6 de outubro de 1872. A maçonaria existe no Brasil desde a época do império e chegou ao Brasil, em 1797, com a loja Cavaleiros da Luz, na Bahia. Depois, outras lojas foram criadas no Rio de Janeiro”, falou Abrahim.

“A Aurora Luzitana é portuguesa. Só existe essa, em Manaus, fundada por portugueses no dia 20 de junho de 1897 com um jantar na rua Izabel, 203, residência do português Abel Nunes Thompson de Quadros, que teve a iniciativa de criar a loja junto com 16 outros compatriotas”, completou.

Ainda, de acordo com Abrahim Baze, existem mais de 40 lojas maçônicas em todo o Estado do Amazonas, todas subordinadas à Glomam (Grande Loja Maçônica do Amazonas) e congregando-se entre si.

Ao longo de mais de 400 páginas, num trabalho inédito, o escritor conta a trajetória da Aurora Luzitana, conforme prefaciou no livro, Aristóteles Comte de Alencar Filho, presidente da Academia Amazonense de Letras.

“Fruto de um primoroso trabalho de pesquisa (…), a obra documental possuindo rica e rara iconografia, torna-se indispensável para as mais diversas bibliotecas (…). A maçonaria amazonense ganha esse registro de grande importância para a sua história. Revela, também, de modo impecável, a importância dos irmãos portugueses nesse segmento da comunidade amazonense”.

Nos prefácios

Também no prefácio, Robério dos Santos Pereira Braga afirmou que, “o autor – conhecido e reconhecido escritor amazonense, membro operoso da Academia Amazonense de Letras, do Igha (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) e da Academia Amazônica Maçônica de Letras –, tem contribuído com inúmeras pesquisas sobre a instituição maçônica, sempre com alta qualidade e sentido de pesquisa histórica”.

O grão-mestre Marcelo Barbosa Peixoto, em seu prefácio, lembrou que, “no século 19, um grupo de maçons portugueses, conhecidos como ‘Lusitanos’, desembarcou na vasta e misteriosa floresta tropical do Amazonas, trazendo consigo os princípios da maçonaria (…). Esses maçons lusitanos estabeleceram lojas maçônicas e começaram a difundir os ideais maçônicos na região. Sua influência não se limitou apenas aos rituais e cerimônias maçônicas, mas também se estendeu à educação, à cultura e ao desenvolvimento social do Amazonas. Eles ajudaram a fundar escolas, promoveram a liberdade de pensamento e contribuíram para a construção de uma sociedade mais justa”.

O venerável mestre José Maria Baía da Silva Maia lembrou das ações da loja, que nunca cessaram.

“Desde sua fundação, em 1897, sob o impulso dos visionários lusitanos liderados por Abel Nunes Thompson de Quadros, a ‘Aurora Luzitana’ tem sido o solo fértil onde se cultivam os verdadeiros irmãos no espírito da maçonaria (…). Continuamos a nossa luta contra as fraquezas morais, promovendo a virtude e a integridade, tão necessárias para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa”.

Fatos marcantes

Entre inúmeras informações históricas, o livro de Baze lista os serenissimos grão-mestres da Glomam, os veneráveis da Aurora Luzitana e, entre as dezenas de nomes, destaca os maçons ilustres, entre eles, Eduardo Gonçalves Ribeiro, além de outros políticos e empresários, que deixaram seus nomes na história do Amazonas. Dois fatos importantes marcam a trajetória desses homens, no Brasil: a Independência do Brasil e a abolição dos escravos.

“A Independência do Brasil não é, portanto, uma ação isolada (…), uma simples vontade do Imperador. Antes da Inconfidência Mineira (1789/1792) a mentalidade jovem do Brasil, formada nas universidades europeias e vinculadas necessariamente às lojas maçônicas, tinha o pensamento voltado para a liberdade”, escreveu Mário Ypiranga Monteiro.

Quanto à libertação dos escravos, Baze, das páginas 357 à 379 do livro, mostra que aqui no Amazonas os maçons foram bem atuantes a favor da liberdade dos negros, com as sociedades libertadoras, tanto que, quatro anos antes da Lei Áurea, os escravos do Amazonas foram todos libertos e o grande responsável por isso foi um maçom.

‘No dia 10 de julho de 1884, foi decretado por um maçom, que governava a província do Amazonas, o doutor Theodoreto Carlos de Faria Souto, a extinção da escravidão’.

 “A Grande Benemérita Loja Simbólica Aurora Luzitana nº 6, seguiu seu curso até os dias atuais, coube a outras gerações prosseguirem mantendo esta vela votiva em pé. Não esquecendo os exemplos e as lições do passado deixadas pelos fundadores, afinal, nos legaram essa missão”, finalizou Abrahim Baze.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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