À mídia internacional, Arthur Virgílio critica mortes de Covid-19

Dois importantes veículos de comunicação, de credibilidade mundial, o jornal "Financial Times" e a revista "Times", publicaram amplas reportagens sobre o avanço da Covid-19 no Brasil, colocando Manaus e o Amazonas como áreas críticas dos efeitos do novo coronavírus. Em ambas, o prefeito Arthur Virgílio Neto criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro, que segue contrariando recomendações quanto ao isolamento social.

“O presidente é corresponsável por muitas mortes da Covid-19”, diz Arthur Virgílio à revista "Time". A publicação enfatiza que o prefeito “viu sua cidade ser tomada pelo vírus no final de abril” e segue com fala mais dura do prefeito ao presidente. “Com uma pregação irresponsável, quase delinquente, ele encoraja as pessoas a irem às ruas. Ele levou muitas pessoas à morte”, diz.

Já o jornal diário inglês "Financial Times" descreve que, no início de maio, Bolsonaro emitiu um decreto dizendo que cabeleireiros e academias eram serviços essenciais e deveriam reabrir, embora a demanda tenha sido ignorada pela maioria dos governadores estaduais. “Foi um gesto fútil do presidente, mas que foi planejado para provocar aqueles que lutam pelo isolamento social”, disse o prefeito de Manaus, ao periódico especializado em economia.

Ambas as publicações colocam o Brasil como o novo foco da Covid-19 no mundo e avaliam o comportamento do presidente Jair Bolsonaro diante da crise, citando Manaus e o Amazonas como pontos críticos da pandemia. A "Times", que ouviu governadores e especialistas diz que, até agosto, de 100 mil a 190 mil brasileiros devem morrer pela doença.

“Não era dessa forma que queríamos ganhar notoriedade no mundo. Temos muitas coisas boas para mostrar, mas essa é a nossa realidade atual, infelizmente. E precisamos que o mundo nos olhe agora, já que o presidente está cego para a pandemia e seus efeitos desastrosos. São preocupantes os dados apresentados pelas publicações. Como podemos ficar quietos diante de um quadro assustador, com tanta gente morrendo e os nossos hospitais lotados, nas capitais e no interior, de pessoas doentes?”, lamentou Arthur, ao comentar as matérias.

Na mesma publicação, a revista "Financial Times" ouviu, além do prefeito de Manaus, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e os governadores de São Paulo, João Dória, e do Maranhão, Flávio Dino, além de líderes como o presidente americano Donald Trump. O jornal diz que Bolsonaro minimiza a gravidade da doença e incentiva os brasileiros a voltarem às ruas, entrando em conflito direto com os governadores, destacando, ainda, que o comportamento do presidente já levou à saída de dois ministros da Saúde.

A revista "Time" foi muito mais dura em relação ao presidente, destacando o fato de que no dia em que o país registrou 10 mil mortes, o presidente passeava de jet sky. Na mesma linha do jornal "Financial Times", a revista revela o quadro social brasileiro, como país emergente e com estruturas mais frágeis para enfrentar a pandemia.

“A única coisa que pode nos confortar, de certa forma, diante dessas notícias internacionais, é o fato de chamarmos a atenção para a gravíssima realidade brasileira, especialmente a dos povos amazônicos”, destacou Arthur, que também deu uma longa entrevista publicada na revista "ViceNews", de Portugal, analisando a situação brasileira e amazônica e com críticas muito duras ao presidente Jair Bolsonaro.

Fonte: Redação

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