6 de dezembro de 2021

A Missão de Ensinar e o Direito de Aprender no Brasil

Nesta semana, em que celebramos O Dia do Professor no dia 15 de outubro, outra Data muito simbólica também é o Dia das Crianças, comemorado no dia 12. E essas datas têm muito a ver uma com a outra, especialmente na questão educacional, por fazerem parte diretamente deste universo. Os professores são os pilares do processo de ensino-aprendizagem. A maioria destes formadores de opinião são guerreiros e atuam com amor e dedicação plena, conscientes da magnitude da missão que têm em suas mãos, mesmo com os diversos desafios e injustiças a que são submetidos constantemente. É fato conhecido também que os professores no Brasil, especialmente os da educação básica, carecem de uma remuneração justa e à altura da importância do que fazem, além de muitos deles enfrentarem condições deficitárias ou insalubres de trabalho, principalmente nas regiões mais carentes e longínquas do País. Um levantamento feito pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) acerca dos impactos da pandemia da Covid-19 na área da Educação mostrou que os professores brasileiros possuem uma das mais baixas taxas de remuneração dentre os 40 países pesquisados. Nossos mestres são os agentes mediadores do ensino na vida dos discentes e precisam ter todas as condições para fazê-lo da melhor maneira possível. 

Já as nossas crianças, em muitos casos, têm tido o seu direito constitucional à Educação negligenciado (Artigo 227 da Constituição Federal de 1988); o que prejudica e impacta muito suas vidas, tanto no presente quanto no futuro; pois, se desde a tenra idade o estudante tiver acesso a um conhecimento de qualidade, ele tende a ser um cidadão com maiores chances de lograr êxito no decorrer de sua formação e no Mercado de Trabalho quando for profissional. Há de se considerar que, ao mesmo tempo em que as crianças necessitam receber uma base sólida de Educação desde a conhecida “primeira infância” (que vai até por volta de 7 anos de idade, segundo os especialistas), a entrada no ambiente escolar é também um fator primordial no desenvolvimento social, físico, emocional e cognitivo dos menores. A Educação Infantil é um dos momentos mais importantes na vida estudantil e pode influenciar o desempenho em todas as demais etapas. Este início também é essencial no processo de uma formação cívico-cidadã, pois a escola é o primeiro lugar em que os pequenos começam a estabelecer o convívio com outras pessoas, inclusive de sua mesma faixa etária, fora do ambiente doméstico. Porém, infelizmente, ainda são muitas as crianças que não têm acesso à Educação em nosso País, muitas vezes em nenhuma fase de suas vidas; além da enorme evasão escolar que existe em nossa Nação. São muitos os fatores que contribuem para esta triste realidade, como a falta de políticas públicas efetivas na área (ou da implementação destas); alimentação inadequada e insuficiente; condições precárias de vida e moradia; exploração, abusos e trabalho infantil; dentre outros (problemas estes que se arrastam há muitos anos). 

E o surto do novo ‘corona vírus’ agravou ainda mais estes cenários. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em parceria com o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) Educação, através do estudo “Cenário da Exclusão Escolar no Brasil – um Alerta sobre os Impactos da Pandemia da Covid-19 na Educação” mostrou que a quantidade de menores de idade sem acesso ao Ensino aumentou em mais de 360%, passando de 1,1 milhão para 5,1 milhões de crianças e adolescentes nestas condições, entre 2019 e 2020.

Diante de tudo isso, mais do que nunca, precisamos valorizar e lutar, dentro da Lei, para que os nossos professores tenham as condições ideais de trabalho e a justa remuneração, diante da importância ímpar que possuem para toda a sociedade. E a valorização deles deve começar conosco, com a conscientização de que eles são os responsáveis diretos pelo ensino, mas que a educação de vida é responsabilidade dos pais ou responsáveis, inclusive fazendo com que nossos filhos compreendam, desde cedo, que o professor merece o respeito e a consideração de todos, especialmente de seus alunos. 

De igual modo, não podemos nos omitir frente ao fato de tantas crianças brasileiras estarem tendo os seus direitos e garantias constitucionais surrupiados todos os dias. Sabemos que esta é uma situação crônica também e de resolução complexa; mesmo assim, isso não nos isenta de fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuirmos na mudança desta situação. Quanto mais pessoas tiverem a consciência de que este é um dever de todos nós (especialmente na prática), maiores serão as chances de transformarmos, de fato, esta realidade; independente do tempo que leve. 

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