A ética na educação. A aula do faz de conta

Em uma certa ocasião da minha vida acadêmica, quando ministrava aula para jovens universitários que logo seriam graduados em Logística Empresarial, importunei meus alunos a controverterem sobre ética, pois o assunto era tão polêmico quanto falar de ética.

Na ocasião perguntei-lhes quem em algum momento deixou de ser ético em alguma ação do seu cotidiano? Todos levantaram as mãos abalizando que constantemente deixavam de ser éticos. Uns com uma plausível justificativa dentre elas, a de que o exemplo deveria vir dos políticos brasileiros. Mas, um único aluno assinalava que nunca houvera deixado de ser ético. Sem muita justificativa apresentada ao professor, o mesmo foi indagado.

– Voce nunca colou na prova? Voce nunca pagou alguém para se beneficiar de algo mesmo que corriqueiro? Voce nunca jogou um pedaço de papel no chão? Meio que sem graça, o aluno respondeu ao seu professor –  Nunca.

Não preciso dizer-lhes, que toda a sala de aula caiu em gargalhadas, pois todos sabiam que este aluno “colava” nas suas avaliações.

Daí senti a necessidade de explicar um conceito bem simplista, porém, eficiente sobre ética que aprendi com meus pais.  Disse eu me direcionando a toda turma e não tão somente a este aluno que “ética era fazer as coisas certas mesmo quando ninguém esta vendo”. Em seguida todos sinalizaram terem entendido a mensagem. Suspirei de emoção e momentaneamente fiquei feliz.

Daquele tempo pretérito para os dias atuais, sempre me indaguei acerca do assunto e quero dividir com você.

Ética na visão conceitual.

Segundo os diversos portais na internet e alguns dicionários, ética é resolvida como um conjunto de valores que acaudilham a conduta do homem em afinidade aos outros na sociedade em que vive, avalizando, igualmente, o bem-estar social, ou seja, é o feitio que o homem deve se comportar no seu meio social, vem do grego “ethos” que significa modo de.

Seguramente, se você pesquisar não vai faltar teorias sobre o assunto que desvendam e fazem um absurdo de esforço para levar o conceito até você de forma eloquente e decisiva.

Ética na prática. 

O que vai faltar de verdade são bons exemplos de comportamentos éticos presentes no cotidiano. Mas é factível que você demore um pouco para se lembrar de uma pessoa ética ou uma ocasião que você viu a ética ser aplicada de fato e como dizia meus avós, ao vivo e a cores.

Mas não se preocupe. Sua memória não esta falhando. É que os exemplos são raros. Como você vai se lembrar de algo quase inexistente em nossa sociedade como um todo.

Me permitam, aqui , elencar alguns exemplos do nosso cotidiano em seus mais diversos ambientes. Temos o empresário que tenta a todo custo caronear os órgãos fiscalizadores usando o seu contador em atitudes duvidosas para contribuir com sua façanha.

O açougueiro que vende para a dona de casa uma carne moída de segunda, com preço de primeira. O balconista da farmácia, que vende medicamentos sem o devido receituário médico e ainda o agradecemos achando que isto vai resolver a dor que estamos sentindo, ou algo parecido.   

A Ética que passa pelo ambiente educacional.

Onde mais deveríamos ter a prática da ética, e eu não estou falando do Congresso Nacional e da Suprema Corte, mas sim, das escolas de uma forma geral, escolas estas que sistematicamente amordaçam seus professores, quando estes são mais rigorosos e justos ao exigirem o máximo de seus alunos.

Atitudes como esta, colocam o professor entre recuar nas suas boas intenções e ficar desempregado. A consequência disso é o notório despreparo com que estes jovens chegam ás portas das universidades. Recebemos alunos que literalmente não sabem tabuada e menos ainda ler e escrever, e quando eu falo ler e escrever inclui-se aí a interpretação daquilo que foi lido.

E não para por aí, o mais espantoso e que saem das universidades com as mesmas deficiências. Ainda menciono como exemplo, o pai do aluno que exige da escola o máximo de segurança para seu filho, com o argumento plausível, afirmo que não poderia ser diferente.

Porém, faço uma ressalva aqui. Este mesmo pai chega com seu filho à escola transportando-o em uma moto com dois passageiros e todos sem capacete. Pior ainda, aqueles pais que contratam o mais barato. É mais barato o transporte escolar “pirata”, ou seja, fora das normas do CONTRAN E DETRAN, sem seguro de vida, sem manutenção preventiva, sem cinto de segurança, sem a mínima higienização e sem um auxiliar,  do que o devidamente regulamentado. De que ética, de que segurança  estamos falando?

Como ensinar ética sem ter bons exemplos?

A BNCC trata em seus eixos temas transversais como os Contemporâneos. Os Temas Contemporâneos Transversais abordados na BNCC são Ciência e Tecnologia, Direitos da Criança e do Adolescente; Diversidade Cultural, Educação Alimentar e Nutricional, Educação Ambiental; Educação para valorização do multiculturalismo nas matrizes históricas e culturais Brasileiras; Educação em Direitos Humanos; Educação Financeira; Educação Fiscal; Educação para o Consumo; Educação para o Trânsito; Processo de envelhecimento, respeito e valorização do Idoso; Saúde; Trabalho e Vida Familiar e Social.(BRASIL, 2017).

É notório e evidente que ela esta pautada na Constituição Federal. Art. 205. Que menciona: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Na Constituição ou para o mais estudiosos, Carta Magna do País, tudo parece ser perfeito como no mundo de Alice. A grande questão é: Como ensinar ética ao povo, aos estudantes, se o próprio Líder do país não partilha da mesma intenção constitucional? Como ensinar ética quando o chefe maior da Educação deixa escapar por suas entranhas o preconceito, o racismo e o próprio desconhecimento acerca do assunto, da educação e da cultura. Como ensinar ética quando o pai escolhe para o seu filho um transporte irregular e inseguro? Como ensinar ética se o professor não possui intimidade com a questão. Como ensinar ética onde o pior vírus é a corrupção mesmo em tempo de comoção mundial.

Salve! Salve! A contrafação. Seja bem vinda, porque para muitos ela parece ser o caminho mais fácil. Assim com a COVID-19 , não existe vacina para a corrupção. A COVID-19,vai passar, a corrupção não, ela esta eternizada dentre nós. Somos povo marcado, povo feliz.

*Luiz Cláudio da Silva é educador corporativo, professor de ensino superior e espacialista em capacitação empresarial

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