6 de maio de 2021

A dimensão científica do MC-T

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A ciência é uma forma de explicar os fatos e fenômenos do mundo com o suporte do método científico. Por sua vez, o método científico é um conjunto de etapas, cada qual alicerçada sob determinadas regras, que os cientistas percorrem para a produção de suas explicações. Essas explicações, finalmente, são chamadas de conhecimentos científicos. Como esses conhecimentos gerados pela ciência focam determinado objeto, à medida que se avolumam e tomam sentido configuram o que se chama de teoria. Uma teoria, portanto, é um conjunto de explicações, quase sempre convergentes, sobre determinado aspecto do mundo. Como as teorias científicas e seus conhecimentos explicam como as coisas funcionam no mundo, elas servem como matéria-prima para a produção de tecnologias. E são essas explicações que o método científico-tecnológico utiliza para materializar os seus produtos. É por isso que a dimensão científica do método é a primeira que deve ser contemplada. Sem conhecimentos científicos o método não funciona.

A dimensão científica do MC-T é estruturada em quatro etapas. A primeira é a fase de formulação de questões. Essas questões não buscam dar conta de diversos ângulos dos objetos que focam. Pelo contrário, elas se preocupam apenas em responder às questões que permitam a materialização de um protótipo tecnológico. Se elas estudam as causas do objeto, por exemplo, é porque as explicações buscadas vão permitir gerar respostas para pelo menos uma das questões centrais do método. Por essa razão o MC-T é capaz de gerar novos conhecimentos científicos (aqueles que não existem em nenhuma base de dados), mas, se os conhecimentos necessários estiverem disponíveis, o trabalho do cientista será apenas o de coleta e organização para a geração das respostas de base tecnológica.

Há basicamente cinco tipos de questões centrais nos esforços de produção tecnológica previstos pelo MCT. O primeiro tipo são as questões conceituais, cujas respostas vão auxiliar na elaboração do conceito do produto, fundamental no processo de patenteação da invenção. O segundo são as estruturais, que têm o desafio de identificar e definir os elementos componentes do fenômeno ou objeto, suas partes integrantes. O terceiro tipo são as funcionais, caracterizadas pelas explicações acerca de como funciona o objeto, fenômeno e cada uma de suas partes. O quarto tipo são as relacionais, onde são demonstradas as formas através das quais um elemento se relaciona com os demais e gera o funcionamento da invenção. Essas três questões são utilizadas para gerar o conceito operacional ou executivo da invenção. Finalmente, o quinto e último tipo são as questões ambientais, responsáveis por apontar as influências que o ambiente exerce sobre o invento e sobre cada um de seus componentes e vice-versa, deles sobre o ambiente.

Cada tipo de questão vai apontar a segunda etapa, chamada coleta de dados. Sinteticamente, são dois os tipos de coleta, dependendo da existência ou não das respostas que o cientista pretende obter. Se os conhecimentos científicos estiverem disponíveis em alguma base de dados, ele fará a coleta diretamente nessas bases. Algumas dessas bases são o Google Scholar e os repositórios de teses e dissertações, por exemplo. Se não estiverem disponíveis, os pesquisadores são obrigados a elaborar projetos de investigação específicos para cada resposta de que precisam para materializar a invenção.

A terceira etapa é a organização dos dados, consequência da segunda. Aqui foram divididas apenas para marcar a importância da convergência entre elas. A razão disso é que se deve elaborar o esquema de coleta de dados a partir de um protocolo que especifique como cada tipo de dado vai ser operacionalizado, manuseado, organizado, analisado e interpretado. Por exemplo, dados nominais não aceitam outro tipo de organização que não sejam em forma de quantidades, percentuais e valores modais. Qualquer outra forma de organização fere de forma gravíssima esses princípios e regras de organização, o que invalida completamente as respostas auferidas. É da adequação dos procedimentos e técnicas dessa etapa (e da anterior) que a validade das respostas é aferida.

A quarta e última etapa da dimensão científica é a geração das respostas. A geração da resposta envolve tanto a forma acerca de como cada resposta a cada questão norteadora é apresentada (tabelas, quadros, equações etc.) quanto a interpretação e estilo de comunicação. Essa etapa é materializada em forma de relatórios técnicos e científicos, além de artigos científicos, capítulos de livros, manuais, cartilhas, vídeos, aplicativos e inúmeros outros meios.

O que caracteriza, de forma geral, a dimensão científica é a resposta a três tipos de questões de forma detalhada. A primeira é dizer o que é que está ocorrendo ou ocorreu. Em termos sintéticos, essa grande questão busca descrever determinado comportamento da realidade. A segunda questão complementa a primeira e visa explicar por que aquele comportamento descrito na primeira etapa acontece. Tudo tem uma causa e toda causa tem pelo menos um efeito. O efeito é o comportamento descrito e a causa é a explicação gerada. A terceira questão aprofunda a descrição e explicação porque tem o compromisso de demonstrar o funcionamento do fenômeno ou objeto. Para isso, responde à questão “como isso acontece?”. Essa tríade é a essência de toda comunicação científica, todo artigo científico. Se uma dessas partes faltar, não há ciência.

Note que é justamente por isso que o MC-T tem caminho fértil para a produção de invenções. Todo conhecimento científico que cumpre o desafio das três questões (o que, como e por quê) é passível de ser transformado em algum tipo de tecnologia. Desde conhecimentos mais abstratos, como o que diz que há múltiplos universos até os mais singelos, como o que diz que olhar, ouvir e tocar aumentam a aprendizagem humana, são passíveis de serem utilizados para produzir alguma coisa. Pode ser algo inusitado, como um túnel que interliga os universos, ou um simples vídeo educacional que torne mais precisa a compreensão do fenômeno.

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