A China como parceira comercial

Desde 2009, a China assumiu o posto de maior parceiro comercial brasileiro. No entanto, é interessante notar que, embora a importância dos chineses para nossa balança comercial seja crescente já desde os últimos governos, nenhum deles foi capaz de formular uma estratégia efetiva para as nossas relações com Pequim.

Ao invés de pensar em movimentos de longo prazo que permitam que o Brasil se beneficie ainda mais das trocas com os chineses, nossas relações comerciais têm se baseado apenas na busca de benefícios de curto e, no máximo, médio prazo. No atual governo, no entanto, a falta de estratégia somou-se a um afastamento em relação ao nosso maior parceiro comercial, junto a uma série de críticas e atitudes conflitantes.

Houve no atual governo, assim como em outros, algumas ações para tentar fortalecer os laços com Pequim. Em outubro de 2019, a convite do presidente Xi Jinping, o presidente Bolsonaro visitou a China, por ocasião das celebrações do aniversário de 45 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. Nos encontros, os principais temas tratados foram relacionados a comércio, investimentos, setor privado brasileiro e melhor acesso a produtos brasileiros na China, incluindo a assinatura de diversos memorandos.

No entanto, em meio à estratégia de alinhamento com o governo estadunidense de Donald Trump e de críticas recorrentes ao multilateralismo, o governo Bolsonaro acaba por se afastar de seu maior parceiro comercial: os chineses. A despeito de acusações de membros e apoiadores do atual governo à China como causadora da atual pandemia, além de recentes manifestações favoráveis à independência de Taiwan, o distanciamento em relação a Pequim não se limita a essas atitudes.

O Brasil mudou seu padrão de votos na Assembleia Geral da ONU em 2019, por exemplo, levando também a um afastamento em relação ao posicionamento dos chineses. O argumento é utilizado por pesquisadores ao redor do mundo para sinalizar mudanças nos alinhamentos e orientações das políticas externas das nações. O país participou, ainda, de encontros de grupos como o “Quad”, por exemplo, que é fortemente relacionado à contenção da influência chinesa no planeta.

É verdade que os fatos recentes acabaram por não levar a uma piora nas relações comerciais com os chineses. No entanto, em um contexto de retomada do crescimento global, além de uma coordenação eficiente por parte do governo central, seria importante para o Brasil uma atuação mais incisiva dos estados e municípios na busca de ampliar as relações comerciais com Pequim.

E esse caminho ajudaria, sem dúvidas, o Brasil a se beneficiar mais de uma retomada do crescimento global após a pandemia, colaborando no reaquecimento de nossa economia. Assim como fortemente presente na cultura chinesa, devemos pensar no relacionamento com benefícios mútuos e baseado no “ganha-ganha”.

Foto/Destaque: Divulgação

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