A crise nos EUA e a economia brasileira

Em meados de 2007, o sistema financeiro internacional passou a acompanhar os desdobramentos de possíveis assimetrias no mercado de crédito imobiliário norte-americano subprime (créditos de risco elevado).

Em meados de 2007, o sistema financeiro internacional passou a acompanhar os desdobramentos de possíveis assimetrias no mercado de crédito imobiliário norte-americano subprime (créditos de risco elevado). A atenção se justificou, por um lado, pelos impactos de problemas de inadimplência sobre as operações de crédito e o conseqüente resultado sobre o balanço das instituições financeiras; e, por outro lado, pelos efeitos de uma possível recessão da economia estadunidense sobre a economia mundial, com destaque para os países emergentes.
Do ponto de vista do mercado de crédito, as expectativas se confirmaram por meio dos resultados nos balanços dos principais bancos americanos. O efeito se estendeu para os mercados europeus, já que muitas instituições possuíam aplicações em operações que envolviam crédito subprime. Os bancos centrais foram obrigados a exercer seu papel de emprestador de última instância, com destaque para o Federal Reserve (FED) – Banco Central americano – e ao Banco Central da Inglaterra, que efetuaram injeções de recursos em instituições financeiras com o objetivo de evitar falências que poderiam, eventualmente, culminar em efeito dominó.
Além disso, foram notadas operações coordenadas simultâneas de vários bancos centrais, no sentido de aumentar a liquidez das principais economias mundiais, por intermédio de compras de títulos e injeção de recursos no mercado. Paralelamente, o processo de redução na taxa de juros posto em prática pelo FED desde setembro de 2007 objetivou ampliar a liquidez da economia e reduzir o custo do crédito.
Sob este aspecto e de forma antagônica, as instituições financeiras brasileiras mostraram-se ilesas à crise, com resultados excepcionais nos balanços e crescimento nos lucros. Felizmente, a crise no mercado americano não contaminou os bancos brasileiros, que apresentaram elevadas taxas de crescimento, mesmo num cenário de queda da taxa básica de juros. Isto se deve, fundamentalmente, à expansão do crédito no mercado doméstico, à diversificação das operações e ao bom desempenho da economia, associados à busca de eficiência. Dessa forma, pode-se afirmar que, a despeito de certa volatilidade no mercado cambial e nos mercados acionários, com a drástica redução nos IPO´s (oferta inicial de ações), a crise norte-americana representou poucos efeitos no sistema financeiro brasileiro.
Com a disposição dos Bancos Centrais em exercer o papel de emprestador de última instância, os efeitos sobre o mercado de crédito foram relativamente absorvidos e as atenções se voltaram às possibilidades da economia norte-americana ingressar em um processo recessivo, além dos possíveis impactos de tal recessão sobre o Brasil e os demais países emergentes. Uma recessão se caracteriza pela queda do PIB (Produto Interno Bruto) por dois trimestres consecutivos e não é de se estranhar que o primeiro trimestre do ano apresente queda em relação ao último trimestre, já que há um efeito sazonal provocado por décimo terceiro salário e vendas de natal que eventualmente podem resultar em uma variação negativa do PIB no primeiro trimestre do ano.
A questão crucial refere-se ao comportamento do PIB americano no segundo trimestre de 2008. Se este período apresentar queda em relação ao anterior, então o país estará em um processo recessivo. No entanto, os indicadores econômicos não permitem, ainda, afirmar que a economia dos EUA está em recessão. Ela pode estar em um processo de desaceleração, o que não significa necessariamente uma recessão.
Tal desaceleração, iniciada já no último trimestre de 2007, pode ser revertida com o processo de redução da taxa de juros dos títulos americanos que, ao remunerarem o investidor em 2,25% ao ano, incentiva as famílias americanas ao consumo em detrimento da poupança, em um comportamento semelhante ao que resgatou a economia dos EUA da crise de 1929, quando o reaquecimento foi motivado, principalmente, pelo aumento do consumo, só que naquela ocasião proveniente do aumento da renda.
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