17 de maio de 2021

A preocupação em relação à educação na pandemia

É preciso, mais que nunca, discutir as políticas de organização da Educação Básica no Brasil e o quanto as atuais demandas e questões relacionadas à pandemia vêm afetando e redefinindo a forma de atuar no âmbito da escola. Hoje, professores e profissionais da educação devem pensar não só nas dinâmicas corriqueiras das relações entre escola, aluno, professor, sociedade, mas também como lidar com este novo cenário.

É um momento surreal para todos nós, que pareceria tirado de um filme, porém esta é a nossa realidade. A pandemia está permitindo que se reinicie o sistema de ensino. Podemos ver esse ponto pela quantidade de textos, lives e projetos de reconstrução educativa, que partem de um consenso de que o modelo anterior não existe mais. Isso é perigoso, pois de uma certa forma pode gerar também o apagamento de lutas históricas que vêm sendo promovidas pelos educadores que visam uma escola mais democrática, mais emancipatória e mais reflexiva sobre a própria sociedade. Inclusive, no ano que vem, O Fórum Econômico Mundial tem como tema central A Grande Redefinição na era pós-Covid-19, ou seja, um grande “reset”. Veja, nossa era já se pulverizou e estamos entrando em um outro tipo de organização da sociedade.

No campo da Educação tudo será ressignificado, há uma retórica de reinício. E nesse contexto também há um risco grande: de apagamento completo dos professores e profissionais da educação na tomada de decisões sobre um retorno presencial. Quando vemos na imprensa a discussão sobre retorno das aulas há depoimentos de políticos, famílias, médicos, entre outros; no entanto, os professores raramente são entrevistados sobre o que pensam sobre a volta às salas de aula. Pela forma como a sociedade debate essa questão no Brasil visivelmente há um desrespeito pelos professores, que pouco são ouvidos. Os profissionais de educação que compõem o universo escolar correm o risco de uma grande mudança na natureza de seu trabalho. É um ponto que devemos debater bastante e admitir que não vivemos mais um mundo como antes; todavia, a Educação continua sendo fundamental para o desenvolvimento da sociedade. Infelizmente, a forma como se faz a gestão da Educação hoje é mediada pelo interesse do mercado e de grandes empresas. Cria-se um ambiente onde você vê as pessoas como um aglomerado de indivíduos, que se relacionam a partir da competição. E, claro, isso afeta o sentido da educação na sociedade brasileira.

Há conflito grande entre o que se espera e o que se quer fazer dentro das escolas hoje, uma guerra contra a natureza do educar. Há um risco de tornar irrelevantes os profissionais da Educação. Por isso, precisamos refletir sobre que espécie de pessoa sai desse ambiente, com distanciamento físico e aprendizagem completamente individual.  

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