A ética necessária nos negócios

A ética corporativa é muito mais abrangente do que a conformidade empresarial, muito mais importante do que “estar em compliance“. A ética está muito acima disso.

Ética corporativa é o exercício da honestidade moral do profissional. Pressupõe-se que um profissional ético tenha condutas honestas e exemplares, sobretudo quando não estiver sendo vigiado e monitorado.

No árduo desafio de entender o ser humano e as suas idiossincrasias, nos deparamos com uma verdadeira banalização do mal. As “novas regras do jogo” corporativo muitas vezes levam o executivo, ou o empresário, a alargar por demais o seu conceito do que é correto, do que é ético, do que é moral.

Alguém já disse que o homem médio — e nessa condição estamos todos nós — aplica a ética de acordo com seus interesses. Sob a justificativa de que “os negócios têm de acontecer a qualquer custo”, e de que “os fins justificam os meios”, diversos mecanismos de cooptação antiética se fazem presentes no dia a dia de empresas e profissionais: a cobrança por resultados — muitas vezes inalcançáveis, os polpudos bônus e prêmios por desempenho, o status, a projeção social, o reconhecimento interno e no mercado — a velha e boa vaidade corporativa. Não faltam “motivos razoáveis” para que o motorista avance o sinal vermelho.

Assim, levando em consideração somente os seus interesses (legítimos ou não), e a sua concepção própria de moral, muitas vezes o profissional opta por fazer a coisa certa — para si próprio — mesmo sabendo que a opção não é a correta, sob o ponto de vista moral, ético e legal. Assume o risco, focando na recompensa. É a moral relativa, a ética de conveniência.

Na recente história de nosso país há vários exemplos de casos em que decisões empresariais ditas arrojadas, de cunho estratégico e meramente apenas “antiéticas”, resultaram em operações espetaculares de polícias e órgãos públicos. Sem consciência moral, surgiu a necessidade de “adestramento” do ser humano, com normas que preveem punições, caso contrário, como vimos anteriormente, o homem médio tende a não obedecer.

Dezenas, senão centenas, de executivos e dirigentes de grandes empresas ganharam espaço nas páginas policiais dos periódicos, da maneira mais indigna possível. Passaram a se preocupar, do dia para a noite, em justificar o injustificável. Para os agentes da lei. Para si próprios. Para suas famílias.

Grande parte desse adestramento forçado poderia ter sido evitado. Com uma boa dose de compliance e com muita ética.

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