15 de abril de 2021

A guerra de comunicação na pandemia já foi perdida

Talvez pela primeira vez nós estamos sentindo em primeira mão o que a era da informação instantânea e em qualquer dispositivo pode fazer para um evento de interesse público mundial — e como ela pode ser problemática para se evitar uma epidemia.

Quando tratamos de controle de epidemia, é preciso manter um equilíbrio “saudável” entre medo e tranquilidade: deixar as pessoas com medo demais cria um estado de pânico que acaba atrapalhando o combate à doença, mas também tranquilizá-las demais faz com que ninguém tome as precauções necessárias para evitar o contágio. Assim, teoricamente, ter o acesso rápido a uma enorme gama de informações deveria ser algo que facilitaria a manter esse equilíbrio, deixando as pessoas informadas daquilo que elas realmente precisam saber sobre a doença sem criar um pânico desnecessário.

Infelizmente, não é isso que está acontecendo.

Como já sabemos, a capacidade de se conseguir informações de forma instantânea e em vários dispositivos infelizmente não garante que essas informações estejam corretas. E, como em muitos outros temas, as fake news são um grande problema também contra o COVID-19.

Desde que surgiram as primeiras notícias sobre o novo vírus na China, o que não faltam são versões absurdas para explicar a doença que, criadas por sites com pouca ou nenhuma credibilidade, acabam viralizando nas redes sociais e pelas correntes de WhatsApp. Um dessas histórias é a da sopa de morcego, inventada por tabloides sensacionalistas britânicos de que o vírus teria surgido em morcegos da região de Wuhan e sido passado para os seres humanos por conta de uma sopa regional que onde morcegos inteiros são cozidos.

A sensacionalização de qualquer assunto é compreensível no atual momento do jornalismo; afinal, muitos veículos ainda não conseguiram se adequar totalmente à internet, um espaço onde o público quer, ao mesmo tempo, o maior número possível de informações de alta qualidade, mas também que essas informações sejam disponibilizadas de graça. Como o principal método de sustento de qualquer site jornalístico é a veiculação de anúncios — e, quanto mais acessos a página tem, mais vezes um anúncio é visto e, em consequência, maior o retorno financeiro para o site — fazer manchetes exageradas que compilam os internautas a clicarem no link (ou, no caso de jornais televisivos ou no rádio, não trocar de canal) é quase uma questão de sobrevivência, pois é necessário garantir uma certa verba publicitária todos os meses para que o veículo continue a operar.

Para a COVID-19, esta é basicamente uma batalha perdida, e talvez já seja tarde demais para tentar trazer a opinião pública para o discurso equilibrado que um assunto desses necessita. O que resta é torcer para que este tipo de cobertura não se torne a regra para qualquer outra nova epidemia que possa surgir, ou então teremos tempos ainda mais difíceis pela frente.

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