Esta semana foi anunciada a quarta etapa da tão falada abertura, ou flexibilização seja lá qual a denominação que se resolva dar. Entre outros setores o que deveria ter sua liberação COM RESTRIÇÕES, seriam os bares e restaurantes que passariam a ter atendimento presencial com uma série de recomendações. O que se viu na verdade foi uma total falta de responsabilidade e desrespeito às normas, posto que desde a semana passada os bares de áreas conhecidas de Manaus, incluindo bairros como o Vieiralves, estavam funcionando lotados de gente, sem utilização de máscaras, sem a menor preocupação com distanciamento social, muito pelo contrário.

Deve -se ´pensar com bastante carinho sobre esta NECESSIDADE de abertura que os gestores brasileiros, incluindo os nossos, sentem como forma de fazer a economia voltar a girar. Interessante que todos insistem em determinados negócios, como academias, salões de beleza e os famigerados bares e restaurantes, que arrastam consigo as boates travestidas. Novamente e sem uma necessidade real, volta a questão da discussão entre a SAÚDE X ECONOMIA, tornando a vida uma questão de valores monetários, enquanto o score das mortes por Covid-19, pelo menos o oficial no Brasil ultrapassa os 64,000 defuntos.

Quando se falou em flexibilizar a volta às atividades econômicas em função da necessidade de quarentena, um dos adjetivos bastante utilizados era flexibilização GRADUAL E INTELIGENTE. Quando começaram a abrir afinal as atividades econômicas, nem o fizeram de maneira gradual e muito menos de forma inteligente. Atividades como a industrial, que conseguiu atender aos protocolos de segurança foram minimizados e nem mesmo citados, enquanto os cidadãos brasileiros se espremiam nos ônibus lotados, espirrando e BUFANDO no pescoço uns dos outros, na ânsia insana de “voltar à ativa”.

Aqueles bares e boates que citei no início deste texto, quando não foram fiscalizados pela vigilância sanitária, se deram bem e realmente os donos tem muito o que comemorar, enquanto a sociedade deverá em breve quem sabe receber as notícias das consequências do esfregamento que foram as noites. O comércio em geral, pelo que pude analisar até aqui, embora tenham feito sua abertura, aqueles que se arriscaram, não estão conseguindo faturamento que justifique a empreitada. O CONSUMIDOR MUDOU! Além de estar sem dinheiro para consumir tanto quanto o fazia antes da pandemia, o consumidor atual encontrou outras maneiras de fazer suas compras, atender aos seus anseios consumistas, que não necessariamente incluem a visita à loja.

Os shoppings vão ter que mudar necessariamente o relacionamento com os lojistas sob pena de ficar sem lojas para oferecer aos clientes, pois mais que nunca, o que eu vi foram shoppings transformados em imensas e confortáveis praças de passeio e de desfile de final de tarde. Os comerciantes agoniados sem conseguir vender o suficiente para justificar o aluguel, o condomínio e seus custos básicos certamente vão ter de repensar suas metas.

A pandemia tem sido uma verdadeira lição de tudo o que devemos DEIXAR DE SER, o que justifica o refrão bastante utilizado de reinvenção, de busca de novos modelos. Na verdade, o comportamento das pessoas certamente vai dar a nota para o que se deverá fazer a partir de então. Pessoas que gastavam com facilidade e futilidade serão menos numerosas e a quantidade de pessoas dispostas a sair apenas para consumir também será outra incógnita a ser avaliada.

Estas variáveis vão de encontro à pergunta que não pode calar: “estava realmente na hora de abrir a economia?” os programas do governo foram suficientes para deixar as pessoas em condições de encarar uma normalidade forçada, tanto consumidores quanto ofertantes? Mesmo buscando um posicionamento positivo como sempre o faço, fica muito difícil manter a linha quando temos gestores que agem por impulsos e não pela razão ou pela lógica. Daí juntando com a irresponsabilidade da população que não está nem um pouco disposta a tomar as medidas necessárias para conter a pandemia, só consigo pensar que esta foi uma ABERTURA MEIA-BOCA.

*Origenes Martins Jr é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio

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