Há religiosos contrários a exploração comercial da fé. Acreditam que fere a pureza da religião que deveria estar acima dos bens materiais e, portanto avessa à exploração comercial por aqueles que sequer põem os pés numa igreja. Por outro lado, quando é a própria Igreja que se beneficia do comercio em torno das festas religiosas, não há problema. Aliás, muitas das festas são criadas exatamente para reforçar o caixa da paróquia, ou então para completar a verba de alguma construção ou reforma.

Desta forma surgiram muitas das festas que hoje fazem parte do folclore das cidades e que acabam atraindo alguns turistas. No norte do Brasil, o Círio de Nazaré, em Belém é o mais forte exemplo disso. A festa de Santo Antônio, em Borba, no Amazonas é uma atração que atrai devotos do santo e outros curiosos que nada têm a ver com a história do santo. Todas as cidades do interior têm uma festa religiosa, mormente a festa do padroeiro da cidade.

A pequena cidade de Itapiranga, a 300 km de Manaus por estrada,  está sendo visitada por conta de aparições de Nossa Senhora que um vidente diz ver. A aparição teria confidenciado  que queria ser conhecida como “Nossa Senhora do Rosário da Fé” e recebeu selo oficial quando o bispo de Itacoatiara consagrou a Diocese à santa. O substituto do Bispo parece mais sensato e considera as aparições como fraude.

Questões de fé à parte, faria um bem muito grande para a economia da cidade receber um fluxo constante de fiéis. Claro que haveria necessidade de investimentos estruturais. A questão sempre é a mesma: se gasta primeiro em estrutura para receber bem os turistas, ou aguarda-se a vinda de turistas para então ver as necessidades de investimento. 

Sempre haverá aqueles que pensam que ganhar dinheiro com a exploração da fé não é um ato digno. Mas, todos concordam que o nicho do turismo religioso é o que mais cresce no mundo. Por que deveríamos, por escrúpulos, deixar de explorar esta atividade financeira? Por que não aliar Turismo de Natureza com Turismo Religioso, uma vez que o turista vem para a selva?  Falta de ética não seria deixar de alavancar o progresso por conta de questões religiosas?

A visita do Papa Francisco, anos atrás,  agitou a pequena cidade de Aparecida lotando todos os hotéis no meio da semana. Influenciou até mesmo o turismo da cidade do Rio de Janeiro, acostumada a grandes eventos. O Papa, mais informal que a liturgia do cargo lhe permitiria, atrai multidões que ficam felizes apenas ao vê-lo. Também, por conta de sua influência no meio católico, desperta mais atenção que qualquer chefe de estado que aporte por aqui. Se não houvesse estrutura turística ficaria muito difícil recebê-lo bem. Faturar com isso é mais consequência que causa.

Encontros com “estrelas” Gospel, Marcha para Jesus e outros também movimentam dinheiro e necessitam de profissionais  não necessariamente religiosos. Porém não são apenas os cristãos que promovem o turismo religioso. Os crentes muçulmanos, com alguma condição financeira, devem visitar a cidade santa de Meca uma vez na vida. Embora a visita seja proibida a pessoas de outras crenças, só os visitantes que consideram Maomé o único profeta de Deus, fazem com que a cidade tenha uma renda considerável.

Entre os visitantes estrangeiros que vieram ver e ouvir o Papa encontramos desde o mochileiro (muitos) e também pessoas abastadas além, é claro, da imprensa. Em contrapartida, outro nicho de turismo que cresce muito é o das minorias sexuais para o qual a maioria dos religiosos torce o nariz. Já vimos argumentos do tipo: “Se o turismo sexual é combatido, por que o GLS é estimulado?”

Nenhum fabricante tem restrições ao comprador de seu produto, até porque não sabe quem o compra. Comerciantes querem clientes com poder de gastar. Se estes clientes são religiosos ou fazem parte das minorias sexuais é irrelevante. 

Como dissemos acima: para a pequena Itapiranga no Amazonas (não confundir a cidade homônima em Santa Catarina onde aconteceu o primeiro Oktoberfest), os turistas são uma significativa fonte de renda. Por que não faturar com isso?

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