A diversidade dos camarões de rios amazônicos

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Camarões da região do Baixo Amazonas podem ser explorados comercialmente e movimentar setor local

Camarão vai bem junto com qualquer prato e até só, como tira-gosto. O problema é que é um acepipe caro, porém, isso pode mudar se começar a ser explorado comercialmente na região do Baixo Amazonas.

Desde 2011, o Lecam (Laboratório de Estudos de Crustáceos da Amazônia), integrante do Cesp (Centro de Estudos Superiores de Parintins), da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), vem realizando estudos sobre crustáceos, como caranguejos e camarões de água doce (decápodos dulcícolas) no município.  As pesquisas do Laboratório visam conhecer a diversidade biológica da Amazônia e promover recursos para manejo e cultivo de espécies de crustáceos comercializados em Parintins, sem causar danos ao ambiente.

“A espécie de camarão dulcícola mais consumida e pescada na Amazônia é a Macrobrachium amazonicum. Existem muitas populações na região do Baixo Amazonas e, apesar de possuir uma mobilidade destacada em relação a outras espécies de camarões, as populações daqui não retornam ao mar. Elas completam todo o ciclo de vida na água doce, ou seja, reproduzem no próprio ambiente onde vivem”, explicou o professor doutor da UEA, Fabiano Gazzi Taddei, responsável pela linha de pesquisa do Lecam.

“Nossos estudos mostraram que a invasão da água sobre a floresta disponibiliza recursos importantíssimos para a sobrevivência dos camarões mais jovens, que também utilizam estes locais para abrigo contra predadores. Outro estudo realizado pelo Lecam foi com relação à qualidade do camarão vendido em Parintins. Apesar de não ocorrer de maneira adequada, não apresentou contaminação fora dos padrões determinados pelos órgãos regulatórios”, informou.
Camarões de até 12cm

Consumidores de camarões costumam dizer que os camarões de água salgada seriam mais saborosos que os de água doce. Fabiano explicou por que.
“Segundo estudos, a preferência ocorre devido à consistência, mais ‘dura’ da carne dos marinhos e também ao gosto da carne, mais salgada. O próprio camarão de água doce vendido no Amazonas passa por um processo de salga, que ‘tempera’ e, principalmente, auxilia na manutenção do camarão por mais dias antes da venda”, falou.

“A vantagem do camarão de água doce, sobre as espécies marinhas, está na facilidade de sua criação mesmo em regiões mais interiores do Brasil, fato que favorece o consumo do produto devido o menor preço. A carne do camarão, seja de água doce ou marinha, possui um mercado crescente, pois é um produto saudável por possuir níveis baixos de gordura e altos de proteína, quando comparados, por exemplo, a produtos derivados da carne vermelha”, completou.
E a Amazônia abriga várias espécies de camarões em seus rios. E todas com potencial econômico.

“Na região de Parintins encontramos várias populações destas espécies. Somente numa área conhecida como final da ilha, existem três espécies de camarões convivendo pacificamente, fenômeno chamado na ciência de sintopia”, contou.

“Nessa área indivíduos de Macrobrachium amazonicum chegam a medir 8 cm, mas do outro lado do rio, na comunidade Sebastião da Brasília, uma comunidade conhecida como ‘pescadora de camarões’, e que negocia o produto em Parintins, ocorrem indivíduos maiores que chegam próximo a 12 cm e onde encontramos os machos reprodutores ‘morfotipos’, que têm acesso às fêmeas. Estes indivíduos são facilmente reconhecidos pelo tamanho de suas ‘pinças’, detalhou.

O que falta são empreendedores que queiram investir no comércio de camarões de água doce, comercializados apenas como resultado da pesca artesanal, o que ocorre quase que exclusivamente na região amazônica. A pesca artesanal é realizada, principalmente, pelas mulheres das comunidades pescadoras de camarões. Trata-se de uma atividade cultural passada de geração para geração. Nenhuma empresa ou mesmo barcos pescadores exploram essa pesca, pelo que temos registro. O aparato de coleta é chamado de ‘camaroeira’, um saco de juta trançado com dois pedaços de madeira. No centro é colocada uma isca de vísceras de peixes.

“O que falta para acontecer é o desenvolvimento de uma tecnologia de cultivo da espécie. Um protocolo que permita uma produtividade que mantenha um fornecimento permanente para o mercado consumidor e que, ao mesmo tempo, mantenha uma rentabilidade para o produtor já que a área para a produção em massa de camarões de água doce é relativamente grande. No entanto, existem vários grupos de pesquisa que estão pesquisando a espécie amazônica visando o cultivo”, revelou.

No Brasil a espécie utilizada para a produção de camarões de água doce é a Macrobrachium rosenbergii, conhecida como o camarão da Malásia. Como o próprio nome diz, esta não é uma espécie nativa e em várias regiões do país, como nas regiões mais frias, apresenta problemas na sobrevivência. Além disso, esta espécie exige água salobra para o desenvolvimento de suas larvas, o que encarece a produção.
“E nós temos uma espécie nativa abundante, tamanho considerável e que não necessita de água salobra para a reprodução. Diante destes fatos a espécie amazônica tem ganhado destaque na ciência pelo grande potencial para cultivo”, destacou.
 

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