3 de dezembro de 2021
https://www.jcam.com.br/Upload/images/Noticias/2019/1Sem/06Jun/02/Nelson%20Azevedo%20colunista.jpg
Alimentar a guerra a partir das ruas pode significar a produção de cortinas de fumaça

O Brasil precisa superar esse maniqueísmo que, de maneira pobre e estreita, divide a nação e busca faturar politicamente como incentivo à guerra entre irmãos. Promover o conflito nas ruas como instrumento de governabilidade é compactuar com a demagogia que dividiu o país nas últimas décadas. Vamos confiar nas instituições.  Alimentar a guerra a partir das ruas pode significar a produção de cortinas de fumaça para esconder os malfeitos na gestão dos recursos públicos. O conflito das ruas neste domingo sugere, portanto, ação imediata para clarear nos corações e mentes o que queremos para o Brasil e o que podemos assegurar, em termos de pauta comum. A ordem, portanto, é correr para o batente. Vamos trabalhar, pois o PIB anunciado voltou a ser um “pibinho”.

Temos alguns alertas urgentes nos estudos da Fundação Getúlio Vargas sobre a efetividade da ZFM. Um deles diz respeito à fragilidade na geração de riqueza na área que o estudo denomina de Região Metropolitana de Manaus (RMM). Com 13  municípios e população estimada de 2.631.239 habitantes, a RMM tem  área de 127.287,789 km² e foi criada em 30 de maio de 2007, ou seja, tem 11 anos e uma gestão extremamente tímida por absoluta falta de recursos. 

Dois fatores explicam a gestão apagada da RMM, bem como a discreta partilha dos recursos gerados pelo município de Manaus, pois o Polo Industrial de Manaus (PIM) gera uma riqueza confiscada em mais de 50% por parte da União. A ideia de ampliar as dimensões da RMM, escolha política sem lastro econômico, sem prover ao gestor as condições pecuniárias de trabalho, fez com que a iniciativa de apostar no crescimento morresse em seu nascedouro. O grande projeto que viabilizaria, do ponto de vista fiscal e financeiro, seria estimular a implantação de uma indústria de componentes, partes e peças que fornecesse insumos de toda ordem para o PIM.

Essa iniciativa se viabilizaria com o mesmo arcabouço legal que dá suporte à indústria de São Paulo, que vende para Manaus com vantagens fiscais e competitivas extremamente atraentes. Hoje, São Paulo está estruturada com  poderosa planta industrial para  fornecer insumos para Manaus numa proporção de investimentos três vezes maior do que foi aplicado na capital do Amazonas, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Ou seja, a partir do gás de Urucu, que alcança diretamente em seu traçado cinco dos 13 municípios, teríamos a estrutura energética para implantar as indústrias mais coerentes com as vocações de negócios e com as demandas específicas do PIM. Lembremos que, em 2007, o Polo Gás-Químico foi desenhado e detalhado justamente para abastecer a indústria de componentes da RMM. O economista Serafim Correa peregrinou pelas entidades de classe do setor produtivo para contar as vantagens extraordinárias desta legislação do arcabouço jurídico da ZFM. 

Precisamos, portanto, repensar o alerta da FGV, ao dizer que, “… embora a ZFM tenha impactado positivamente os trabalhadores da indústria, não há evidência de impacto social sobre a população como um todo, em termos de acumulação de capital humano e condições no mercado de trabalho. Em particular, a RM de Manaus tem proporção de alfabetizados e anos médios de estudo similares ao grupo de comparação”. Um alerta para omissão nossa e conclusão para todos, das ruas e da fábrica: a hora é do batente! 

*Nelson Azevedo é economista e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas – [email protected] 

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Anúncio

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Siga-nos

Notícias Recentes

JC Play

Podcast

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email