A soja e seus benefícios para uma vida equilibrada

Atualmente, a soja tem sido tema de muitas discussões. Poucos sabem, mas ela é um dos alimentos vegetais mais completos que existem e, quando comparada a outros vegetais, apresenta qualidade protéica superior. Isto quer dizer que é um grão rico em proteína de alto valor biológico. Para explicar melhor, as proteínas são divididas em dois grupos: de origem animal (carnes, aves, leites e derivados) e de origem vegetal (leguminosas e cereais), e são compostas por diversos aminoácidos (estruturas mais simples responsáveis por formar as proteínas), que atuam de diferentes maneiras no organismo. As proteínas consideradas de alto valor biológico, como a presente na soja, contêm todos os aminoácidos essenciais em quantidades suficientes, de bom aproveitamento pelo corpo e alta digestibilidade e, como as proteínas animais, são classificadas como proteínas completas. Além das proteínas, a soja possui outros nutrientes importantes, como gorduras mono e poliinsaturadas – as chamadas gorduras ‘boas’-, fibras, vitaminas e minerais.
No Brasil, o cultivo do grão passou a ser estimulado em meados dos anos 1950, por ser a melhor alternativa para a temporada de verão, a fim de suceder o trigo, cultivado no inverno. Durante a recente apresentação do Plano Agrícola e Pecuário Nacional, o ministro da Agricultura, Neri Geller, mencionou que o Brasil poderá chegar à liderança na produção mundial de soja na próxima temporada, com a possibilidade de atingir 200 milhões de toneladas ou mais. A Anvisa aprova a proteína da soja como um alimento com propriedade funcional e adota a alegação de que o consumo diário de no mínimo 25 gramas de proteína de soja pode ajudar a reduzir o colesterol, quando associada a hábitos de vida saudáveis.
Estudos indicam diversos benefícios da soja para a saúde. Em 1999, o US Food and Drug Administration (FDA) aprovou a alegação de saúde para os alimentos de soja e as doenças cardiovasculares, com base no efeito direto da proteína de soja, que pode auxiliar na redução dos níveis do colesterol LDL (“ruim”). Devido ao efeito das proteínas, ao perfil de ácidos graxos favoráveis (boas quantidades de ômegas 3 e 6) e à presença de compostos chamados isoflavonas, o consumo de soja pode trazer outros benefícios ao coração, como auxiliar no aumento dos níveis de colesterol HDL (“bom”), no controle da pressão arterial e na melhora da função endotelial (saúde das artérias).
O grão também pode ser um importante aliado no combate à obesidade e diabetes devido ao seu interessante perfil nutricional, caracterizado pela presença de carboidratos complexos e fibra alimentar, que contribuem para a diminuição de seu índice glicêmico e, assim, causa uma lenta e gradual liberação de glicose na corrente sanguínea (evitando picos de hiperglicemia). Além disso, comparado às fontes protéicas de origem animal, a soja possui consideravelmente menor teor de gordura saturada, assim como é isenta de colesterol. Concomitantemente, possui maior efeito sobre a saciedade, quando comparada aos demais alimentos, fatores que auxiliam na prevenção e combate ao excesso de peso. Uma porção de soja de 43g possui 16% das necessidades diárias de fibras, o que pode ajudar a melhorar o trânsito intestinal.
A soja, assim como outras leguminosas, possui compostos bioativos que podem trazer diversos benefícios à saúde. Na soja, é possível encontrar as isoflavonas, chamadas também de fitoestrógenos, devido à sua semelhança química com o hormônio estrogênio. No entanto, estudos clínicos apontam que estes compostos são de fato diferentes. Por exemplo, o estrogênio estimula as células da mama, enquanto as isoflavonas não desempenham este efeito. Essas substâncias podem também possuir ação atenuantes de alguns efeitos da menopausa, como os fogachos, e ajudando a diminuir a perda de massa óssea.
Outros estudos também mostram que o consumo dessa substância na infância pode reduzir o risco de câncer de mama na fase adulta. Outro benefício discutido é que elas podem auxiliar a um efeito anticâncer, como mostra pesquisa publicada no Journal of Clinical Oncology, em que foi realizado estudo com 444 mulheres diagnosticadas com câncer de pulmão, o qual apresentou melhora em quem consumiu a soja. Há outro estudo, desta vez publicado pela Revista Food and Nutrition, o qual indica que o consumo deste grão pode reduzir o risco de doença coronariana.
Assim, a soja pode ser caracterizada como um alimento saudável, sendo composta por nutrientes importantes ao funcionamento do organismo. Atualmente, não há evidências clínicas e epidemiológicas que comprovem o contrário, assim como não há provas de que as isoflavonas e os alimentos de soja efeminem os homens. As evidências predominantes indicam que para indivíduos saudáveis, com a exceção das pessoas que possuem alergia à proteína de soja, os alimentos derivados deste grão podem trazer importantes contribuições para a dieta e, assim, é um alimento que habitualmente recomendamos aos nossos pacientes.

Dr. Daniel Magnoni

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