Após tanto tempo de isolamento social, mesmo com as tentativas de burlar a lei e até mesmo com o descumprimento das ordens de fechamento das atividades comerciais, o governo “decretou” a abertura. Parecia “galinheiro em horário da ração”, com aquelas aglomerações, proibidas ainda por lei, bem maiores que as “normais” andando de um lado para o outro entre as lojas de Manaus.

Do ponto de vista econômico e epidemiológico foi mais uma medida controversa e errada do governo, que apenas repete o que já se fez em outros estados. Ouvir alguns setores da sociedade, neste caso os empresários, convencendo a população de uma suposta necessidade de voltar a ativar a economia por conta de uma eventual quebra no sistema econômico. Logicamente não foi mostrado em nenhum momento a esta mal informada horda de influenciados que a quebradeira além de inevitável já é um fato, não apenas em termos brasileiros como mundiais.

De qualquer maneira o que se viu nesta segunda feira acompanhando a aglomeração de moradores nas ruas, foi a imagem do fracasso de uma falta de políticas públicas sérias que são a imagem nítida e constante do nosso país e do nosso Estado. A demora na decretação do isolamento e a falta de uma fiscalização decente provocou a falência do sistema de saúde e a imagem do Amazonas como o pior estado na condução da Covid-19 em termos de Brasil. A imagem das covas coletivas e os caixões enfileirados sendo aterrados, sim aterrados e não enterrados, no Cemitério do Tarumã, circularam por quase um mês inteiro nas mídias nacionais, embora várias cidades fizessem o mesmo.

O que pergunto aos governantes e aos empresários, é sobre a vantagem que terão com esta abertura, se o povo está sem dinheiro para consumir e o custo que terão transformando suas empresas em praças de passeio para as pessoas que já não aguentavam mais ficar em casa e precisavam desta autorização oficial para passear sem aquele ar de ilegalidade. Vale a pena tentar este retorno e uma suposta volta à atividade econômica com um povo que já foi bem claro quanto ao desrespeito às normas legais de saúde?

Dentro de alguns dias as portas das Unidades Básicas de Saúde e dos Hospitais vão responder com mais precisão a minha dúvida, porém infelizmente esta resposta virá com algo que não tem preço: VIDAS HUMANAS. Estas mesmas vidas que os governantes não conseguem valorizar e que as pessoas quando pensam em dar algum valor, ao invés de se voltar para os grandes e numerosos problemas que temos em nosso país, fazem manifestações para defender o racismo americano. Por sinal os brasileiros sempre tiveram a mania de assumir os problemas americanos e lutar por direitos que não são nossos e sim dos Yankees. A questão racial americana é bem diferente da nossa, embora gerada pelo mesmo fato, a escravidão.

Temos no Brasil problemas estruturais onde o racismo envolve não apenas a cor da pele ou o sexo porém se alastrou para uma desigualdade difícil de resolver, pois a diferença social imposta e garantida pela constituição que criou CASTAS PREFERENCIAIS, com direitos mal adquiridos, estes sim, deveriam ser os alvos de manifestações e de revolta nos votos dos cidadãos brasileiros. Nossos assassinados não são os Floyds e sim os João, José, Antônio e as tantas Marias, que são obrigadas a trabalhar diariamente muito mais que aguentam e seus direitos supostamente garantidos na constituição lhes são usurpados.

Educação é algo tão falado e tão evocado por estes assassinos da dignidade pública que até perdeu o verdadeiro significado. Quando das eleições, durante as vergonhosas campanhas eleitorais, as promessas de educação se resumem a aumento do número de escolas e ingresso no curso superior. Em primeiro lugar, temos a necessidade de DAR QUALIDADE ÀS ESCOLAS QUE JÁ EXISTEM, antes de pensar em construir mais (geralmente com orçamento superfaturado). Em segundo lugar, PPRECISAMOS PARAR DE MANDAR ANALFABETOS PARA A UNIVERSIDADE. É necessário melhorar o ensino básico e médio, dando opções de profissionalização para a grande fatia da população que não vai conseguir, nem acessar o ensino superior e, quando consegue, não o conclui.

Realmente precisamos passar a fazer as coisas bem feitas! 

*Origenes Martins Jr é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio

Fonte: Orígenes Martins

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