17 de maio de 2021

A liderança feminina na economia brasileira

Tive a oportunidade de participar na Semana Global do Empreendedorismo, evento apoiado pelo Sebrae-AM,  contribuindo com a palestra “A liderança feminina na economia brasileira”.

Apresentei alguns dados em relação ao assunto. Primeiro, mapeando o universo feminino nos negócios, e, de acordo com o IBGE, em 2018, havia 9,3 milhões de mulheres empreendedoras no Brasil, representando 34% do total dos empresários no país, além de representarem 48% dos microempreendedores individuais (MEI) registrados. A faixa etária onde se concentra o maior número de empreendedoras é entre 25 a 36 anos. Outra coleta de dados veio do Sebrae de Lorena (SP): 1- As empresas abertas por necessidade de uma nova renda é maior entre as mulheres do que entre os homens: 44% contra 32%; 2- A idade média das mulheres que são donas do próprio negócio é inferior à idade dos homens: 43,8 anos contra 45,3 anos; 3- As mulheres empreendedoras possuem escolaridade 16% superior à escolaridade dos empreendedores homens, mas ganham 22% menos que os colegas; 4- 25% das mulheres empreendedoras exercem suas atividades econômicas no próprio domicílio; 5- 86,5% dos empreendimentos conduzidos por mulheres apresentam porte menor, com nenhum funcionário contratado; 6- As empreendedoras pedem empréstimo nos bancos com menor frequência do que os homens empreendedores.

Após esse levantamento, o qual contribuiu para entendermos quem somos, me voltei para avaliar a nossa performance no período da pandemia e aí veio a grata surpresa: “71% das mulheres afirmaram ter usado recursos para inovar em seus negócios durante a crise. Em contrapartida, somente 63% dos homens disseram ter investido em mudanças nesse sentido”, de acordo com a pesquisa do Sebrae e Fundação Getulio Vargas (FGV).

Inovação na veia

Outros dados interessantes apontam que na hora de escolher os meios digitais para alavancar seus negócios, 75% delas apostaram nos aplicativos de mensagens e 72%, nas redes sociais. Os aplicativos de mensagens passaram a ser mais utilizados para divulgação (66%), atendimento (65%) e vendas (57%). Já as redes sociais têm sido utilizadas como ferramenta de divulgação (81%) e vendas (52%). Cerca de 65% das mulheres entrevistadas já participaram de cursos focados em empreendedorismo para melhorar processos e diversificar produtos e serviços. Entre os homens, 53% já buscaram capacitação, mas seu interesse está voltado para os assuntos financeiros, principalmente. Esses dados são da 5ª edição da pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios 2020”, realizada pelo Plano CDE e com apoio da ONU Mulheres.

Empreendedoras na economia

Depois, foquei nos números de outra pesquisa (Deloitte), a qual  apresenta que nos últimos 3 anos, o empreendedorismo feminino passou de 18%, em 2016, para 25% do total de empresas abertas em 2019, representando um aumento de 7%. Porém a participação feminina nos cargos de chefia ainda é muito pequena. Subiu apenas 1,9% desde 2017, atingindo em termos mundiais, 16,9%. No Brasil, somente 8,6% desses cargos são preenchidos por mulheres.

E mesmo nessa tensão toda, é possível falar ainda em melhorias econômicas globais: há poucos anos, um estudo do McKinsey Global Institute trazido a público pela Revista Exame projetou o impacto financeiro de um cenário com participação plena das mulheres no mundo dos negócios: os ganhos no PIB mundial chegariam a US$ 28 trilhões até 2025. Ufa! É muita grana!

Mas, as coisas nunca foram fáceis para nós! Temos sim, nossos pontos fracos e muitos desafios. O Estudo “Mulher Empreendedora MS” (março 2020), apresenta alguns deles: 1- Diversas atribuições às mulheres; 2- Discriminação do sexo; 3- Baixa confiança e crença no seu potencial; 4- Falta de apoio dos familiares.  

Cenário posto, podemos analisar algumas colocações! Apesar de sermos “lanterninhas” e ficarmos em segundo lugar, estamos conquistando a duras penas, um espaço maior no empreendedorismo. Aí, precisamos pensar até que ponto o desemprego impulsionou esses novos negócios…

Não nos curvamos diante da pandemia, nossa flexibilidade e facilidade em nos adaptarmos às intempéries da vida foram fundamentais nesse momento caótico. E mais, enfiamos a cara na tecnologia e usamos as ferramentas pra tudo quanto foi lado! Boa parte das nossas fragilidades, ainda está ligada à sociedade patriarcal do século passado. Sociedade em que os homens comandavam a família, que era subordinada aos caprichos masculinos. Mas, como provocar essa mudança cultural, que não acompanha a dinâmica da transformação social?

Bom, eu disse na palestra que reconhecer esse descompasso é o primeiro passo para navegarmos fundo no autoconhecimento e verificarmos como esse ranço paralisa nossos sonhos, desejos e deixamos pra lá! É preciso que a gente reconheça a importância do nosso papel social e acredite no nosso potencial econômico. Precisamos recriar o passado sob a ótica do empoderamento feminino e preenchermos as novas páginas da vida sendo protagonistas do nosso presente, pisando firme, com a cabeça erguida e sem medo de empreender! Vamos aos negócios?

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