A reboque da construção, arquitetura cresce 30%

Como reflexo do crescimento do setor, serviços de arquitetos e ­engenheiros têm alta acima de 20% no primeiro trimestre­ deste ano, ante o mesmo período de 2007.

O boom da construção civil em 2008 sustentou o crescimento da procura pelos serviços de arquitetura em Manaus, durante o primeiro trimestre. O segmento teve alta de 30%, segundo estimativa do Sindarq/AM (Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Estado do Amazonas).
Dados fornecidos pelo Crea/AM (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Amazonas) informaram que a atividade teve incremento expressivo. Nos três primeiros meses de 2008, o órgão totalizou 3.903 ARTs (Anotações de Responsabilidade Técnica) -rubrica que inclui também o desempenho de engenharia. O resultado foi 23,32% superior ao registrado no mesmo período de 2007 (3.165).
O desempenho positivo também impulsionou a abertura de mais escritórios de arquitetura no Estado, de acordo com o Sindarq/AM. Embora não saiba precisar o número atual de empresas legalizadas, a entidade avaliou que o conjunto de negócios ganhou reforço de 5% nos últimos 12 meses. O sindicato tem hoje 850 profissionais registrados, 200 na iniciativa privada e o restante no setor público.
“O segmento está aquecido e está faltando até material. Com a chegada do verão e a retomada das obras públicas, a tendência é de sustentação da alta”, declarou o coordenador executivo da UEP (Unidade Executor de Projetos) da PMM (Prefeitura Municipal de Manaus), Miguel Capobianco.
O arquiteto Roberto Moita concordou: “o mercado está em fase de consolidação, com mais profissionais trabalhando, principalmente para o segmento corporativo. Há uma carência histórica e uma demanda horizontal em Manaus em relação a novas habitações”, ponderou. Há 21 anos trabalhando em Manaus, sua empresa -Roberto Moita Arquitetos- cresceu 20% no acumulado de março.

Profissional
valorizado
Outra notícia positiva é a valorização do profissional local. A presidente do Sindarq/AM, Sammia Cury, observou que as construtoras do Sul do país que vieram realizar obras no Estado estão contratando arquitetos da região em volume muito superior ao registrado em anos anteriores. “No segmento imobiliário e industrial, é comum o uso de mão-de-obra local. Mesmo quando o projeto já chega pronto, o arquiteto do Amazonas é chamado para gerenciar a obra ou acompanhar estudos técnicos, entre outras atividades. Isso é positivo porque possibilita também o intercambio de idéias com os colegas de outras regiões”, ressaltou.
Para o arquiteto Roberto Moita, o profissional local é o mais indicado para lidar com as adversidades do clima de uma região que já conhece bem. “Temos umidade e temperaturas altas, além de velocidades de vento baixas, fatores que vão orientar as construções o uso de materiais. Já os costumes regionais guiam a disposição dos espaços”, justificou.

Tendências
de mercado
Para Miguel Capobianco, a internet possibilitou ao arquiteto amazonense estar mais antenado com as tendências pós-modernas que circulam pelo mundo, principalmente nas bienais. “Nos últimos anos, a situação melhorou muito em Manaus, que se tornou mais cosmopolita. Nossa arquitetura é multifacetada e sofre influência de várias escolas”, opinou. “A novidade é que há um interesse nos novos projetos de dialogar com a cultura e vivência locais”, acrescentou Roberto Moita.
A presidente do Sindarq/AM, por outro lado, vê na influência estrangeira o problema da falta de identidade. “Infelizmente, nossa arquitetura não é regionalizada e prefere importar tendências do Centro-Sul. Explora pouco as potencialidades da luz e ventilação natural e prefere fazer um mix, trabalhando com a arquitetura contemporânea, comum a outros lugares. É necessário resgatar o trabalho de profissionais como Severiano Mário Porto, autor do projeto do Campus da Ufam [Universidade Federal do Amazonas]”, concluiu.

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