A filosofia de Aristóteles aplicada na atualidade

Aristóteles nasceu, provavelmente, no ano de 384 e morreu em 322 antes de Cristo. Discípulo de Platão, de cujas ideias foi divergindo com o passar do tempo, foi o fundador da Filosofia do Peripato, que é o método de ensinar ao ar livre, caminhando, assim como fazem os guias em museus e teatros, e tantos outros conhecimentos como veremos a seguir, brevemente, nesse artigo. 

Filho de Nicômaco, médico famoso em Estagira, Aristóteles sistematizou o conhecimento filosófico (escritos em forma ordenada e discursiva), sendo assim, o pai do “conhecimento científico”. Escreveu livros para os mais variados assuntos. Pense em um tema. Provavelmente, ele já o abordou, ao menos de passagem. Em geral, a cada obra, ele escolhia um tema em separado (biologia, zoologia, antropologia, psicologia etc.) e o explorava até o fim. As suas principais obras são: “Organon”, “Ética a Nicômaco”, “Metafísica”, “Política”. Seus escritos nos domínios da metafísica, da lógica e da teoria do conhecimento têm caráter de perenidade. 

Toda a obra de Aristóteles, com quase duas mil páginas que chegaram até nós, pode ser considerada um misto de continuação e variação dos textos platônicos: continuação por revisitar os temas levantados pelo seu mestre, e variação por tentar dar um caráter menos relacionado aos idealismos platônicos e mais aos sentidos, à realidade.

Diferentemente de Platão, portanto, que concebia à realidade composta do Idealismo e do Realismo, Aristóteles fixa o seu pensamento no Realismo. Para ele, o que existe na realidade são os seres singulares e não as ideias. A Metafísica, ou a Filosofia Primeira, segundo Aristóteles, trata do estudo do ser enquanto ser e não do ser enquanto ele deveria ser. Ou seja, Aristóteles era “prático”, enquanto o seu mestre era “teórico”. 

Aristóteles dividiu a ciência em Teoréticas (buscam o saber em si mesmo); Práticas (buscam o saber para o aperfeiçoamento prático); Poéticas (o saber em função do fazer). Para ele, todas as coisas que existem no universo, os seres animados e os seres inanimados, são constituídos por quatro causas: material (matéria), formal (essência ou forma), eficiente (origem ou motor), final (fim ou objetivo).

Em busca do conhecimento verdadeiro, portanto, científico, Aristóteles criou o método da Dedução, que parte do universal ao particular e o método da Indução, que parte do particular ao universal. Organizou os princípios de Identidade, Não contradição e Terceiro excluído. Sistematizou a teoria hilemórfica no Ato (o que a coisa é no momento) e na Potência (o que pode vir a ser – potencialidade), pontos que influenciaram a teologia Tomista.  

Dessa forma, podemos sintetizar as contribuições de Aristóteles para a sociedade atual em três aspectos: a ciência, a política e a ética. Quanto ao conhecimento, Aristóteles afirmou que “Todos os homens têm, por natureza, o desejo de conhecer”. Ética para Aristóteles é o estudo da conduta (ou fim) do homem como indivíduo e Política é o estudo da conduta (ou fim) do homem como parte de uma sociedade. 

Segundo Aristóteles, “Toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras, tem mais que todas, este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política”.

Em suma, para Aristóteles o ser humano é um animal político e para ser feliz é necessário viver bem, em sociedade, uns com os outros. E, como sempre estamos dentro de algum tipo de comunidade, vivendo gregariamente, o bem viver tem sempre relação com a organização desse agrupamento de pessoas, o que reforça o argumento de que ética e política são duas partes da mesma preocupação.

Por fim, podemos dizer que somos felizes em virtude de sabermos utilizar, ao máximo possível as potencialidades que são características nossas: a racionalidade, a política e a ética. Ou seja, seremos felizes se conseguirmos viver virtuosamente. Esse seria o objetivo de toda vida humana e, se não houvesse esse objetivo, a vida seria vazia e sem sentido. Ser feliz, portanto, é o fim de toda ação humana. Cultive a virtude, seja feliz!

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