A necessária autonomia universitária

O ensino (formação de recursos humanos) aliado à pesquisa (inovação) mobilizam a roda estruturante da economia, diferenciando sociedades e nações comprometidas com a sustentabilidade. 

Tornam seus territórios resistentes independentemente do tempo, ou do espaço que ocupem na geopolítica mundial. 

Os países asiáticos como Japão, China, Singapura, Coreia do Sul etc., têm demonstrado que investir em Educação e Conhecimento fez a história de algumas décadas ser força motriz do presente e de um futuro resiliente, a partir das pessoas e do protagonismo do contingente populacional.

No momento em que a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) completa 20 anos de trabalho, não se pode olvidar da decisão política de sua criação pelo governador Amazonino Mendes em 2001; do trabalho de formatação do modelo atual administrativo e de interiorização, tendo como marco social a formação superior da quase totalidade dos professores do ensino fundamental e médio no Estado, efetuado na gestão da Reitora Marilene Corrêa no Governo Eduardo Braga; nem da aprovação estratégica do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração dos seus servidores pelo Governador Omar Aziz em 2011. 

Aliás, o Plano é de “tirar o chapéu” pela perspicácia, comprometimento com a dimensão pública da Universidade e pela dignidade ao exercício do oficio de ensinar com qualidade. Afinal, diferentemente daqueles que impõem 40% de aumento salarial em troca de um regime administrativo de dedicação exclusiva, a UEA vem premiando com os mesmos 40% a produtividade dos seus trabalhadores alinhados às ações estratégicas de ensino, pesquisa e extensão. 

Não sem propósitos, a jovem UEA propõe como valores: promover o respeito, a justiça, a liberdade, a inovação, a responsabilidade social, a cidadania e a valorização de seus servidores. 

Na manhã da segunda-feira (23), tive a oportunidade de acompanhar a abertura do IV Workshop do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia da UEA, que contou com a presença ilustre do Senador do Amazonas Plínio Valério. 

O debate sobre trabalhos e projetos de professores e alunos pesquisadores deu o tom da dimensão política e do poder estratégico de transformação social que a produção do conhecimento científico induz. 

A partir das discussões, destaco algo que me parece inconteste: na última década, a resiliência da UEA frente às instabilidades políticas do executivo amazonense resulta de um esforço coletivo interno e da sociedade, aqui representada nos 64.934 diplomados, em fazer respeitar a autonomia de suas decisões materializadas no esforço do trabalho e na inteligência estratégica do seu Conselho Universitário. 

Se a Educação propicia ao ser humano a autonomia cidadã e governança de sentimentos e escolhas, não há espaço para olhares oportunistas, como os noticiados no Rio de Janeiro, onde um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa propõe o absurdo da extinção da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ.

Pelo perfil partidário do parlamentar proponente, percebe-se a subserviência ao discurso ideológico vigente, onde: “a universidade deveria ser para poucos…”; “alunos com deficiência atrapalham os demais…”; e, “hoje, ser professor é ter quase uma declaração de que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa…”.   

É bom estarmos atentos para que tais ventos obscurantistas do Sudeste não cheguem até o Amazonas, de forma a considerar nossa UEA uma mera secretaria estadual, escrava dos desejos políticos do gestor de plantão.

Coube ao médico e Professor Doutor Cleinaldo de Almeida Costa “operar” a nau UEA no banzeiro dos desafios impostos à Administração Pública nos últimos anos. 

Como pesquisador e, recentemente, professor da UEA, ressalto a simplicidade e humanidade com que sempre fui acolhido em nossos encontros no período de seus dois mandatos, todos eleitos, democraticamente, pelo voto de alunos e servidores.

Nem sempre é sorte. 

Foi uma escolha enfrentarmos o pior da pandemia e do adoecimento político-administrativo amazonense tendo um especialista em Medicina na direção da UEA.

Que o próximo gestor a ser eleito em 2022 mantenha a postura responsável de liderar nosso Conselho Universitário ao compromisso necessário de autonomia dos trabalhos da Universidade, lembrando sempre que a UEA pertence à comunidade e deve buscar, cada vez mais, decidir seu próprio destino. 

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