“Tu que vais ler meus pequenos artigos,

Não franzas a fronte

Eu te aconselho, bebe antes!

Não escrevo para aqueles que estão em jejum;

Lendo meu artigo depois de beber, hás de sorve-lo melhor”.

Ausônio, Idílios, VII

Retorno orgulhoso com minha coluna de artigos sobre vinhos, para ocupar espaço neste jornal centenário que generosamente me possibilita dar continuidade a deliciosa missão de passar algumas dicas para os leitores e apreciadores, baseadas nas minhas experiências vivenciadas durante perambulações pelas áreas de produção aqui no Brasil, em renomados países produtores, agradáveis e inesquecíveis papos com viticultores, membros de famílias de produtores tradicionais, enólogos, especialistas palestrantes, e incontáveis enófilos.

Sabem qual o resumo das minhas descobertas depois de tantas conversas por aí? O vinho talvez tenha sido fruto do acaso. Vamos a prova de número um. Temos na Bíblia (Gênesis 9:20-25) a menção à primeira videira. Noé, herói do Dilúvio, ancora sua arca no Monte Ararat  (atual Turquia). Logo planta uma parreira e com as uvas faz, acidentalmente, o vinho, e toma o primeiro porre, devidamente registrado para sempre na Bíblia e outros lugares. Noé foi encontrado pelos filhos sem roupa, caído no chão em sua tenda, curtindo a carraspana. 

Fiquei fascinado ao ver no teto da Capela Sistina, no Vaticano, o célebre afresco de Michelangelo Buonarroti (1568-1646), inspirado na embriaguez de Noé. Me encantei também com um mosaico do século XI na Basílica di San Marco, em Veneza, a mais deslumbrante igreja bizantina da Europa ocidental, que o apresenta ao lado de uma videira, segurando numa mão um cacho de uva e, tendo na outra uma taça com vinho. Em tempo hábil voltarei a mencionar outras provas que me levaram a essa conclusão. 

E a origem do Suco de Bíblia, como fica? Muito bem, tudo começou numa festa de casamento, e desde então o Suco da Bíblia ficou ratificado como o maior símbolo da alegria para toda humanidade. Explico. Reza a narrativa no Livro Sagrado que Maria, mãe de Jesus, ao tomar conhecimento de que o vinho da animada festa estava acabando, vai ver temendo o pior, comentou para o seu amado filho a sua grande preocupação com o possível surgimento de momentos de tristeza que poderiam ocorrer pela falta do vinho, justamente quando a festa estava no auge da alegria.

Imagino que Jesus, prevendo também uma tremenda saia justa para os noivos, e seus familiares, discretamente, ordenou aos serventes que trouxessem algumas talhas de água e, num piscar de olhos, realizou o seu primeiro milagre, transformando a água em vinho e, como consequência, materializou para sempre o Suco da Bíblia. Sobre esse milagre, já fui questionado por meus pares enófilos em algumas ocasiões, se a transformação foi em suco de uva ou na bebida alcoólica que conhecemos na atualidade.

Prometo em breve relatar aqui o resultado das minhas buscas para essa interessante questão. Por enquanto acredito que a partir desse episódio, devidamente registrado, foi acentuada a citação da palavra vinho nas escrituras. Interessante mencionar que o vinho, é a única ‘bebida alcoólica’ a ter esse privilégio. Já li por aí que são mais de 300 citações, levando em conta o Antigo e o Novo Testamento. Confesso que ainda não conferi essa contagem. Quem sabe um dia. 

Antes de encerrar quero confessar que andei pensando sobre o motivo que teria levado Noé a tomar o porre que o colocou na lona. Acho que pode ter sido para aliviar um pouco o estresse causado pela tremenda barulheira, e cheiros inconvenientes causados pelos “passageiros” da sua embarcação. Eu teria feito o mesmo.

Foto/Destaque: Divulgação

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email