A joalheria A La Ville de Paris (foto do amigo Christoph Berquet), cujo imponente prédio, entre a Avenida Sete de Setembro e a rua Lobo d’ Almada, ainda existe, foi uma das mais refinadas e tradicionais de Manaus, tendo funcionado por quase um século, de 1878 a 1963.

Quando da sua inauguração, a Avenida Sete de Setembro era conhecida como Rua Brasileira, e a rua Lobo d’ Almada como Travessa da Matriz. O empreendimento foi idealizado pelos comerciantes e irmãos Maurice Aron, Henri e Lucien Levy, judeus naturais da Alsácia, na França (BLAY, Eva Alterman. O Brasil como destino. 2017, p. 96). A sociedade passou a ser conhecida como Levy Fréres (Irmãos Levy).

Nesse primeiro momento, em que a joalheria tinha apenas o primeiro andar, os relógios já eram o carro chefe das vendas. Por um breve momento, em 1888, a casa abrigou um relojoeiro e ourives suíço especialista em relógios (A PROVÍNCIA DO AMAZONAS, 1888, p. 04).

Em 1900, no auge de seus negócios, os irmãos Levy decidem reformar o prédio da joalheria, lhe sendo acrescido um segundo andar. A data, até pouco tempo atrás, podia ser vista abaixo da janela principal do segundo andar. Nas últimas reformas ela desapareceu.

No início do século XX, conforme anúncios publicados no Jornal do Commercio e na revista Cá & Lá, faziam sucesso os relógios das marcas Omega, Elgin, Waltham e Roskopf. A casa comercializava jóias de ouro e platina, pedras preciosas, prataria, despertadores, instrumentos musicais de sopro e corda, gramofones da famosa marca Victor, discos, binóculos, bússolas e termômetros (JORNAL DO COMMERCIO, 29/08/1913, p. 40 e REVISTA CÁ & LÁ, maio de 1914, p. 10). A La Ville de Paris possuía casa compradora em Paris, localizada na Rua D’ Hauteville, n° 89, no 10° distrito da capital francesa, na margem direita do Rio Sena.

A La Ville de Paris foi administrada pelos irmãos Levy até o início da década de 1920, quando foi adquirida pela firma Crehange & Cia, do diplomata francês Louis Crehange. Em 18 de abril de 1925 Louis Crehange e Maurice Aron Levy constituem a sociedade Crehange & Levy, em substituição à Crehange & Cia. Os dois empresários administram a joalheria, de acordo com o Almanak Laemmert, até 1931 (ALMANAK LAEMMERT, 1931, vol. 3, p. 163).

Em 1935 a joalheria enviou para o Jornal do Commercio alguns presentes de Natal. Na nota publicada no periódico é registrado como único proprietário Maurice Aron Levy, o que indica que Louis Crehange havia saído da sociedade (JORNAL DO COMMERCIO, 24/12/1935, p. 01). Em levantamento das empresas de judeus amazonenses e descendentes nas décadas de 1940 e 1950, o sociólogo Samuel Benchimol registra que Maurice Aron Levy ainda era seu proprietário em 1940 (BENCHIMOL, Samuel. Amazônia – Formação Social e Cultural. 1999, p. 326).

Em algum momento da década de 1940 o negócio foi comprado pelo empresário Antônio José Pires, da A. Pires & Comp. Um dos acontecimentos mais marcantes que ocorreu na joalheria foi o grande furto que sofreu em 24 de maio de 1947, causando um prejuízo de mais de 300 mil cruzeiros. Os autores do crime, Cristóvão Bolívar e Felipe Rubiano, foram capturados em 01 de junho de 1947 e as jóias recuperadas (JORNAL DO COMMERCIO, 03/06/1947, p. 06).

Antônio José Pires foi seu último proprietário, administrando a casa até 1963. Em 23 de junho de 1964 o antigo prédio da A La Ville de Paris foi vendido para a Lojas Combrasil, que nele instalou uma unidade de suas lojas de eletrodomésticos.

De 1974 a 1995 funcionou como Drogaria São Paulo II. O prédio, para nosso deleite, segue sendo preservado pela atual proprietária, a Drogaria FarmaBem.

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