A maioria dos empreendedores brasileiros tem a responsabilidade de chefiar uma unidade familiar. É o que mostra os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE. Em 2014, dos 24,9 milhões de empreendedores, 61% eram chefes de domicílio, 24% eram cônjuges e 11% eram filhos. Porém, dentro desse número, nos últimos dois anos, a proporção de mulheres empreendedoras que são “chefes de domicílio” passou de 38% para 45%. Com esse avanço, as mulheres passaram a atuar como principal provedora financeira do núcleo familiar, superando o percentual de mulheres na condição de cônjuge (quando a principal renda familiar provém do marido).   

Empreender por si só já é uma grande responsabilidade, ter, ainda por cima, a responsabilidade de uma família para sustentar aumenta ainda mais a pressão. Nós sentimos medo do desconhecido, pelo menos a maioria, medo de não sabermos administrar, de perdermos dinheiro, de sair do emprego, de falir o negócio e não ter mais como sustentar a família. Enfim, nos assombra pensarmos que não conseguiremos colocar nossos filhos em uma boa escola ou de que não seremos capazes de proporcionar qualidade de vida para aqueles que amamos.  

Isso faz parte das emoções diárias de qualquer empreendedor, mas vamos trazer a realidade para a mulher como empreendedora? 

O número de famílias brasileiras chefiadas por mulheres cresceu 105% entre 2001 e 2015, segundo a pesquisa ‘Mulheres Chefes de Família no Brasil: Avanços e Desafios’. Isso significa que um total de 28,9 milhões de famílias são chefiadas por mulheres. Este pode ser um fator de incentivo e também de bloqueio ao se pensar em montar um negócio, visando o crescimento da renda familiar.  Ser a provedora da casa traz muito muita responsabilidade e principalmente cuidado com o futuro. Não é fácil decidir largar o emprego, quando o sustento da família depende do sucesso no novo negócio. E preciso coragem! 

Mas muitas vezes essa é a única opção que a mulher, mãe, solteira tem.  

Segundo um estudo da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), “há uma queda no emprego das mães ao fim da licença-maternidade e, depois de 24 meses, metade delas saem do mercado”. A pesquisa também revela que, na maior parte das vezes, essas mulheres saem por iniciativa do empregador. 

Além disso, o estudo da FGV diz que “trabalhadoras com maior escolaridade apresentam queda de emprego de 35% 12 meses após o início da licença, enquanto a queda é de 51% para as mulheres com nível educacional mais baixo”. 

Você já deve ter escutado histórias de mulheres que preenchiam todos os requisitos que a empresa pedia, mas quando falava que era mãe, o entrevistador muda o rumo da conversa. E vem aquela famosa pergunta: “Quem vai cuidar da criança no horário comercial?”, “E se acontecer algo enquanto você estiver no trabalho”? Bom, segundo o IBGE 64% das mães relataram terem a carreira prejudicada após a maternidade, ou por terem que recusar propostas que vão além do horário possível, pois o filho precisa de atenção da mãe, ou por terem deixado de ser promovidas por saberem que como mães, elas possuem tarefas além do trabalho, a famosa jornada dupla. E o pior é que esse preconceito acontece de mulher para mulher também. Em polêmica na internet, a Influencer Lara Nesteruk falou em seus Stories no Instagram, que não contrata mulher porque, segundo ela, “engravida e me ferra. só contrato se for extremamente necessário”. 

O preconceito vai ainda mais longe, mesmo com uma pequena queda na desigualdade salarial entre os anos de 2012 e 2018, mulheres ganham, em média, 20,5% menos que os homens em todo o Brasil. E as mães chegam a ganhar 40% menos que colegas, avaliando todos pelo mesmo cargo.  

Mas há também boas notícias. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o percentual de domicílios brasileiros comandados por mulheres saltou de 25%, em 1995, para 45% em 2018, devido, principalmente, ao crescimento da participação feminina no mercado de trabalho. Fazendo com que as mulheres ocupem um espaço cada vez maior e consigam alcançar salários cada vez maiores.  

O que eu acho mais incrível como mulher e empreendedora é que apesar de tudo que enfrentamos diariamente no mercado, estamos cada vez mais dispostas a dar o nosso melhor para atingir nossos objetivos. Agora 2 fatores são ativamente responsáveis por essa alta: 

1. Inteligência emocional (QE) 

Mulheres são mais inteligentes emocionalmente. A ideia de que a mulher é o sexo frágil já caiu foi por água abaixo há bastante tempo. Segundo pesquisa conduzida pelo Korn Ferry Hay Group, uma consultoria global de gestão de negócios, o sexo feminino supera o masculino em quase todos os sentidos da inteligência emocional. Ter um alto quociente de inteligência emocional é um fator importante na liderança e consequentemente nos resultados.  

Pessoas com maiores índices de inteligência emocional compreendem melhor seus sentimentos e dos colegas e usam as informações para ajudar a orientar como pensar e reagir à cada situação.  

2. Colaboração 

Trabalhar com outras pessoas e construir relacionamentos duradouros é uma característica forte entre muitas mulheres e pode ajudar no sucesso de um novo negócio. Isso faz com que a mulher tenha mais facilidade em criar novas parcerias entre empresas como a sua e abra um mundo de oportunidades para crescer com seus concorrentes, em vez de competir contra eles. Novos negócios podem ter dificuldade em competir com empresas mais estabelecidas, é melhor.  

Sobressair-se no mercado não é fácil, porém a luta pelo engajamento e pelo reconhecimento feminino no mundo de trabalho é ascendente. Confira alguns dados da pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora: 

– A maior concentração de empreendedoras está no setor de Serviços (69%), seguido de Comércio (25%) e terceiro setor. 

– 32% dessas mulheres são MEIs, 23% micro empresárias e 19% ainda está na informalidade 

– 46% fatura até R$ 5 mil e apenas 4% tem rendimentos acima de R$ 50 mil 

– 60% não tem sócios e 37% empregam apenas mulheres 

– 37% iniciaram seu empreendimento sem capital inicial e não procuraram empréstimos bancários 

– 86% das empreendedoras não se planejaram antes de iniciar um negócio 

Quando eu digo que tiro o chapéu para as mulheres é porque acredito que nós temos realmente que aplaudir de pé, ovacionar, fazer homenagens, puxar o saco, mimar mesmo, as chamadas sexo frágil. A mulher se supera cada vez mais.  Ainda estamos caminhando, mas o destino é “dominar o mundo”. 

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