2 de dezembro de 2021

O ensaio de Max Weber – “Ciência e Política: duas vocações” – é uma sofisticada formulação sociológica dos fenômenos políticos da modernidade. Apresenta um conjunto de abordagens, comparações e modelos que mostra ao público a função da Política e do Estado nas sociedades avançadas.

De um lado, a política é a “liderança independente da ação”. E do outro lado, o Estado é a “a comunidade uma que pretende, com êxito, o monopólio do uso legítimo da força física de um determinado território”. Ao contrário do que muitos pensam estas concepções não são pessimistas estrito senso, e sim realistas à la Maquiavel, que assim como Friedrich Nietzsche (a política como vontade de potência), são os grandes heróis de Weber.

Em contrapartida, a Política exige uma ética política e certos compromissos. Não é uma ação isolada, descontextualizada e abstrata. É um movimento que mobiliza elementos materiais na perspectiva de se efetivar um controle social amplo. 

No que se refere às questões relativas à política nacional, ou mesmo relativas ao entendimento científico e técnico-jurídico do Estado, é perceptível a forte influência teórica de George W. F. Hegel e Immanuel Kant sobre a composição e compreensão do Estado moderno.

A política é a direção, condução, manipulação do agrupamento político, e que na sua leitura contemporânea concebe-se na forma do Estado moderno, unificado e constitucional. Outra característica importante do Estado é a coação física, isto é, o Estado, para a sociologia weberiana, é o aparelho detentor do monopólio da violência física.

Gramsci, no mesmo período, aborda o Estado não só como repressor-burocrático, mas também pedagógico, cujo papel dos intelectuais é fundamental para a formulação do poder político da burguesia (intelectuais tradicionais) e das classes subalternas (intelectuais orgânicos).

O pensamento de Weber é decisivamente influenciado pelas relações reais e efetivas do processo de Unificação conduzida por Otto von Bismarck. O Estado prussiano fundamentava-se em ações violentas e truculentas tanto nos principais aspectos políticos, como a repressão aos operários, às associações paralelas ao Estado.

As três formas de dominação legítimas são até os dias de hoje um dos principais paradigmas no que diz respeito aos estudos que se dedicam a análise do poder do homem sobre o homem: a primeira forma de dominação é do poder tradicional; a segunda é do poder carismático; e a terceira forma o poder da legalidade. Para Weber, o que legitima o poder é justamente a obediência ou submissão dos que não exercem o poder. Em outras palavras: o poder é a relação assimétrica entre governantes e governados, entre dirigentes e dirigidos. Existe uma coexistência entre os dois pólos em constante – e ininterrupto – conflito.

Já a organização do Estado-maior administrativo implica necessariamente a redistribuição material, por um lado, e o prestigio social por outro. Nesse sentido a administração pública é dividida em o Estado-maior e os funcionários; e, o Estado-maior privado.

Em suas análises sobre o comportamento político, as observações de Weber se referem aos dois tipos ideais de políticos: os políticos que vivem “da” política, e os políticos que vivem “para” a política. O homem deveria mesmo antes de entrar na participação efetiva da política ter uma estabilidade financeira e econômica, pois o espaço político, na sua observação – e isto se aproxima muito as concepções políticas dos gregos –, o político deveria dedicar-se exclusivamente à política e não usufruir das vantagens econômicas.

Os intelectuais sempre participaram ativamente nas funções do Estado moderno. Já os intelectuais especializados são preparados para atuar no Estado. Sua formação visa, de certa maneira, o melhor funcionamento dos aparelhos de Estado.

Na monarquia, os poderes do Estado estavam fundamentados no monarca, isto é, no indivíduo que é portador do poder absoluto. Contudo, nas organizações sociais modernas, no que Weber chama de constitucionalismo ou nas repúblicas, encontram-se nos partidos políticos e nos políticos profissionais que assumem o papel condutor do processo político.

O homem político, segundo Weber, deve ter três princípios éticos: a paixão pelas coisas relativas à raison d’État; o sentimento de responsabilidade com a res publica – com a coisa pública; e senso de proporção (ação prática). Nesse sentido, os relacionamentos entre ética e política podem estar juntos, dentro de determinados princípios morais.

FONTE: Max Weber. “A Política como Vocação”. Tradução de Waltensir Dutra. In: C. Mills e H. Gerth (Orgs.), Ensaios de Sociologia. Rio de Janeiro: LTC, 1982.

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