1 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Bosco Jackmonth*

Citado nos artigos imediatamente anteriores desta estação de estudos semanais, o Diretório, significando um sistema de governo republicano assim chamado, nunca se tornou popular na França.  É que sentimentos monarquistas alcançaram dramático sucesso nas eleições para a legislatura. No outro extremo os jacobinos começaram a exigir uma volta aos ideais  de Robespierre. Deu-se até breve agitação de socialismo, sob a liderança de Gracchus Babeuf.                                              

Ocorre, mais séria do que tais sinais de descontentamento político era a ameaça representada pelos generais republicanos cujo prestígio subia à medida que os exércitos franceses conseguiam vitórias no exterior. O mais brilhante e perigoso desses generais era Napoleão Bonaparte.

Sucede, ao irromper a Revolução, Bonaparte no entanto era obscuro tenente de artilharia do exército regular. É que não sendo de nascimento nobre, mas filho de um advogado da Córsega, não tinha esperança de atingir alto posto no exército, até que a Revolução varreu os privilégios da aristocracia.  

Contudo, em 1794, havia ele ascendido ao posto de general-brigadeiro e, dois anos mais tarde, obtinha o comando de um exército em campanha na Itália. Em seguida, foi tido diversamente descrito como um filho da Revolução e como seu destruidor. Há verdade em ambas as hipóteses. Como Primeiro Cônsul permaneceu fiel ao princípio básico da Revolução, visto como recusou restaurar as barreiras de castas características do Velho Regime. Isto não é de surpreender, porquanto sua própria ascensão que se deu à preeminência teria sido impossível sob o antigo privilégio aristocrático. Mas ele desfez a Revolução sob outro aspecto, pois aboliu o governo representativo em benefício de um novo absolutismo.

Segundo a teoria de governo de Bonaparte, a eficiência era mais importante do que a liberdade pessoal ou o controle popular e, enquanto governou, permaneceu como um autocrata, sem permitir crítica pública de seu regime e sem dar voz ao povo no governo, a não ser a oportunidade de manifestar aprovação às suas ações sempre achasse conveniente a encenação de um plebiscito.

Nesta altura convém esclarecer o significado de alguns termos ligados à narração, a saber: Jacobino, membro de uma sociedade política revolucionária, ou mais propriamente quem começou a se reunir em Paris em 1789, defendendo um ideário democrático exacerbado, a ponto de empenhar-se em atividades terroristas durante a Revolução Francesa em 1789-1799.

 Gerundino, político republicano francês em ação que está para ser realizada ou que o será.

Diretório, conselho composto de cinco membros que governou a França no período de 27 de outubro de 1795 a 9 de novembro de 1799, quando foi deposto Napoleão Bonaparte.

Cahier, petição posta na época da revolução francesa requerendo alterações governamentais e justiça.

Concordata, acordo de transigência nos dispostos franceses.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade, princípio francês que se consagrou universalmente, nascido da manifestação francesa intitulada “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”.

Tem-se mais que em 1804 Bonaparte já não estava satisfeito com o título, de Primeiro Cônsul, embora em plebiscito, em 1802, o autorizasse a manter o posto enquanto vivesse. Outras manifestações algo ditatoriais assumiu Bonaparte, mas consagradas por um plebiscito o autorizou a fazer o que queria e, a 2 de dezembro de 1804, na presença do Papa Pio VII, Bonaparte colocou sobre sua própria cabeça uma coroa e tomou o título de Imperador. Simultaneamente, as várias repúblicas títeres que a França controlava transformaram-se em reinos e suas coroas foram distribuídas entre os irmãos e sequazes de Napoleão.

Inúmeros eventos, de cansativo relato, marcaram a trajetória de Napoleão, mas destaque-se que o marco do começo da queda se deu quando da aniquilação do Grande Exército na Rússia. O Imperador, embora não abatido por sua derrota voltasse a Paris, formasse novo exército e se preparasse para tornar a atacar os russos, toda a Europa principiou então a erguer-se contra ele.

Assim, primeiro a Prússia juntou-se aos russos e aos ingleses; e, mais tarde, a Áustria reiniciou a luta. Em outubro de 1813, Napoleão sofreu decisiva derrota numa batalha campal perto da Lípsia – a chamada Batalha das Nações. Já na primavera de 1814, maciça força de coalizão atravessou a fronteira francesa e, embora Napoleão travasse brilhante campanha defensiva, os aliados investiram para diante e entraram em Paris em março. Então, abandonado mesmo por seus próprios generais, Napoleão escreveu sua abdicação em favor de seu filho menino e tentou, sem sucesso suicidar-se. (Continua.)

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