A filosofia de Platão aplicada na atualidade

Depois de Sócrates, Platão é o segundo nome mais citado na História da Filosofia. Embora o seu verdadeiro nome seja Arístocles, Platão ficou conhecido pelo seu apelido, que em grego significa “ombros largos”. Como ele era professor de educação física, atleta e competidor olímpico, todos passaram-lhe chamar de “homem dos ombros largos”, ou como eu costumo dizer para os meus alunos, “o homem bombado”.  

Pois bem, “o homem bombado” foi o mais famoso e destacado discípulo de Sócrates, sendo o responsável por tudo o que sabemos atualmente sobre o “pai” da Filosofia. Platão tinha uma admiração tão grande por seu Mestre que o colocou como personagem principal em todos os seus livros. 

Ao contrário de Sócrates que não deixou nada escrito, Platão escreveu muito. Escreveu mais de 24 diálogos, entre eles podemos destacar: “O Banquete”, “Teeteto”, “Fédron”, “A República”, “O Mito da Caverna”, “O Sofista”, “Apologia de Sócrates”. No livro “O Banquete” Platão caracteriza às três formas de amor: Filia, Ágape e Eros. Muito atual. Recomendo leitura!

No livro “A República”, Platão escreveu um modelo de como a cidade deve ser organizada e governada. Para ele, a cidade ideal não necessariamente é possível, talvez nem se queira que seja. Porém, como diz Sócrates, pelas palavras de Platão, “ela pode ser um modelo no céu, para quem quiser contemplá-la e, contemplando-a, fundar uma para si mesmo”.

O Mito da Caverna é o texto mais popular de Platão e por que não dizer da história da filosofia? Este texto é tão popular entre nós que qualquer estudante do Ensino Fundamental ou Médio no Brasil já teve contato com ele pelo menos uma vez na vida e existem milhares de vídeos no YouTube explicando sua importância pedagógica, social e política para a sociedade atual.   

Na “Alegoria da Caverna”, outro nome para “O Mito da caverna”, Platão narra a história de um homem que se liberta dos grilhões da escuridão e consegue chegar à luz. E quem seria esse homem? Para Platão o único que consegue sair dessa “prisão” é o filósofo. E os demais habitantes da caverna? Continuariam vendo sombras sem enxergar o mundo real, as verdades eternas e ainda tentariam matar aquele que se libertou e voltou para libertá-los. 

Platão, extremamente conectado com o seu próprio tempo, recorre aos mitos para ensinar filosofia aos seus discípulos. Para ele, a única forma de construir uma sociedade justa seria fazer com que ela fosse governada por um filósofo ou tornar seus governantes filósofos, isso porque apenas os filósofos escapariam da corrupção moral do dia a dia na cidade, ou seja, seriam os únicos que não se deixariam contaminar com as misérias humanas.

“O homem bombado” afirma, portanto, que os seres humanos são dotados de duas faculdades essenciais: a memória e a lembrança. As ideias não seriam simples pensamentos, mas o verdadeiro ser das coisas: aquilo que o pensamento pensa quando libertado do sensível. Em última análise, o conhecimento para Platão seria “anamnese”, ou seja, recordação daquilo que já existiu dentro de nossa alma.

Enquanto método de estudo, ou chave de leitura para entender e interpretar à realidade, “O homem bombado” fundou o Idealismo (mundo das ideias), que é o mundo verdadeiro, que contém os arquétipos das coisas visíveis e o Realismo (mundo da matéria), mundo sensível, que não se explica a si mesmo. É importante destacar que esse raciocínio foi o ponto de partida da Filosofia Cristã na Idade Média, principalmente na Patrística e na Escolástica.

Por fim, dentre os muitos legados de Platão para a sociedade atual podemos destacar o amor que ele tinha pela República, pela educação, pela democracia, pelo conhecimento. Para Platão, a educação não teria outra finalidade se não de encontrar a bondade na alma das pessoas. É isso. Como necessitamos que os valores defendidos por Platão, principalmente da justiça, do amor e da honestidade, sejam colocados em prática na sociedade atual!

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