“A cultura deve ser prioridade de Estado”

Hoje (sexta-feira, 24), amanhã, 25, e depois, 26, os manauaras poderão assistir, no Teatro Amazonas, uma peça do projeto Vivo EnCena que vem fazendo sucesso por várias capitais brasileiras, apresentada pelo grupo Parlapatões, e encerra a turnê aqui em Manaus: “O Burguês Fidalgo”, do dramaturgo francês Moliére, encenada pela primeira vez em 1670 mas que, adaptada, continua bem atual. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Hugo Possolo, diretor da peça e quem interpreta Jordain, o burguês fidalgo, falou um pouco mais sobre o espetáculo e o trabalho dos Parlapatões. Os ingressos estão à venda no site: www.bestsite.com.br e na Bilheteria do teatro das 9h às 17h, e domingo das 13h às 17h.

Jornal do Commercio: O texto de “O Burguês Fidalgo” foi encenado pela primeira vez em 1670, mas continua bem atual, não é?
Hugo Possolo: É sempre bom encenar textos clássicos, como esse do Molière, pois nunca perdem a atualidade. Em “O Burguês Fidalgo” a melhor qualidade está em tratar tanto do comportamento humano quanto em discutir as questões de poder, portanto, políticas, sempre com humor. A peça nos possibilitou falar de temas atuais pela visão de um autor clássico, o que mostra que os conflitos políticos brasileiros atuais são ligados à estrutura histórica em que se constituiu o poder.

JC: E quem teve a ideia de mesclar o figurino de época com detalhes de objetos dos dias atuais? Da mesma forma, a música.
HP: Nosso figurinista, Cássio Brasil, é um conhecido artista plástico que busca uma relação contemporânea em tudo que faz. Para atualizar o tema, fez roupas de época com caráter alegórico, de espírito carnavalesco, que traz a forma de roupas clássicas e de época com elementos muito atuais, como molas de caderno ou luvas cirúrgicas compondo perucas do período romântico em que homens e mulheres usavam perucas para mostrar sua nobreza.
A música é muito importante em nossa montagem, feita ao vivo por todo o elenco, com o pianista Demian Pinto e a cantora Dani Nega, que ajudam a contar a história e trazem canções da música popular brasileira para transpor o ambiente parisiense antes da Revolução Francesa para o Brasil de hoje.

JC: Como tem sido as apresentações pelo Brasil da peça que irá culminar aqui em Manaus?
HP: Há muito tempo que os Parlapatões querem se apresentar em Manaus. Quando o Vivo EnCena nos propôs Manaus ficamos muito entusiasmados. Temos passado por várias capitais nesta turnê e cada cidade tem suas características específicas que acabam indo para a cena em nossos improvisos, brincadeiras que sempre nos aproximam mais do público. Esperamos que essa primeira vez aqui seja a primeira de muitas outras.

JC: Fale um pouco sobre os Parlapatões e por que esse nome?
HP: O nome do grupo veio de uma de nossas primeiras peças e quer dizer “impostor, fanfarrão e falastrão”. Tem muito a ver com o tipo de humor que levamos à cena, com piadas verbais, muito jogo de improviso e, sobretudo, com temas sociais e políticos onde brincamos com os impostores e fanfarrões que conduzem a política e a economia.

JC: Quais os próximos projetos do grupo?
HP: Essa turnê viabilizada pelo Vivo EnCena é para comemorar nossos 25 anos de grupo. Pretendemos fazer uma nova montagem, ainda em 2016, para comemorar essa data. Curiosamente será nossa 60ª peça. Estamos pensando em encenar “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade, que fala sobre a crise de 1929, que tem muito a ver com o momento brasileiro atual.

JC: A crise econômica do país tem afetado o trabalho de vocês?
HP: A crise em si sempre abala a atividade artística que, equivocadamente, não é tratada com a importância que tem para a identidade de um povo. A cultura deve ser prioridade de Estado, uma vez que é tão importante quanto a educação, a saúde e a segurança. São necessidades que não devem estar submetidas ao mercado, por serem um direito de todos os cidadãos brasileiros.

JC: Você já esteve aqui em Manaus. O que achou da experiência que teve no meio teatral local?
HP: Estive em Manaus realizando um workshop de comédia pelo Vivo EnCena, no ano passado. Retornei animado para um outro workshop que estamos encerrando ontem (quinta) que é sobre musicalidade na cena de humor. Os participantes têm experiência cênica e uma diversidade de linguagem, o que demonstra que a cidade tem uma forte tradição teatral. Acredito que é um desafio grande encontrar reconhecimento de nosso trabalho diante de uma referência forte que a cidade tem em artes cênicas, em especial, na ópera. Estamos animados e felizes de poder nos apresentar aqui.

JC: Como é fazer parte de um projeto de cultura que acredita na música e no teatro como fator de transformação?
HP: O Vivo EnCena integra a plataforma Vivo Transforma, da Vivo que, assim como O Boticário faz para a dança, e a Natura e Nívea para a música, realiza um trabalho de extrema importância para o teatro e para a música. Para nós, artistas, quando empresas compreendem a capacidade de transformação da arte, percebemos que podemos dar total liberdade expressiva às nossas obras. Sobretudo, porque a plataforma visa a continuidade, o que permite um aprofundamento maior da arte em sua relação com o maior objetivo de todos, que é atender ao público.

O QUÊ? Espetáculo “O Burguês Fidalgo”
ONDE? Teatro Amazonas – Largo de São Sebastião, Centro
QUANDO? Sexta-feira (24), sábado (25), às 20h; e domingo (26), às 19h
QUANTO? R$ 15 (Meia)
INFORMAÇÕES:(92) 3622-1880 / 3622-2420

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