Há 200 anos, D. João 6º abria os portos brasileiros às nações amigas, inserindo o país no espaço do comércio internacional. Hoje, nova ­abertura se faz necessária, desta feita por meio de um conjunto de medidas voltadas para a modernização dos ­portos nacionais, cuja estrutura é ainda bastante precária seja para a expansão da cabotagem de carga seja para a consolidação da cabotagem turística, valioso nicho de importação de divisas.
O Brasil precisa dispor de uma estrutura portuária consoante com as novas demandas do mundo globalizado. Apesar de sermos a décima maior economia do mundo, amargamos a 24ª colocação entre os países exportadores, fato que denota o imenso potencial de crescimento que há pela frente. No setor do turismo marítimo, então, as carências são ainda maiores. Há uma extraordinária ­demanda reprimida por falta de estrutura adequada nos portos do nosso litoral. Vale lembrar que este segmento é um dos que mais se expandem por conta das facilidades e condições que oferece aos consumidores.
Apesar de todas as adversidades, o país registra a maior temporada de cruzeiros de cabotagem da sua história. Até o dia 6 de abril próximo, 15 transatlânticos terão transportado mais de 430 mil turistas, movimento 30% maior do que a edição passada. É inegável que os motivos de estímulo a esse crescimento incluem a estabilidade econômica e a relação custo/benefício, pois além do transporte seguro, longe da confusão dos aeroportos, o cruzeiro garante o acesso a várias atividades de entretenimento com comodidade e conforto. Mas um aspecto carece de maiores cuidados: o acesso do passageiro aos navios. O turista é submetido a filas na hora do embarque por falta de condições adequadas em grandes portos como os de Santos e Rio de Janeiro.
No Brasil, a maior parte dos portos foi planejada e construída para atender navios cargueiros, e não para receber turistas de viagens marítimas. O setor dos Cruzeiros de cabotagem gerará, este ano, uma renda em torno de US$ 202 milhões, pagando US$ 8.8 milhões de impostos sobre a venda de cruzeiros, US$ 8.4 milhões com combustível e mais US$ 5.1 milhões sobre o consumo a bordo. No campo da empregabilidade, o número é expressivo: são 32 mil postos de trabalho diretos e indiretos gerados . Sob essa malha de resultados econômicos, não se justifica que os passageiros sejam tratados como “contêineres”. Infelizmente, nossas autoridades ainda não enxergaram os potenciais desse nicho para o incremento do turismo brasileiro.
A experiência internacional pode servir de exemplo aos nossos governantes, se estes estiverem dispostos a implantar as PPPs (Parcerias Público-Privadas) também no âmbito do turismo marítimo. Empresas estrangeiras que operam no Brasil chegam a investir, por projeto, mais de US$ 1 bilhão em reformas de terminais de passageiros no Caribe e nos Estados Unidos. Tais companhias já sinalizaram interesse em repetir esses investimentos em nosso país. Se o governo se dispuser a trabalhar com mais afinco para aperfeiçoar a estrutura receptiva dos portos, encontrará contrapartida afirmativa por parte dos empreendedores turísticos internacionais.
É preciso vencer as barreiras que ainda impedem a expansão dos portos, dentre elas, a ausência de legislação específica e de infra-estrutura adequada. Somente a modernização dos terminais consolidará o Brasil como destino para o turismo marítimo junto ao Caribe, Mediterrâneo, Polinésia e Sudeste da Ásia. Dessa maneira, poderemos dizer que o país promoveu uma nova abertura dos portos, garantindo sua efetiva ­inserção no ranking do turismo internacional.

Eduardo Vampré do Nascimento, empresário, é presidente da Abremar (Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas).

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